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Sinal de Courvoisier-Terrier: A temida massa palpável | Colunistas

Sinal de Courvoisier-Terrier: A temida massa palpável | Colunistas

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Brenda Tavares

5 min há 281 dias

As vias biliares possuem um sistema complexo e de suma importância para homeostase de nosso organismo. Assim, qualquer descompensação ou obstrução em algum ponto deste sistema desencadeará desordens que podem ser agudas ou crônicas, ambas prejudiciais para que nosso corpo consiga manter uma funcionalidade fisiológica normal.

As doenças biliares malignas exigem um diagnóstico e intervenção precoce. Apesar disso, seu acometimento insidioso e sintomatologia inicialmente inespecífica favorecem o diagnóstico tardio e com pouca ou nenhuma opção de tratamento curativo.

O sinal de Courvoisier-Terrier é considerado um achado tardio no exame físico, e costuma estar associado aos tumores periampulares, a exemplo do adenocarcinoma ductal pancreático.

Definição

Sinal de Courvoisier-Terrier define-se por vesícula biliar palpável e indolor em paciente ictérico.

Fonte: Google imagens

Como surgiu?

Este sinal foi definido por Ludwig Georg Courvoisier, um cirurgião da Suíça que adquiriu uma vasta experiência com vias biliares. Ele observou que a vesícula biliar podia se apresentar de forma diferente de acordo com a patologia que acometia o paciente.

Assim, ele propôs a Lei de Courvoisier para distinguir duas apresentações principais da vesícula. A primeira é aquela vesícula do doente com coledocolitíase, em que ela não se encontra palpável, já que, neste caso, a vesícula é fibrótica e atrofiada, ou seja, não palpável.

Já no paciente em que a vesícula se torna um achado palpável no exame físico e indolor, associada à apresentação ictérica do doente, foi denominado o sinal de Courvoisier-Terrier. Este sinal comprovou-se frequente em pacientes que eram acometidos por tumores periampulares, causa essa além da formação de cálculos biliares, sendo hoje a principal correlação do sinal.

Apresentação clínica

Os pacientes com sinal de Courvoisier-Terrier geralmente são idosos (> 60 anos) que, além da icterícia e massa palpável indolor no hipocôndrio direito (correspondente a vesícula biliar), costumam apresentar quadros de vômitos, náuseas, perda ponderal, prurido, febre e poucos casos sangramentos gastrointestinais.

Avaliação laboratorial

Pacientes que apresentam o sinal de Courvoisier-Terrier requer atenção e investigação maior devido à alta suspeição tumoral.

Quanto à avaliação laboratorial, é importante considerar nesta avaliação:

  • Provas de função hepática;
  • Perfil de coagulação;
  • Avaliação nutricional, principalmente nos pacientes com planejamento cirúrgico, sendo recomendada a suplementação nutricional pré-operatória naqueles que se encontram malnutridos;
  • Antígeno de carboidrato 19-9 (CA 19-9);
  • Alfa-fetoproteína;
  • ACE.

Exames de imagem

Para melhor avaliar as possíveis causas do sinal de Courvoisier-Terrier encontrado no exame físico, é necessário lançar mão dos seguintes exames de imagem:

  • Ultrassonografia (USG) – para triagem inicial deste paciente;
  • Tomografia computadorizada (TC) multidetectores e reconstrução 3D (com cortes de 1-3 mm) – é o exame de escolha no estadiamento e diagnóstico do câncer pancreático;
  • Ressonância magnética (RM)/Colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) – que é considerada equivalente à TC para a avaliação da doença primária;
  • PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons) – que possui uma sensibilidade de 92%, sendo superior a qualquer uma das modalidades isoladamente;
  • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) – utilizada principalmente em modalidades terapêuticas;
  • Ultrassonografia endoscópica (USE) – que está se tornando cada vez mais usada no estadiamento do câncer pancreático.

Conclusão

Compreender o sinal de Courvoisier-Terrier, bem como de todo seu contexto de apresentação clínica, é esperado por você, médico ou estudante de medicina, já que esse é um achado que interfere potencialmente na conduta e prognóstico do paciente. E lembre-se, antes de lançar mão de um exame complementar, PALPE o seu paciente.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

Garden, O. James Cirurgia hepatobiliar e pancreática/O. James Garden, Rowan W. Parks; [tradução Adriana de Siqueira, Denise C. Rodrigues, Vilma Ribeiro de Souza Varga. – 5. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Sabiston tratado de cirurgia / Courtney M. Townsend, Jr. et al.; [tradução Alexandre Maceri Midão et al.]. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

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