Definição e Epidemiologia
A
causa mais comum de anemia é por sideropenia, mais conhecido como deficiência
de ferro. O ferro é um dos principais constituintes da hemoglobina, impactando
na concentração e conformação das hemácias. Os eritrócitos costumam se
apresentar microcíticos e hipocrômicos devido à falta de ferro sérico e
ferritina, cursando com alta capacidade de fixação do ferro total.
Fisiopatologia
A
quantidade de ferro corporal costuma variar de 2,5g a 3,5g, sendo maior nos
homens do que nas mulheres devido a diferença da quantidade massa corporal e
pela perda de sangue durante a menstruação, como já foi citado acima. A maior
parte do ferro corporal se encontra na hemoglobina e na ferritina. Costuma ser
mais absorvido no duodeno e no jejuno superior, logo doenças que acometem essas
regiões impactarão diretamente na absorção desse mineral. O ferro pode ser heme
e não-heme, sendo impactado de diferentes formas em sua absorção. O ferro heme,
presente nas carnes é o melhor absorvido pelo corpo humano, já o não-heme
precisa passar por algumas reações a fim de atingir a forma ferrosa para ser
absorvido. Esse tipo de ferro tem sua absorção prejudicada pela ingestão de
fibras e uso de alguns antibióticos, como a tetraciclina. Por outro lado, o
ácido ascórbico (vitamina C) melhora sua absorção no trato gastrointestinal.
Após absorvido, o ferro vai da mucosa intestinal via transferrina (proteína
transportadora de ferro, que é produzida anteriormente no fígado) para os
eritroblastos, fígado e placenta. A transferrina aumenta durante a deficiência
de ferro como tentativa de compensar o déficit.
A
deficiência do ferro, propriamente dita, começa quando a demanda é maior que a
oferta, tornando necessário a utilização das reservas de ferro na medula óssea,
levando a uma depleção progressiva desse depósito. Se o déficit de ferro não
for corrigido e permanecer ou for muito grave, a produção de eritrócitos será
afetada, gerando anemia. Se muito prolongada, a anemia pode causar disfunções
nas enzimas celulares ligadas ao ferro.
Quadro clínico
Sintomas
inespecíficos de anemia como fadiga, falta de ar, fraqueza, tontura e palidez.
Síndrome das pernas inquietas pode ocorrer.
Em
casos mais graves e/ou prolongados é possível encontrar a glossite, unhas
quebradiças, coiloníquia, queilite angular e picafagia.
Diagnóstico
Hemograma
completo, ferro sérico, capacidade de fixação do ferro, ferritina sérica,
saturação de transferrina, contagem de reticulócitos, RDW e se necessário,
esfregaço de sangue periférico também pode ser feito. Muito raramente, exame de
medula óssea.
Estágios
da sideropenia:
Estágio
1 – hemoglobina e ferro sérico normais, ferritina sérica <20ng/mL.
Estágio
2 – saturação de transferrina <16%, ferro sérico < 50μg/dL, transferrina sérica >8,5 mg/dL.
Estágio 3 – desenvolvimento da anemia
Estágio 4 – presença de microcitose e hipocromia
Estágio 5 – presença de sinais e sintomas
Tratamento
O
tratamento da anemia ferropriva consiste no suplemento de ferro, geralmente via
oral, com doses iniciais de 60mg elementar (325mg de sulfato ferroso) 1 vez ao
dia. O ácido ascórbico medicamentoso ou no suco de laranja ajuda na absorção do
ferro. Pode ser realizada a reposição de ferro via parenteral. A via parenteral
tem uma resposta terapêutica mais rápida, porém provoca muitos efeitos
colaterais. É importante saber a etiologia da anemia, se for por hemorragia é
importante cessar esse sangramento para sucesso do tratamento.
Frutas com tanino devem ser evitadas, como a banana verde e o caqui, pois em contato com os sais de ferro o torna inabsorvível.
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