Cafeína vista além da xícara de café | Colunistas

A cafeína é a mais conhecida do grupo de drogas das metilxantinas, substâncias alcaloides com grande efeito no sistema nervoso central. Além dela, fazem parte do grupo também a teofilina e a teobromina. Tais substâncias são encontradas em diversas plantas, sendo a maioria utilizada para o preparo de alimentos, bebidas ou medicamentos. Assim, ela é uma droga recreativa legal e o seu consumo o é o mais alto dentre as drogas usadas para automedicação. Cafeína na história e sociedade             A Lenda de Kaldi, no ano de 575, é a primeira referência do café. Nesta, um pastor de cabras na Etiópia observou que seu rebanho ficava sobre efeito estimulante após ingerir folhas e frutos de determinada planta. Em 1820, a cafeína foi descoberta a partir do café por Ferdinand Runge, que teve o interesse por café estimulado pelo amigo e escritor Wolfgang von Goethe. Hoje a cafeína é adicionada em refrigerantes, energéticos, analgésicos e pílulas estimulantes por exemplo. Naturalmente, ela é encontrada em diversas plantas, as quais são utilizadas para o preparo de café, chás e chocolate. O café é a bebida mais amplamente consumida e conhecida dentre as que apresentam naturalmente cafeína. O grão de café é originário da Etiópia e teve seu uso difundido pelo norte da África até que chegou à Europa. O hábito de tomar café socialmente surgiu na cultura árabe e veio ao encontro do islamismo, já que a religião não permite o consumo de bebidas alcoólicas. Estudiosos ingleses acreditavam, na época, que o café seria uma boa alternativa às bebidas alcoólicas e poderia ser a cura para alcoólatras. Já houve um tempo no qual o café superou o consumo de bebidas alcoólicas na Inglaterra devido à popularidade dele e

Larissa Faria

9 minhá 3 dias

Cefaleias primárias | Colunistas

Aproximadamente 90% dos casos de cefaleia primária se enquadram nos três seguintes grupos: enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia autonômica trigeminal (cefaleia em salvas, hemicrania paroxística, hemicrania contínua e neuralgiforme unilateral). O diagnóstico entre elas, principalmente entre cefaleia tensional e enxaqueca de leve intensidade sem aura, nem sempre é fácil, não apenas pela semelhança, mas também pela possibilidade de ocorrerem simultaneamente. A Classificação Internacional de Cefaleias (3° edição – 2014) tem critérios para caracterizá-las e facilitar sua diferenciação. Caso a cefaleia apresentada pelo paciente apresente algum sinal de alarme, ou “red flag”, como início tardio da cefaleia (pacientes com mais de 50 anos), início súbito e agudo, nova cefaleia, novo padrão comparado com episódios anteriores, sinais ou sintomas de acometimento sistêmico, doenças sistêmicas que possam predispor à causa secundária, cefaleia que altera com manobras, que aumente ou diminua a pressão intracraniana, entre outros, deve levantar a suspeita de causa secundária e prosseguir em sua investigação. Aqui, focaremos no principal sobre as cefaleias primárias. Enxaqueca Aproximadamente 12% da população é afetada, sendo mais frequente em mulheres, entre 30-39 anos e com história familiar positiva, com a apresentação sem aura predominante (75%). Pode se apresentar como enxaqueca com aura ou sem aura e pode ser crônica. Tipicamente, ocorre com pródromo (sintoma vegetativo ou afetivo, horas ou dias antes do episódio de cefaleia, como hiper/hipoatividade, depressão, fadiga, rigidez/dor na nuca), aura (sintomas visuais, auditivos, somatosensoriais ou motores que antecedem a cefaleia) e cefaleia (geralmente unilateral, pulsátil, de moderada ou grave intensidade, acompanhada de náusea e/ou foto/fonofobia, piora com exercício físico). O paciente pode apresentar sintomas após o quadro de cefaleia, como exaustão, em fase de resolução. Quando não apresenta aura, dura

