Colunistas

Resumo sobre rinite alérgica: epidemiologia, classificação, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Resumo sobre rinite alérgica: epidemiologia, classificação, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Compartilhar
Imagem de perfil de Elyssa Carolina Cordeiro

   A rinite consiste na condição clínica em que o paciente possui inflamação e/ou disfunção da mucosa nasal, apresenta causas variadas, como: resfriados, contato com alérgenos, medicamentos, dentre outros. Tem como principais sintomas: obstrução nasal, espirros, rinorreia anterior e posterior, prurido nasal, hiposmia, olhos lacrimejantes, olheiras e cefaleia, mas pode apresentar sintomas mais específicos dependendo do tipo de rinite que acomete o paciente. A presença dos sintomas varia de minutos, dias consecutivos ou até meses.  Os sintomas da rinite são derivados das respostas do sistema imunológico do paciente quando ele entra em contato com uma substância provocadora (alérgeno). A rinite pode ser classificada com base nos critérios clínicos, frequência, intensidade de sintomas, citologia nasal e fatores etiológicos.

1.     Epidemiologia

   A rinite é uma doença altamente prevalente, acomete, principalmente, crianças, manifestando-se geralmente a partir do segundo ano de vida.  Além disso, é a condição clínica de maior incidência entre as doenças crônicas do trato respiratório, o que constitui um problema de saúde pública com grande impacto na qualidade de vida dos pacientes acometidos.

   Ademais, a rinite pode estar associada a muitas comorbidades, como asma, rinossinusite, tosse crônica, síndrome do respirador oral, conjuntivite alérgica e a síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS).

2.     Classificação

  • Rinites agudas: quando os sintomas possuem duração de 7 a 10 dias.
  • Rinites crônicas: quando os sintomas perduram por mais de 3 meses.

3.     Rinite Alérgica

   A rinite alérgica é forma mais comum de rinite, é induzida por inalação de agentes alérgenos que inflamam a mucosa nasal, essa inflamação é mediada por IgE. Após a exposição ao alérgeno é comum que haja reação de hipersensibilidade causando sintomas como: obstrução nasal, rinorreia aquosa, espirros e prurido nasal. Baseado na frequência da presença desses sintomas é possível caracterizar a rinite alérgica como sazonal ou perene/persistente. É importante levar em consideração a sua duração (intermitente ou persistente), gravidade dos sintomas e aspectos referentes à qualidade de vida do paciente, podendo, dessa forma, obter uma classificação mais completa. 

  • Classificação quanto à duração dos sintomas:

Intermitente: sintomas presentes por menos de 4 dias por semana ou menos de 4 semanas por ano.

Perene ou persistente: sintomas presentes por mais de 4 dias por semana e mais de 4 semanas por ano.

  • Classificação quanto à gravidade dos sintomas:

Leve: não há distúrbio do sono, nenhum impacto nas atividades diárias, sintomas existentes não incomodam.

Moderada/grave: há distúrbio do sono, os sintomas impactam diretamente na vida do indivíduo, pois comprometem suas atividades diárias, lazer, esporte; além disso, impactam a vida escolar e/ou profissional dos pacientes.

Figura 1: classificação da Rinite Alérgica segundo ARIA – Allergic Rhinitis and Its Impact on Asthma (2001, 2008).
Fonte: https://www.aborlccf.org.br/consensos/Consenso_sobre_Rinite-SP-2014-08.pdf

   O mecanismo fisiopatológico da rinite alérgica se baseia na reação de hipersensibilidade aos alérgenos. A sensibilização ocorre devido à captação do alérgeno na mucosa nasal pelas células dendríticas que apresentam os antígenos ao sistema imune, aos linfócitos Th2, especificamente, os quais secretam citocinas como IL-4 e IL-13. Esses fatores estimulam o crescimento e diferenciação das células B que produzirão anticorpos IgE para alérgenos específicos.

