Carreira em Medicina

Revalida: o que é, as mudanças, o que cai e muito mais

Revalida: o que é, as mudanças, o que cai e muito mais

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Confira neste artigo tudo que você precisa saber sobre o Revalida!

O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) é um processo seletivo que permite que os graduados em medicina em instituições de ensino estrangeiras possam ter seu diploma reconhecido no país.

Após a aprovação no exame, o médico pode solicitar ao Conselho Regional de Medicina a autorização para  trabalhar no Brasil. A obrigatoriedade da revalidação se aplica tanto em casos de médicos que almejam trabalhar com vínculo empregatício como para serviços como autônomos.

Contexto sobre o exame

O Revalida foi criado em 2010 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com o objetivo de centralizar o processo de validação de diplomas de medicina no Brasil.

Vale destacar que em 2010 ocorreu a 1° edição do exame como um projeto piloto. O exame só foi instituído oficialmente em março de 2011.

Antes da criação do exame, a revalidação de diplomas era feita diretamente em universidades públicas brasileiras. O problema é que cada uma tinha seus próprios métodos de conduzir o processo de revalidação, o que trazia uma série de desgastes.

O que é o Revalida na prática?

Todo médico formado no exterior, seja ele brasileiro ou estrangeiro, deve passar por um processo seletivo de duas etapas para conseguir revalidar o diploma e exercer a profissão no Brasil.

O exame avalia a competência técnica (teórica e prática) em medicina dos profissionais para exercer a profissão.

Requisitos para participar do exame

Todos os brasileiros ou imigrantes em situação legal e residentes no território brasileiro que possuem um diploma médico de uma das escolas de ensino superior reconhecidas pelas autoridades de seus respectivos países, e autenticado pela autoridade consular brasileira.

Anualmente, são realizados dois exames de revalidação de diploma.

Para participar, os interessados devem ficar atentos as divulgações de editais no site do Inep. Esses editais trazem inscrições sobre datas importantes do exame, taxa de inscrição e mais.

Etapas da seleção

A seleção de revalidação é composta por duas fases de caráter eliminatório, são elas:

  • Na 1ª etapa, são 105 questões: 100 objetivas e 5 discursivas;
  • A 2ª etapa vale 100 pontos e testa as habilidades clínicas do médico com exercícios práticos.

1ª Fase: Exame Objetivo

A primeira fase consiste em uma prova de 100 questões de múltipla escolha que abordam os temas da matriz de correspondência curricular. Além disso, há ainda 5 questões discursivas sobre os mesmo temas.

Leia também o nosso artigo: assuntos mais cobrados nas provas do Revalida

2ª fase: Habilidades Clínica

A segunda etapa consiste em uma prova prática que acontece em estações práticas que simulam atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) com a participação de atores.

No total, são 10 estações práticas, que abrangem cinco grandes áreas da medicina: clínica médica, medicina da família, pediatria, cirurgia e ginecologia e obstetrícia.

Em cada estação, o candidato tem 10 minutos para seguir uma lista de tarefas determinada e dar as respostas corretas sobre a saúde do “paciente”, indicando diagnóstico, tratamento e encaminhamento, por exemplo. Os acertos vão computando pontos para nota final.

Nota de corte

O médico que busca a revalidação do diploma precisa atingir a nota de corte em cada etapa. É a nota mínima para conseguir a aprovação, que é definida cerca de um mês antes da aplicação das provas.

Resultados

Após verificar seus resultados e constatar que foi aprovado, o candidato deve comparecer a Instituição de Ensino Superior escolhida durante a inscrição para dar continuidade ao processo de revalidação do diploma médico.

É importante ressaltar que cada instituição exige uma lista de documentos própria (além do diploma médico), por isso, deve-se conferir a lista com antecedência.

Em caso de reprovação, após a segunda etapa, o candidato pode esperar o próximo edital, se inscrever e fazer apenas essa 2° etapa.

Revalida: o que mudou e o que pode mudar nos próximos anos?

Desde 2019, o Revalida passou a ter ao menos duas edições por ano. Os candidatos também passaram a ter a oportunidade de fazer a segunda fase do processo mais de uma vez em edições consecutivas. Antes, o candidato precisava realizar todo o processo desde o início.

Em abril de 2023, em entrevista ao G1, o presidente do Inep, Manuel Palácios, comentou sobre as reclamações sobre erros e equívocos em questões e gabarito. Além disso, há discussões sobre a necessidade de rever o atual método de revalidação de diplmas.

Entre as propostas, há uma de que a 2° fase passe a ser feita dentro de um posto de saúde. Nesse cenário, o candidato deve atender uma pessoa real sob a supervisão de um médico-tutor. O mesmo seria o responsável por avaliar se o médico está apto para atuar no SUS brasileiro. Será que vamos ter essa mudança efetivada? Ainda não sabemos, mas continuaremos acompanhando.

Problemáticas sobre a prova

Você provavelmente já deve ter escutado muitas coisas sobre o exame, entre elas que é impossível de passar e que é super fácil estudar sozinho. Vamos entender um pouquinho sobre esses tópicos?

A prova do Revalida é impossível de passar

É normal ouvir de muita gente que que o exame é difícil ou injusto, feito propositalmente para ter um grande número de reprovados. A verdade é que o exame é, de fato, rigoroso e extenso. No entanto, não é impossível de passar.

Segundo as entidades médicas brasileiras, as questões testam os conhecimentos básicos necessários a todos os médicos.  

A prova não é coerente

Há também a discussão sobre haver ou não coerência com a grade curricular das universidades do exterior ou até mesmo com as brasileiras. 

Mas, de acordo com as autoridades responsáveis, a prova é coerente com os assuntos que os médicos precisam dominar.  Para driblar esse problema, é importante que os candidatos saibam aliar os estudos com o conhecimento técnico cobrado nas etapas e a estrutura da prova.

Não é necessário curso preparatório para a prova 

Você pode até estudar sozinho(a) mas isso requer disciplina, organização e sobretudo tempo. Apesar dos manuais do ministério da saúde e os livros terem o conteúdo, eles estão desorganizados e sem didática.

Como em geral o índice de aprovação no revalida é baixo, vale muito a pena investir em um curso preparatório.

Sugestão de leitura complementar:

Veja também um intensivão para a prova no nosso canal do Youtube