Júlia Machinski

3 minhá 3 dias

A pandemia e sua projeção ao longo de 2021 | Colunistas

A epidemia de SARS-CoV-2 começou na cidade de Wuhan em 2019 e logo se tornou uma pandemia mundial que tem se projetado ao longo de 2020, e certamente se manterá ao longo do ano de 2021. Assim que foi detectada na China como uma ameaça, sequenciaram o vírus responsável pela COVID-19 e logo o identificaram como sendo um novo coronavírus, que compartilhava certas sequências com CoVs semelhantes à SARS derivados de morcegos, portanto, uma zoonose. O SARS-CoV-2 é um membro do Coronaviridae, uma família de vírus de RNA de fita simples, de sentido positivo e envelopado que infecta uma ampla gama de vertebrados. E muito mais que isso, suas diferenças o tornam mais infeccioso que os outros Coronaviridae. Projetar a pandemia de COVID-19 para o ano de 2021 é entender cada vez mais o seu comportamento, a sua epidemiologia e fisiopatologia. Dentre as milhares de possibilidades, há a hipótese de que o SARS-CoV-2 tenha adquirido mutações dentro de um animal que facilitaram a sua replicação em humanos. Animais como o morcego, reservatório natural de milhares de vírus, podem transferi-los a humanos. E é algo natural que acontece de maneira constante entre espécies. É importante ressaltar que a história do vírus HIV seguiu o mesmo trajeto de saltos interespecíficos, com a diferença da epidemia local do Congo ter surgido em um mundo muito menos conectado e com a capacidade de desenvolvimento de testes para a detecção menos velozes que no século XXI. Do surgimento do HIV ao desenvolvimento dos primeiros medicamentos que de fato controlavam a doença, foram 10 anos. São vírus totalmente diferentes. Mas é importante salientar o intervalo que levamos para o desenvolvimento de meios a controlar parte dos efeitos deletérios do HIV. Existe uma necessidade urgente da vacina para o SARS-CoV-2.

Comunidade Sanarmed

2 minhá 3 dias

Classificação de Ann Arbor para o estadiamento dos linfomas de Hodgkin e não Hodgkin | Colunistas

Se você já estudou sobre linfomas, com certeza já deve ter ouvido falar na classificação de Ann Arbor, mas não deve ter se aprofundado mais do que a divisão e características dos estágios. Bom, o sistema de classificação de Ann Arbor é o sistema de estadiamento do linfoma de Hodgkin e do linfoma não Hodgkin. Ele fornece informações que auxiliam na determinação de um prognóstico preciso, o que o torna essencial para as decisões terapêuticas dos pacientes diagnosticados com esses linfomas. História Falando um pouco da origem dessa classificação, sabe-se que o nome Ann Arbor derivou da cidade de Ann Arbor, no estado americano de Michigan, que foi o local onde o Comitê de Classificação de Estadiamento da Doença de Hodgkin se reuniu, em 1971, para desenvolver esse sistema de classificação. De início, esse sistema foi desenvolvido para o estadiamento apenas do linfoma de Hodgkin, mas depois passou também a ser utilizado para o linfoma não Hodgkin. O reconhecimento de que o sistema de classificação de Ann Arbor não subdivide alguns dos linfomas não Hodgkin de modo clinicamente útil, e o reconhecimento de que outros fatores também são importantes para a previsão dos resultados do tratamento, fez com que, em 1993, fosse desenvolvido o Índice de Prognóstico Internacional (IPI), criado justamente para auxiliar na previsão prognóstica de pacientes com linfoma não Hodgkin agressivo. Assim, atualmente recomenda-se a utilização desses dois sistemas para a avaliação prognóstica dos pacientes com diagnóstico de linfoma não Hodgkin. Sabendo-se que o sistema de estadiamento de Ann Arbor foi criado inicialmente para o linfoma de Hodgkin, alguns defeitos podem ser identificados para o estadiamento do linfoma não Hodgkin. Isso porque, em comparação com o linfoma de Hodgkin, em que o

