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Revendo a oftalmo | Colunistas

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Clayton Moura

3 minhá 85 dias

Olhando o passado

            Na última sexta-feira de outubro deste famigerado ano de 2020, concluí minha participação no internato de oftalmologia da UFPB, a federal da Paraíba. Eu e meus colegas, agradecidos pela acolhida que tivemos no setor, nos cotizamos para fazer uma confraternização. Contudo, entre salgados, bolos e “refris”, o que houve de mais saboroso na “confra” foi ouvir dos residentes, preceptores e da enfermagem, foi que nós tínhamos desempenhado um bom trabalho junto à equipe. Segundo um residente nos confidenciou, havia uma cultura de que a oftalmo, por ser específica demais, não atraía a atenção dos internos, que buscavam nela mais um período de descanso que de aprendizado – felizmente nosso grupo quebrou esta “maldição”. Ressalto, todavia, que estas linhas não são uma autopropaganda travestida de literatura (elogio em boca própria é vitupério, já dizia Cervantes), mas a constatação do óbvio:  a vida é uma amante justa, que se oferece na medida da nossa entrega, e isso vale dentro e fora da oftalmologia. Só não enxerga quem não quer.

A oftalmo olho no olho

            Em virtude do reduzido número de cirurgias (por conta do “coronga”), não fomos ao bloco cirúrgico, mas acompanhamos diversos serviços em caráter ambulatorial, como os setores de retina, plástica, clínica geral e, especialmente, o plantão, onde são recebidos pacientes com as mais diversas demandas oftalmológicas de urgência e emergência.

Digo sem reservas que minha passagem pela oftalmo e, sobretudo, pelo plantão da oftalmo, me permitiu conhecer o que realmente se pode denominar doenças prevalentes da oftalmologia. Graças a esta vivência, comecei a ver a oftalmo não como “coisa de especialista”, mas sim um espaço acessível ao médico generalista, que frequentemente se depara com cataratas, conjuntivites e traumas oculares, diante dos quais, ainda que nem sempre possa tratar, cabe-lhe o reconhecimento da gravidade e o encaminhamento. E ressalto: a experiência da graduação não seria suficiente para tanto.

            Outro aspecto interessante da especialidade é que, não sendo o exame oftalmológico uma conduta que viole a intimidade física dos pacientes, é comum que familiares participem dos atendimentos, o que facilita a discussão e compreensão das condutas tomadas por oftalmologistas e residentes. Ademais, a presença dos acompanhantes enriquece o cuidado e o aprendizado.

De olho na dica

            Isto posto, sugiro aos futuros médicos, independente da especialidade almejada (eu quero ser psiquiatra, por exemplo), que busquem a oftalmo em seu internato, onde verão que a oftalmologia, mais que uma “área de especialista”, é uma parte da medicina acessível a todos os (futuros) médicos que se disponham a olhá-la e, sobretudo, vivê-la um pouco mais de perto.

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