Alergologia e imunologia

Síndrome pós-aguda COVID-19 | Colunistas

Síndrome pós-aguda COVID-19 | Colunistas

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Sintomas podem ter duração de 12 semanas pós infecção COVID -19.

Definição

Síndrome são conjuntos de sinais e sintomas de alguma patologia. A síndrome pós COVID-19 ainda é uma condição em estudo. Ainda pouco se sabe sobre sintomas e tratamentos sobre o novo Coronavírus. Sabemos que em algumas pessoas os sintomas podem ser leves, moderados, graves ou até mesmo assintomáticos. No entanto, a doença não se limita à fase aguda, que, normalmente, ocorre em até 4 semanas, pois nessa fase pode persistir os sintomas até 12 semanas, designado como “long covid”. Segundo pesquisas, 2 – 15% ainda apresentam sintomas após o fim da infecção.

Atualmente tem sido mais utilizada a terminologia de PACS (Post Acute Covid-19 Syndrome) para todo o período após as 4 semanas. A persistência de sintomas, a longo prazo, após o vírus ter sido eliminado do corpo, depende de mecanismos que, ainda, não são totalmente conhecidos, no entanto alguns estudos referem a existência de alterações persistentes a nível do endotélio dos pequenos vasos. Por outro lado, existem também os sintomas inerentes ao internamento prolongado, nomeadamente nos cuidados intensivos.

E que sintomas encontramos no Síndrome pós fase aguda da COVID?

Os sintomas desta fase são, normalmente, alguns que persistem da fase aguda, mas podem também existir sintomas novos, e podemos referir como mais frequentes os seguintes:

  1. Fadiga
  2. Sensação de falta de ar/dispneia
  3. Descondicionamento físico/Déficit de força muscular
  4. Problemas de ansiedade/depressão/cognitivos
  5. Dores de cabeça
  6. Quadros álgicos a nível muscular e/ou articular

Assim, resumidamente, o que se sabe?

  • A persistência de sintomas não está diretamente ligada à gravidade da fase aguda.
  • Existe uma variabilidade e a imprevisibilidade no aparecimento dos sintomas, embora os mais frequentes sejam a fadiga e a dispneia.
  • A maior parte tem recuperação até às 12 semanas.
  • Nos casos severos, com internamento prolongado, nomeadamente em cuidados intensivos, as complicações podem incluir sintomas próprios desses internamentos, como as úlceras de pressão, polineuropatias e miopatia.

Como avaliar e tratar a Síndrome pós aguda da COVID?

O mais importante é estar atento a esta fase e à existência destes sintomas, que devem ser avaliados pelo médico, preferencialmente em consultas multidisciplinares orientadas para tal. Se necessário serão solicitados exames complementares, instituída ou mantida terapêutica farmacológica e, de acordo com os sintomas, a orientação para programa de reabilitação.

A maioria dos programas de reabilitação é orientado para os dois focos principais de sintomas, favorecendo assim a melhoria da capacidade respiratória e a força e resistência à fadiga.

A síndrome pós COVID-19 em crianças

Chamada síndrome inflamatória Multissistêmica Pediátrica, o quadro pode gerar consequências neurológicas, cardiovasculares e intestinais.

Embora tenha sido rara, as crianças que tiveram caso leve ou assintomático de COVID-19 podem apresentar sintomas como:

  • Febre alta
  • Manchas ou bolhas na pele
  • Indisposição

Hipóteses do porquê dessa Síndrome pós contágio

  • Alto nível de interleucina 6: responsável por causar cansaço, anemia e alterações hepáticas.
  • Hiperatividade da tireoide.
  • Anemia durante a infecção viral: causando fadigas persistentes. Caso o paciente tenha uma baixa reserva de ferro no organismo, a fadiga decorrente do estado anêmico pode persistir mesmo após o período de recuperação.
  • Casos graves da doença: caso o paciente tenha passado pelo estágio grave da doença, pode ter maior chance de desenvolver a síndrome.

Reabilitação pós COVID-19

Existem particularidades na reabilitação destes doentes que, pressupõem que nas primeiras 6 semanas após alta exista a recomendação da realização de exercício com uma intensidade baixa à moderada, aumentando progressivamente com o tempo, e de acordo com o grau de dispneia e fadiga. Outra particularidade será a necessidade de monitorizar a saturação de O2 em muitas das situações.

Concluindo, a fase aguda da COVID-19 e a Síndrome pós aguda obrigam a uma adequada atenção médica, sendo que a intervenção da reabilitação pode ajudar significativamente para uma recuperação plena da doença.

Conclusão

A síndrome pós fase aguda da COVID- 19 ainda é um assunto sendo estudado, mas como sabemos, COVID-19 desenvolve doenças secundárias a ela, conforme afeta determinados órgãos no nosso corpo. A maneira mais segura e eficaz de evitá-la ainda tem sido medidas de higiene e isolamento social, bem como vitaminas que suplementam o sistema imune, já que não existe tratamentos farmacológicos eficazes contra o vírus. Ficar atentos aos sinais e sintomas é de suma importância para que seu médico possa tratar de maneira adequada o quadro clínico que venha surgir.

 Autora: Rainara Lúcia D’Ávila

Intagram: @rainaradavila

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências

https://www.trofasaude.pt/noticias-e-eventos/noticias/s%C3%ADndrome-p%C3%B3s-fase-aguda-do-covid-19-a-interven%C3%A7%C3%A3o-da-reabilita%C3%A7%C3%A3o/#:~:text=Os%20sintomas%20desta%20fase%20s%C3%A3o,f%C3%ADsico%2FDeficit%20de%20for%C3%A7a%20muscular

https://www.cdra.com.br/o-que-e-a-sindrome-pos-covid-19