Mariana Mendonça de Sá

4 minhá 3 dias

A nova rotina: o uso de máscaras durante a pandemia da COVID-19 | Colunistas

Introdução Devido à pandemia da COVID-19, o uso da máscara de proteção se tornou rotina em 2020. Apesar disso, no começo, o uso de máscaras pela população em geral não era recomendado, pois era afirmado que haveria uma diminuição do número de máscaras para os profissionais de saúde, podendo acarretar em um custo desnecessário. Além disso, as pessoas poderiam deixar de higienizar as mãos por estarem usando a máscara. Entretanto, depois de inúmeros fatores, como estudos mostrando que pessoas assintomáticas também podiam transmitir o vírus e que a COVID-19 tinha uma alta taxa de transmissão, a OMS passou a recomendar o uso da máscara, já que o benefício era maior que o risco. Por isso, resolvi escrever sobre o uso da máscara durante a pandemia da COVID-19. Quais são os tipos de máscaras disponíveis? Atualmente existem vários tipos de máscaras no mercado, mas cada uma tem sua própria característica, algumas conferindo maior segurança e outras menor. A seguir, listei 3 máscaras que estão sendo utilizadas durante a pandemia do novo coronavírus. Máscara N95 com/sem válvula A máscara N95 é aquela que está sendo utilizada pelos profissionais de saúde. Atualmente ela é a máscara que mais protege a pessoa contra gotículas, sendo que, em um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Duke, foi demonstrado que menos de 0,1% das gotículas conseguiam ser transmitidas. Algumas máscaras N95 têm uma válvula acoplada, que serve para ajudar na respiração. Porém vale ressaltar que a máscara N95 com a válvula diminui sua eficácia, aumentando a chance da transmissão de gotículas do usuário da máscara para as pessoas ao seu redor, mas o reverso não se aplica. Portanto, as pessoas que utilizam a

Pedro H Nakada

4 minhá 3 dias

Uso Medicinal do Canabidiol | Colunistas

1. Introdução O canabidiol (CBD) é um componente não psicotrópico derivado do Cannabis sativa L., que possui alto potencial terapêutico e vem fornecendo diversos benefícios e alívio de sintomas aos pacientes ao longo dos séculos. Os primeiros registros do uso do cannabis para fins medicinais apontam para o Império Chinês nos anos 3.000 a.C., que o utilizava para o tratamento de dores reumáticas, tuberculose, malária, e outras doenças. Dessa maneira, a substância ganhou notoriedade e teve seu uso medicinal expandido pela Ásia, Europa, Oriente Médio e África, sendo prescrito por médicos como intervenção para diversas enfermidades, como inflamações, dores articulares, neuropáticas, insônia, ansiedade, epilepsia e até desordens mentais. Houve um ressurgimento do interesse nos compostos e diversos estudos contemporâneos vêm apresentando resultados clínicos relevantes quanto ao uso do canabidiol (CBD) na medicina, especialmente no tratamento de patologias como epilepsia, doença de Parkinson, autismo, doenças inflamatórias e esclerose múltipla. No entanto, apesar das evidências científicas de que o composto possui grande potencial terapêutico, em diversos países, incluindo o Brasil, o uso clínico dos medicamentos que atuam no sistema canabinoide ainda se mantém controverso, e os pacientes têm dificuldades para acessar os tratamentos com a substância. 2. Mecanismo de ação O cannabis possui diversas substâncias na sua composição, entre eles os canabinoides, que atuam no nosso cérebro. Entre os canabinoides exógenos extraídos da cannabis, destacam-se o canabidiol (CBD), que não possui efeitos psicoativos – não atuam sobre a atividade psíquica ou comportamental – e o Delta-9-Tetrahidrocanabinol (Δ⁹-THC), que possui efeitos psicoativos, ambos atuando em receptores do nosso organismo. Já os canabinoides endógenos são produzidos no neurônio a partir do ácido araquidônico, destacando-se o 2-araquidonoil glicerol (2-AG) e N-araquidonoil

João Pedro Franco

5 minhá 3 dias
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