Clínica Médica

Resumo: tuberculose | Ligas

Resumo: tuberculose | Ligas

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Definição e Epidemiologia

A tuberculose é uma doença infecciosa cujo agente etiológico é o Mycobacterium tuberculosis, um Bacilo Álcool-Ácido-Resistente (BAAR). A infecção se dá por transmissão respiratória, através da aerossolização de secreções contaminadas, principalmente em contatos prolongados. Também pode ocorrer por desbridamento de lesões e troca de curativos em abscessos.

É uma das principais doenças infectocontagiosas do planeta, sendo estimado pela OMS que aproximadamente um terço da população mundial tenha a infecção latente. Tendo como grupos de alto risco, crianças de até 4 anos, idosos enfermos, receptores de transplante de órgãos, pessoas em quimioterapia e imunocomprometidos, principalmente os infectados pelo HIV ou portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

Todo caso de tuberculose deve ser notificado à vigilância epidemiológica.

Fisiopatologia    

A história natural da tuberculose está estritamente ligada à resposta imunológica do hospedeiro, sendo 3 situações possíveis:

  1. A resposta imune do hospedeiro elimina o agente;
  2. O sistema imune do hospedeiro não controla a replicação do bacilo, causando a tuberculose;
  3. O sistema imune do hospedeiro consegue conter o bacilo em granuloma, de forma latente.

A inflamação e a destruição tissular caracterizam a doença e são decorrentes da resposta imunológica do hospedeiro.

Entre adultos saudáveis, o hospedeiro predomina inicialmente, em cerca de 95% dos casos, o que em alguns casos culmina em um resquício de infecção primária chamado de Nódulo de Ghon no parênquima pulmonar.

Ocorre disseminação linfática, seguida de distribuição por via hematogênica.

Cerca de 5% dos indivíduos podem evoluir com abundante processo inflamatório, com uma grande população de bacilos, levando à Tuberculose Pós-Primária.

Quadro Clínico

O quadro clínico se caracterizará por sinais e sintomas como a tosse persistente por mais de duas semanas, com expectoração, além de febre vespertina, sudorese noturna abundante, emagrecimento rápido e acentuado, além de fraqueza e da hemoptise. Por conta da perda de peso, anorexia pode ser comum de acontecer. Pode estar presente a dor torácica de forma moderada. Outros sinais importantes que servirão de marcadores é evolução não aguda da doença, imunodepressão do paciente devido ao alcoolismo, diabetes ou outra causa, além de contato com doentes bacilíferos e história de tuberculose.

Diagnóstico

O diagnóstico começa através da história clínica e epidemiológica. Depois, se seguirá no âmbito radiológico, onde será realizado uma radiografia do tórax para encontrar alterações como extensão do comprometimento pulmonar.

Além do radiológico, se seguirá na investigação do âmbito bacteriológico, onde será feita a baciloscopia, um teste em que consiste a coleta do escarro para a descoberta do bacilo, caso ele esteja presente. É o método principal de diagnóstico, e o paciente deve ser orientado para este exame. Também poderá ser feita a Prova Tuberculínica, um exame que consiste em inocular via intradérmica a tuberculina, um derivado protéico do M. tuberculosis, para ver a resposta imune a este corpo estranho.

Tratamento

Com o objetivo de reduzir a transmissão da doença e a cura, o tratamento da tuberculose possui cerca de 95% de eficácia. Entretanto, o que é comum ocorrer é a falta de adesão terapêutica pelo abandono do tratamento, uso irregular ou errado dos medicamentos.

O esquema dos fármacos inclui a Rifampicina (R), Isoniazida (H), Pirazinamida (Z) e Etambutol (E), sendo eles associados em comprimidos com dose fixa combinada:

Na fase intensiva é utilizado por 2 meses a associação de RHZE (rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol), em que a dosagem irá corresponder ao peso do paciente. (≤ 20kg – 10/10/35/25 mg/kg/dia; 20-35 – 2 comprimidos; 36-50 – 3 comprimidos; > 50 – 4 comprimidos)

A fase de manutenção é composta por RH (rifampicina + isoniazida) durante o período de 4 meses, em que a dosagem também irá variar de acordo com a pesagem. (≤20 – 10/10mg/kg/dia; 20-35 – 2 comprimidos; 36-50 – 3 comprimidos; > 50 – 4 comprimidos).

Pacientes que apresentarem intolerância a dois ou mais medicamentos, podem ser prescritos capreomicina (Cm), levofloxacina (Lfx), terizidona (Trd) e etionamida (Et), que são fármacos também utilizados no esquema para tratamento de tubérculos resistente

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