Definição e Epidemiologia
A neuralgia do trigêmeo é
caracterizada por uma dor facial episódica rara, relacionada ao nervo craniano
trigêmeo (NC V), localizada no território dos seus ramos. Geralmente é
unilateral, acometendo mais o lado direito, de grande intensidade, de caráter
em choque e em envolve, mais frequentemente, o ramo maxilar. Tem uma incidência
anual aproximada de 4,5 por 100.000 indivíduos. Além disso, o início,
geralmente, ocorre na meia-idade ou na idade avançada, mas adultos e crianças
jovens também podem ser afetados ( Mason et al ., 1991 ; Resnick et al ., 1998
; Childs et al ., 2000), 60% dos pacientes são mulheres (3:2) e hipertensos
apresentam maior chance de que a população geral.
Fisiopatologia
A neuralgia do trigêmeo tem como
suposição de sua forma primária a compressão de um vaso sanguíneo,
principalmente a artéria cerebelar superior, sobre as raízes do nervo trigêmeo
(NC V). Já a secundária está envolvida com
fatores não relacionados à compressão do nervo, como a Esclerose
Múltipla, isquemias vasculares, tumores no ângulo ponto cerebelar, entre
outros.
Os sintomas surgem a partir de
potenciais de ação nas fibras aferentes de dor da raiz do nervo antes de entrar
na superfície lateral da ponte. Há uma desmielinização das fibras grandes
mielinizadas que não conduzem dor, ganham aspecto hiperexcitáveis e se acoplam
às fibras de dor menores, o que explica o fato de que estimulações táteis,
transmitidas pelas fibras nervosas mielinizadas grandes, promovem dor
paroxística. Além disso, NT é mais comum
em idosos pelo fato da degeneração dos vasos sanguíneos e decaimento do
cérebro, o que influencia na compressão de vasos.
Quadro clínico
Segundo diversos autores (LEOCÁDIO;
SANTOS; GONÇALVES; SOUZA; CAMPOS), o quadro clínico do paciente acometido pela
neuralgia do trigêmeo deve ser isolado de qualquer outro déficit neurológico e
é apresentado de forma estereotipada pelo paciente. A dor deve existir no
intervalo de poucos segundos até 2 minutos e ocorrer paroxisticamente. Entre os
episódios de crise, o paciente deve ser assintomático, ou seja, só sente a dor
da neuralgia durante os momentos de crise. A dor relatada pelo paciente acomete
apenas um lado da face e de forma súbita, caracterizada como em queimação ou
punhaladas. A dor se propaga pelo território do ramo mandibular do nervo
trigêmeo, podendo ocorrer nós dois outros ramos também. É comumente relatado
pelo paciente que a crise é desencadeada quando ele estimula algumas áreas da
face como ao escovar os dentes, falar, comer ou tocar em pontos específicos do
rosto.
Diagnóstico
A International Headache Society
preconiza os seguintes critérios para definir o diagnóstico de neuralgia do
trigêmeo: dor de caráter em disparo, lancinante, choque elétrico e superficial,
pode durar até 2minutos por crise, de moderada a alta intensidade, períodos de
semanas ou meses sem dor, alguns fatores aliviam o quadro como o sono e drogas
anticonvulsivantes. Os critérios diagnósticos também estão de acordo com o
artigo: neuralgia do trigêmeo – uma revisão das literaturas.
Tratamento
Segundo Leocárdio et al. (2014), o
tratamento da neuralgia do trigêmio varia entre clínico e cirúrgico, sendo o
clínico inicial. Deve-se utilizar inicialmente Carbamazepina e Oxicarbazepina
em doses mais baixas e, caso necessário, podem ser aumentadas de forma
gradual.A Carbamazepina é o fármaco de escolha para o tratamento, com dosagem
inicial de 200 a 400 mg por dia. Além disso, pode ser associada a outras drogas
como: Baclofeno, Topiramato, Clonazepam e Fenitoína. Quanto aos procedimentos
cirúrgicos, os mais utilizados são: descompressão neurovascular, Rizotomia por
radiofrequência ou glicerol e balão no Gânglio Gasseriano. Ademais, a
fisioterapia surge como uma alternativa para alívio da dor (LEOCÁRDIO et al.,
2014).