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Resumos sobre os 5 tipos de diabetes | Colunistas

Resumos sobre os 5 tipos de diabetes | Colunistas

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Diabetes Mellitus Tipo 1

  • Epidemiologia: 5 a 10% do total de diabéticos (geralmente é identificada na infância ou adolescência).
  • Fisiopatologia: Insulino dependente (organismo não produz ou produz pouca insulina) devido a um ataque do sistema imunológico às células beta do pâncreas (aquelas responsáveis por sintetizar e secretar o hormônio insulina). Devido à falta ou escassez de insulina, a glicose que não é capaz de entrar na célula e fica na corrente sanguínea, levando a um quadro de hiperglicemia (excesso de açúcar).
  • Quadro clínico: poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento, boca seca, formigamento em pernas e pés, feridas que demoram a cicatrizar.

Diabetes Mellitus Tipo 2

  • Epidemiologia:Tipo de diabetes mais comum: 90% do total de diabéticos. Relacionado ao estilo de vida (alimentação, prática de exercícios físicos) e a fatores hereditários. Se manifesta mais frequentemente em adultos.
  • Fisiopatologia: O organismo produz quantidade insuficiente de insulina e pode ser resistente a mesma. Isso gera um aumento da demanda de síntese da insulina, como um mecanismo de compensação. Por isso, inicialmente, há um hiperinsulinismo. Contudo, a manutenção deste quadro, causa uma exaustão das células beta pancreáticas, levando a um déficit e queda na secreção de insulina em casos de doença avançada. O hipoinsulinismo relativo não consegue manter os níveis glicêmicos dentro dos padrões adequados e assim, há uma hiperglicemia persistente.
  • Quadro clínico: Normalmente é assintomática. Se sintomática, tem semelhanças com a do tipo 1, aparecendo quando já possuem lesão em órgão-alvo.

Diabetes Mellitus Gestacional

  • Epidemiologia: atinge cerca de 3-25 % das gestações.
  • Fatores de risco: idade materna > 35 anos, IMC > 25/m2, antecedente pessoal ou familiar, uso de corticoides, diuréticos, síndrome do ovário policístico.
  • Fisiopatologia: Intolerância à glicose com início ou reconhecimento durante a gravidez, podendo ou não persistir após o parto (costuma aparecer no 2º trimestre).

Na mulher com DMG não é a resistência à insulina que está alta, na verdade, há um mau funcionamento das células beta pancreáticas, as quais secretam uma quantidade insuficiente de insulina. Assim, o bebê está exposto a uma quantidade excessiva de glicose.

  • Quadro clínico: normalmente são assintomáticas, mas quando apresentam sintomas, as grávidas podem se queixar de polidipsia, ganho de peso exagerado (fetal ou materno), polaciúria, mal-estar, fadiga, edema de membros inferiores e/ou superiores e visão turva.
  • Possíveis complicações: malformações fetais, macrossomia fetal, maturidade fetal, abortamento espontâneo, pré-eclâmpsia, hipertensão, nefropatia e retinopatia diabética,

hipoglicemia neonatal, seguida de convulsão e sequela neurológica, tocotraumatismo, hiperbilirrubinemia.

Diabetes tipo LADA

  • Epidemiologia: atinge 2% da população adulta mundial.
  • Fisiopatologia: LADA vem do inglês “Latent Autoimmune Diabetes of the Adult”, que significa Diabetes autoimune latente do adulto. Pessoas com diabetes do tipo LADA produzem um tipo de anticorpos chamados anti-GAD. Normalmente, o GAD, ou glutamato descarboxilase, é uma enzima, que ajuda o pâncreas a desempenhar o seu papel. Ou seja, quando o corpo começa a produzir anticorpos anti-GAD, as células produtoras de insulina começam a ser destruídas e a sua função fica comprometida. Na verdade, são diabéticos do tipo 1 que manifestam a doença em idade adulta. Porém esse processo acontece de forma mais lenta do que a diabetes tipo 1, assim permite o controle de glicemia por medicamentos orais por mais tempo. Além disso, a maioria dos pacientes com diabetes do tipo LADA tem IMC normal ou abaixo do normal, costumam apresentar um melhor perfil metabólico e tensão arterial mais controlada.
  • Quadro clínico: sintomas parecidos com a diabetes tipo 1.

Diabetes tipo MODY

  • Epidemiologia: Estima-se que perto de 5% dos indivíduos classificados como portadores de diabetes mellitus (DM) tipo 2 e 10% daqueles considerados como tipo 1 (anteriormente classificado como juvenil) sejam, na verdade, portadores de mutações MODY.
  • Fisiopatologia: A sigla MODY vem do inglês: “Maturity Onset Diabetes of the Young” que significa diabetes juvenil de início tardio. É considerada o único tipo de origem puramente genética. Ocorre por uma transmissão autossômica dominante (determinada em pelo menos três gerações). Corresponde a um defeito primário na secreção da insulina, associada a disfunção na célula beta pancreática em função de mutações genéticas.

A peculiaridade é que, no diabetes MODY, há uma capacidade de controle muito maior do organismo – mesmo sem os recursos da insulinoterapia durante, pelo menos, dois anos.

  • Perfil do paciente/ quadro clínico: diagnóstico com menos de 25 anos de idade, um dos pais tem diabetes, casos de diabetes na família há pelo menos duas gerações (não precisam necessariamente fazer uso de insulina), Anticorpos negativos, Peptídeo C detectável após 5 anos.

Existe 14 tipos de MODY, cada um associado a um gene específico (Ex: MODY 1 e gene HNF4A; MODY 2 e gene GCK…).

Considerações finais

Apesar dos tipos de diabetes serem semelhantes no que se diz sobre o quadro clínico, os fatores etiológicos são bem diferentes. Portanto, torna-se necessário uma boa anamnese e um bom raciocínio clínico para chegar a um diagnóstico correto (que também é direcionado para cada tipo e situação) a fim de prescrever um tratamento adequado e eficaz, além de recomendar cuidados na rotina e nos hábitos de vida.

Autora: Melissa Amorim Martins

Instagram: @medmel_

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

SBD- Sociedade Brasileira de Diabetes American Diabetes Association (ADA) https://www.diabetesgeneticousp.com/ https://www.diabetesgenes.org/

Protocolos clínicos em endocrinologia e diabetes- Francisco Bandeira Rezende Obstetrícia

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