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Caso Clínico: Síncope | Ligas

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Apresentação do caso clínico

Identificação: Mulher,
75 anos, casada, aposentada (costureira), natural e procedente de Santa Fé.

Queixa Principal:
Síncope

História da Doença Atual: Paciente refere episódio de síncope enquanto assistia
televisão. O acompanhante relata que a paciente estava em repouso no sofá e
teve perda súbita dos sentidos sem movimentos involuntários. A síncope teve
duração de cerca de 5 minutos e após a paciente retomar os sentidos ficou confusa
por aproximadamente 3 minutos. Há cerca de 3 meses, refere “canseira e faltar
de ar” durante a realização de atividades físicas leves.

Medicamentos em uso: Paciente relata uso de acetaminofen devido
osteoartrose no joelho esquerdo. Nega uso de outros medicamentos.

História Média Pregressa: Nega tabagismo, etilismo e uso de drogas. Nega doenças
cardíacas (nega endocardite prévia, nega doença de chagas), pulmonares,
neurológicas, metabólicas, endocrinológicas, reumatológicas (colagenoses)

História Familiar:
Paciente refere não lembrar a causa de óbito dos pais. Nega doenças familiares.
Refere ter 5 filhos hígidos.

Revisão de Sistemas:   

Paciente
nega febre, nega perda de peso, nega astenia.

Nega
episódios de palpitações, dor torácica, tonteira, hipotensão postural, nega
síncope associada a movimentação da cabeça, nega tonteira/síncope associada a
movimentação dos membros.

Nega
alterações de força, fala, visão, coordenação.

Exame Físico:

Paciente
em bom estado geral, eutrófica, lúcida, orienta e coerente.

Mucosas
coradas e úmidas, anictérica, acianótica. Ausência de linfonodomegalias

Sinais Vitais: PA: 120/75mmHg FC: 34bpm FR: 12rpm Tax: 36,5°C

Exame cardiovascular: Ritmo irregular com bulhas
normofonéticas e sem sopros. Pulso venoso com ondas A em bala de canhão (pulsações súbitas e fortes).

Exame do sistema respiratório: Murmúrios
vesiculares presentes em todos os focos de ausculta, sem ruídos adventícios.

Neurológico: sem alterações.

Tireoide: palpável, sem alterações
de tamanho ou textura.

Exames Complementares:

Hemograma
– normal / Função renal e eletrólitos normais / Enzimas Cardíacas – normais /
TSH e T4 livre – normais

ECG
– O eletrocardiograma demonstra ausência
de sincronia entre ondas P e complexos QRS.
Os intervalos PP e RR são regulares

Conclusão: A
história clínica e o exame físico juntamente com o ECG corroboram o diagnóstico
de Bloqueio Atrioventricular de 3º grau/total. A etiologia do BAVT em questão é
provavelmente o envelhecimento. Porém, precisamos investigar outras causas
isquêmicas ou anormalidades estruturais cardíacas para confirmação etiológica e
o manejo otimizado do paciente.

Questões para orientar a discussão    

1.  O que é um bloqueio atrioventricular total?

2.  Quais são as alterações eletrocardiográficas
compatíveis?  

3.  Qual o quadro clínico clássico?

4.  Quais as principais causas?

5.  Qual o tratamento?

Respostas

Os bloqueios
atrioventriculares de 3º grau
representam uma obstrução total no sistema de
condução dos impulsos elétricos dos átrios para os ventrículos. O ritmo atrial continua
sendo comandado pelo nodo sinusal e o ritmo ventricular passa a ser controlado
por um ritmo de escape distal.

Um ritmo de
escape ocorre quando um novo foco de estímulo elétrico assume o comando do
ritmo cardíaco na vigência de falha do nodo sinusal. Nos casos de BAVT, os
estímulos do nodo sinusal não chegam ao ventrículo devido ao bloqueio e
portanto surge a necessidade de regiões ventriculares assumirem o comando do
ritmo ventricular. Assim, verificamos que a sincronia entre as contrações dos
átrios com os ventrículos é perdida e portanto temos uma dissociação atrioventricular.

2.            Os
critérios eletrocardiográficas para
o diagnóstico de bloqueios atrioventriculares de terceiro grau são: 1) Completa dissociação AV – as ondas P e
os complexos QRS não apresentam relação 2) Intervalos P-P seguem o ritmo sinusal e os intervalos R-R seguem o ritmo
ventricular
3) O ritmo de escape pode
ser juncional (QRS estreito – FC
>40) ou ventricular (QRS alargado
com FC <40).

O BAVT pode ser
acompanhado de sinais e sintomas de débito cardíaco reduzido, síncope,
pré-sincope, angina ou ainda palpitações. No exame físico, é possível verificar
pulso venoso com ondas A em canhão (súbitas
e inesperadas).

4.            Entre
as potenciais causas de BAVT estão o infarto agudo do miocárdio, doença de Lenègre
e as doenças endocárdicas e miocárdicas.

A Doença de Lenègre é uma doença fibrodegenerativa
da junção AV. A maior parte dos pacientes são idosos e a doença é considerada a
principal causa de bloqueios intra ou infra hissianos

O infarto agudo do miocárdio é uma causa importante
de bloqueios atrioventriculares, principalmente nos casos de IAM de parede
inferior. Os pacientes com IAM inferior e com BAVT de apresentação tardia (após
6 horas) apresentam mau prognóstico.

Os pacientes que apresentam doenças infiltrativas,
inflamatórias, infecciosas e parasitárias do coração podem apresentar bloqueios
malignos. Entre as doenças que podem levar a BAVT destacamos a Endocardite
infecciosa, Doença de Chagas, Colagenoses, Amiloidose, Sarcoidose, Hemocromatose.

5. O tratamento do BAVT é feito através do implante de marca-passo devido
ao risco de morte súbita desses pacientes.

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