   Os anticorpos produzidos se ligam fortemente na superfície dos mastócitos. Durante a reexposição o alérgeno se liga a IgE específica na superfície dessas células, ocorrendo a ligação cruzada de moléculas de IgE adjacentes, o que provoca a degranulação de mastócitos e liberação de mediadores inflamatórios, como leucotrienos e histamina. Esses mediadores provocam vasodilatação, possibilitam o aumento da permeabilidade vascular e atuam diretamente nas terminações nervosas sensoriais. Esses fatores corroboram para que ocorram sintomas típicos da rinite alérgica, como rinorreia, obstrução e prurido nasal. Ainda na reexposição, ocorre estimulação da ativação local dos linfócitos Th2 pelas células dendríticas, o que provoca aumento na produção de IgE para alérgenos específicos, induzindo, também, a liberação de quimiocinas e citocinas que atraem eosinófilos, neutrófilos e basófilos para a mucosa nasal, estimulando uma resposta inflamatória mais intensa.

    Sintomas sazonais da rinite alérgica estão relacionados, principalmente, à sensibilização e à exposição a polens. Se a sensibilização e a exposição aos alérgenos for contínua (ácaros da poeira domiciliar, por exemplo), os sintomas ocorrerão ao longo de todo o ano. Podem ser persistentes ou intermitentes, de acordo com a exposição aos alérgenos e a gravidade do caso.

   A exposição à aeroalérgenos pode desencadear ou agravar o quadro clínico de rinite alérgica, mas há, também, outros fatores que são agravantes da rinite alérgica, como: exposição a mudanças bruscas de clima, inalação de irritantes inespecíficos (odores fortes, gás de cozinha, fumaça de cigarro), inalação de ar frio e seco e ingestão de anti-inflamatórios não hormonais, em indivíduos predispostos.

Figura 2: fatores desencadeantes da rinite.

Figura 2: fatores desencadeantes da rinite.
Fonte: https://www.aborlccf.org.br/consensos/Consenso_sobre_Rinite-SP-2014-08.pdf

   3.1. Quadro clínico

O diagnóstico de rinite alérgica inclui a história clínica pessoal, da família, no que diz respeito à atopia; exame físico e exames complementares também são importantes. Para que o diagnóstico seja eficiente é necessário se atentar a existência dos principais sintomas da rinite alérgica. Alguns pacientes podem apresentar sintomas sistêmicos: astenia, irritabilidade, diminuição da concentração, tosse, dentre outros.

   Na anamnese é relevante investigar: a época de início do quadro, a duração, a intensidade e a frequência dos sintomas, a evolução dos sintomas e os fatores desencadeantes e/ou agravantes da rinite. Através da historia familiar deve-se incluir a investigação de doenças atópicas. Socialmente, é importante identificar alguns fatores inerentes aos hábitos de vida dos pacientes, condições de moradia, obtenção de informações clínicas coexistentes, medicamentos utilizados etc. Também, é necessário avaliar o quanto a rinite alérgica interfere na qualidade de vida do paciente em aspectos como alterações do sono, prejuízo no rendimento escolar ou profissional e limitação nas atividades de lazer ou esportivas.

   Exame para avaliação das cavidades nasais é essencial, dessa forma, a rinoscopia anterior é necessária, consistindo na inspeção interna da cavidade nasal. É importante analisar o aspecto da mucosa da fossa nasal, observando sua coloração, trofismo, vascularização e hidratação. Além disso, é necessário verificar a presença de rinorreia e o aspecto da secreção: mucosa, aquosa, purulenta e sanguinolenta. Ademais, o tamanho das conchas nasais, o nível de obstrução nasal, coloração e presença de edema na mucosa. A mucosa nasal de pacientes que possuem rinite de forma geral apresenta cor pálida, é edemaciada e possui secreção clara.

3.2. Diagnóstico da rinite alérgica

   O diagnóstico da rinite alérgica é fundamentalmente clínico, baseado nas evidências e informações obtidas por meio da anamnese e exame físico.

