Radiologia e diagnóstico por imagem

Resumos: Pneumonia | Ligas

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Autores: Lorena Moreira Fagundes de Azevedo; Maíra Santana dos Santos; Rodrigo Fagundes Chaves

Revisor(a): Rodrigo Fagundes Chaves

Orientador(a): Lara Torres Cardoso

Liga: Liga Acadêmica de Radiologia da Bahia – LARB

Definição de pneumonia

A pneumonia é definida como infecção dos alvéolos ou do espaço intersticial pulmonar tendo como agentes etiológicos uma gama significante de microrganismos (Mycoplasma, Chamidoplila vírus, Pneumococo haemophilus, Moraxella catarrhalis) ou até mesmo por reações alérgicas e produtos tóxicos.  Nesse sentido, a resposta inflamatória do organismo frente ao agente infecioso configura o quadro da doença. 

 A pneumonia é classificada quanto ao local em que ocorreu a contaminação. Sendo assim, é distinta em Pneumonia Adquirida na Comunidade quando a infecção ocorreu fora do ambiente hospitalar ou como surgimento em até 48 horas após a admissão hospitalar e a Pneumonia Nosocomial (Pneumonia Adquirida no Hospital) quando o paciente se expõe ao agente após 48 horas da internação.

Epidemiologia

A pneumonia é uma das doenças infecciosas que mais matam em todo o mundo e o Brasil é um dos países com maior incidência desta.  Segundo a Sociedade Brasileira de Imunização, a pneumonia é o principal motivo de morte em crianças menores de cinco anos causada por doenças infecciosas. Somado a isso, dados internacionais mostram que mais de 80% dos óbitos causados por pneumonia é referente à pacientes idosos.

Tratando da pneumonia nosocomial sabe-se que esta se apresenta maior em pacientes submetidos à ventilação mecânica, além de esta ser a segunda maior causa de infecção hospitalar e representar cerca de 20% das infecções adquiridas nas UTI. Além disso, sabe-se que a pneumonia adquirida na comunidade é a maior causa de hospitalização em todo mundo sendo ainda um desafio tanto para o diagnóstico quanto o tratamento.

Quadro clínico da pneumonia

A apresentação clínica da pneumonia pode ser gradativa ou fulminante e é marcada por febre, taquicardia ou calafrios e/ou sudorese. Também, tosse, que pode ser seca ou produtiva com escarro variável, dor torácica e dispneia. Alguns pacientes referem sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos e diarreia. Ademais, fadiga, cefaleia, mialgias e artralgias podem estar presentes. No exame físico, os músculos acessórios são vistos auxiliando a respiração, há frêmito toracovocal aumentado e costuma-se identificar macicez ou submacicez durante a percussão do tórax. A ausculta revela presença de estertores, sopros brônquicos e, ás vezes, atrito pleural.

Atenção para os idosos, pois eles não costumam ter febre, tosse ou dispneia, mas sim sintomas e sinais inespecíficos, como desorientação, alterações funcionais e descompensação de uma doença que era estável, como DM, DPOC ou IAM.

Diagnóstico da pneumonia

O diagnóstico da Pneumonia é eminente clinico e embasado em uma tríade composta por: anamnese, quadro clinico e exame de imagem sugestivo, onde comumente utiliza-se o raio-x de tórax.

Tal exame de imagem é solicitado idealmente com incidências de PA e Perfil. Onde visam encontrar consolidações alveolares, em padrões radiológicos conhecidos como: broncopneumonia, pneumonia lobar e intersticial aguda. Sendo que atualmente, nenhum desses padrões é indicativo de agente etiológico. Bem como, é possível também, encontrar no raio-x de tórax algumas possíveis complicações como os derrames pleurais e abcessos.

Outros exames podem ser solicitados para esclarecer o diagnóstico, a exemplo do hemograma, que apesar de inespecífico, pode contribuir de certa forma. Tendendo a cursar com uma leucocitose, neutrofilia e desvio para esquerda. Além disso, pode-se utilizar do PCR, onde alterações corroboram com o diagnóstico de pneumonia bacteriana e a hemocultura em casos mais graves, com necessidade de internação hospitalar.

Tratamento

Como o médico não costuma conhecer a etiologia da pneumonia antes do tratamento, o esquema terapêutico inicial é empírico para cobrir os patógenos mais prováveis, bem como ele varia a depender do local de tratamento.

Assim, para pacientes ambulatoriais, introduz-se um macrolídeo, como a claritromicina (500 mg VO 2x/dia), azitromicina (500 mg VO em única dose) ou doxiciclina (100 mg VO 2x/dia). As fluoroquinolonas respiratórias, como moxifloxacino (400 mg/dia VO ou EV), gemifloxacino (320 mg/dia VO ou EV)e levofloxacino (750 mg/dia VO ou EV), devem ser dispensadas para os pacientes sem comorbidades e que fizeram antibioticoterapia nos últimos 3 meses, pois elas podem estimular a resistência ao fármaco. Assim, essa parcela deve priorizar o uso do seguinte esquema: betalactâmicos (amoxicilina, clavulanato, cefuroxima) + macrolídeos. Importante citar que a amoxicilina pode ou não ser administrada a depender da etiologia da doença.

Para os pacientes hospitalizados, o tratamento deve ser voltado para os mais prováveis patógenos, sendo que se o patógeno for isolado, a antibioticoterapia deve ser direcionada. A eles são administradas as fluoroquinolonas respiratórias ou o esquema betalactâmicos + macrolídeo, sendo que de início a terapia é via intravenosa. Caso não existam fatores de risco para uma pneumonia grave, pode ser via oral.

Para aqueles que estão internados na unidade de terapia intensiva, estudos mostraram que a mortalidade foi reduzida quando em uso da dupla betalactâmico + macrolídeo. Além da terapêutica farmacológica, são inerentes ao tratamento da pneumonia: hidratação, oxigênioterapia para hipoxemia e suporte ventilatório quando necessário.

Outros fármacos poderão também ser introduzidos, caso o estado do paciente se agrave.

Links relacionados:

  1. Caso clínico de pneumonia adquirida na comunidade

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