No entanto, alguns recursos podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico da doença. Esses recursos são:

  • Diagnóstico etiológico: São os exames mais relevantes para o diagnóstico da rinite alérgica, pois contam com maior especificidade e sensibilidade. Esses exames incluem testes cutâneos de hipersensibilidade imediata (TCHI), através da técnica de punctura e a avaliação de níveis séricos de IgE alérgeno-específica. Diagnosticar a rinite alérgica e os alérgenos responsáveis pelo desencadeamento da doença é de fundamental importância para que as medidas de intervenção, de profilaxia, de tratamento e de imunoterapia específica com alérgenos sejam adequadas ao caso clínico do paciente em questão. 
  • Avaliação da cavidade nasal: indispensável para a avaliação anatômica que podem influenciar na fisiopatogênese da rinite. Nesse sentido, a rinoscopia anterior é um dos exames de maior importância nessa avaliação, uma vez que possibilita uma boa análise da cavidade nasal. No entanto, para análise minuciosa da cavidade nasal e estruturas adjacentes a endoscopia nasal diagnóstica se torna necessária. A endoscopia nasal possibilita a coleta de materiais da cavidade nasal para exames citopatológicos e bacteriológicos.
  • Avaliação por imagem: essa avaliação conta com exames de imagem que se tornam úteis para o diagnóstico da rinite alérgica, sendo eles: radiografia simples (auxilia no diagnóstico da obstrução nasal pela hipertrofia das tonsilas faríngeas); tomografia computadorizada e ressonância magnética (utilizados em caso de complicações associadas à rinite alérgica).
  • Complementares: biopsia nasal em casos de diagnóstico diferencial de lesões tumorais.

Figura 3: roteiro para diagnóstico de rinites.

Figura 3: roteiro para diagnóstico de rinites.
Fonte: https://www.aborlccf.org.br/consensos/Consenso_sobre_Rinite-SP-2014-08.pdf

   Há várias comorbidades associadas à rinite alérgicas, das quais se pode citar a asma, a conjuntivite alérgica, a otite média com efusão, tosse crônica, rinossinusite, alterações do desenvolvimento craniofacial nos respiradores bucais. 

3.3. Tratamento da rinite alérgica

3.3.1Medidas não farmacológicas

   O controle ambiental é de suma importância no tratamento da rinite alérgica, já que a presença dos alérgenos no ambiente desencadeiam as crises alérgicas, portanto é importante diminuir a exposição aos fatores que estimulam ou agravam os casos, levando, também, em consideração as condições socioeconômicas do paciente para a efetivação ou não dessas medidas.

3.3.2 Principais medidas farmacológicas

  • Anti-histamínicos: são os principais medicamentos usados para a atenuação dos sintomas da rinite alérgica, como: prurido nasal, espirros e coriza.
  • Descongestionantes: fazem parte dos estimulantes adrenérgicos ou adrenomiméticos, e sua ação principal é vasoconstrição. Seus efeitos colaterais incluem hipertensão, cefaleia, tremores, ansiedade e palpitações.
  • Corticosteroides: controlam a síntese de proteínas, diminuindo a produção de mediadores inflamatórios (citocinas).

Autora: Elyssa Carolina Cordeiro

Instagram: @elyssacarolina 

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Fontes:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL (São Paulo). III Consenso Brasileiro sobre Rinites – 2012. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, São Paulo, p. 1-52, 1 nov. 2021. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/consensos/Consenso_sobre_Rinite-SP-2014-08.pdf . Acesso em: 29 jun. 2021.

 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL (São Paulo). IV Consenso Brasileiro sobre Rinite – atualização em rinite alérgica. Brazilian Journal of OTORHINOLARYNGOLOGY, São Paulo, p. 1-12, 19 dez. 2017. DOI https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2017.10.006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bjorl/a/zWmtXTXRn6dtBLwcqRpJH4m/?lang=pt . Acesso em: 30 jun. 2021.

BRAGA, C.P et al. Consenso de rinite sob a forma de mapa conceitual. Rev Med Minas Gerais, [S. l.], v. 29 S27-S32, p. 1-6, 9 dez. 2019. DOI http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20190084. Disponível em: http://rmmg.org/artigo/detalhes/2620 . Acesso em: 29 jun. 2021.

O que é rinite? http://www.hiorp.com.br/artigos/o-que-e-rinite

Rinite: https://www.hospitalotorrinobrasilia.com.br/procedimentos/rinite/

Porto, Celmo Celeno: Semiologia médica / Celmo Celeno Porto ; coeditor Arnaldo Lemos Porto. – 8. ed. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019.

Porto, Celmo Celeno: Clínica médica na prática diária / Celmo Celeno Porto; coeditor Arnaldo Lemos Porto. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

il