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Tecido nervoso: componentes | Colunistas

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Rodrigo R. R. Teixeira

6 min há 13 dias

O tecido nervoso é constituído essencialmente por dois componentes: neurônios e células da glia. Juntos, dão vida ao sistema nervoso, um dos mais fascinantes sistemas, responsável por integrar os meios interno e externo do corpo humano. É graças a este sistema que você consegue, por exemplo, ler e entender este texto. Impressionante, não é mesmo!?

Neurônios

Fonte: http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/01/estrutura-neuronio.jpg

Acredita-se que o corpo humano possua cerca de 86 bilhões de neurônios. Com formas e funções variadas, estas células conseguem receber, transmitir e processar os mais diversos estímulos, tal qual o aroma de uma flor ou a fadiga de um músculo em exercício.

Um neurônio, ou célula nervosa, é composto histologicamente por corpo celular, axônio e dendritos.

O corpo celular, ou pericário, é o centro metabólico da célula. É nele que ocorre a maior parte das reações celulares, pois contém as organelas e o núcleo da célula.  Do corpo celular partem dois prolongamentos: os dendritos e o axônio.

Os dendritos são numerosos e curtos prolongamentos citoplasmáticos que recebem o impulso nervoso de outras células nervosas. Assemelham-se aos galhos de uma árvore e, por isso, o conjunto de dendritos é denominado árvore dendrítica. Conforme se afasta do corpo celular, o diâmetro dendrítico diminui, formando espinhas ou gêmulas. Estas pequenas estruturas possuem alta plasticidade morfológica e são o primeiro local de recepção do impulso nervoso.   

O axônio, por sua vez, é um prolongamento citoplasmático que tem por função fundamental conduzir o impulso nervoso gerado no corpo celular até outras células. Este transporte é denominado anterógrado. Por outro lado, o transporte retrógrado é aquele em que o axônio conduz proteínas e outras substâncias da periferia para o corpo celular. Ao contrário dos dendritos, o axônio mantém seu diâmetro constante ao longo de todo seu percurso. Alguns axônios são recobertos por mielina, uma proteína produzida por células da glia, responsável por proteger o axônio e tornar a condução do impulso nervoso mais veloz, o que é denominado impulso do tipo saltatório. Quando acometida essa proteína, instala-se uma doença desmielinizante, tendo como o exemplo mais conhecido a esclerose múltipla.

Os neurônios podem ser classificados do ponto de vista funcional e morfológico.

Morfologicamente, observa-se a quantidade de prolongamentos e, assim, classifica-se os neurônios em: pseudounipolar, bipolar ou multipolar. Os neurônios pseudounipolares são aqueles que têm apenas um prolongamento saindo do corpo celular, porém logo em seguida este prolongamento se bifurca. Os bipolares são aqueles que possuem dois prolongamentos, enquanto os multipolares possuem mais de dois prolongamentos citoplasmáticos.

Funcionalmente, os neurônios são classificados em: motores, sensoriais ou interneurônios. Os motores realizam sinapse com células efetoras, tal qual fibras musculares e glândulas. Os neurônios sensoriais são responsáveis por captar estímulos do meio externo e também do próprio organismo. Por último, os interneurônios realizam a comunicação entre outros neurônios, formando circuitos neuronais.

Células da Glia

https://static.biologianet.com/conteudo/images/as-celulas-glia-apresentam-diversos-tipos-celulares-exercendo-as-mais-diversas-funcoes-586ba89d38eea.jpg

As células da glia, ou neuroglia, são muito mais numerosas que os neurônios, sendo responsáveis por auxiliar e complementar as funções dos neurônios, além de realizar outras atividades importantes. Estima-se que haja 10 células da glia para cada neurônio. As células da glia são divididas em microglia e macroglia, sendo esta última subdividida em 4 tipos celulares: astrócitos, células de Schwann, células ependimárias e oligodendrócitos.           

Astrócitos

Quando vistos em um microscópio, os astrócitos se assemelham a estrelas, devido às irradiações citoplasmáticas, o que explica sua denominação. São as células mais numerosas do sistema nervoso central (SNC), possuindo vários subtipos. Dentre estes subtipos, destacam-se os astrócitos fibrosos e os protoplasmáticos, estando localizados um na substância branca e o outro na cinzenta, respectivamente.

Quanto às funções dos astrócitos, convém ressaltar que estas células participam de várias funções pertinentes à homeostase do SNC. Nesse sentido, evidencia-se sobretudo sua contribuição para a formação da barreira hematoencefálica, bem como para a manutenção dos níveis iônicos no meio extracelular.

Oligodendrócitos e células de Schwann

As células de Schwann e os oligodendrócitos são responsáveis por produzir a bainha de mielina, uma proteína que, como adiantado anteriormente, recobre porções de alguns axônios e, dessa forma, aumenta a velocidade da condução do impulso nervoso. A diferença básica entre essas duas células é a localização delas; isto é, os oligodendrócitos estão situados no sistema nervoso central, já as células de Schwann situam-se no sistema nervoso periférico. Além disso, é importante salientar uma diferença morfológica e funcional entre elas: as células de Schwann conseguem recobrir apenas um segmento de um axônio por vez, enquanto os oligodendrócitos conseguem abranger mais de um axônio simultaneamente com seus prolongamentos. 

Células ependimárias

Os ependimócitos são células epiteliais colunares ou cúbicas que revestem os ventrículos e o canal central da medula. Assim sendo, são fundamentais para a movimentação do líquido cerebrospinal, ou líquor, por todo o SNC.

Micróglia

As células da microglia são pequenas e possuem prolongamentos curtos e irregulares. Estão envolvidas no sistema de defesa imunológica do SNC. São ativadas sempre que ocorre algum dano ao SNC, seja por infecção, lesão ou doença neurodegenerativa. Quando ativadas, as células da microglia se proliferam e realizam a fagocitose do agente causador do dano.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

Tecido nervoso. In: JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. Cap. 9. p. 151-169.

GOMES, Flávia Carvalho Alcantara; TORTELLI, Vanessa Pereira; DINIZ, Luan. Glia: dos velhos conceitos às novas funções de hoje e as que ainda virão. Estudos Avançados, [S.L.], v. 27, n. 77, p. 61-84, 2013. FapUNIFESP (SciELO). Disponível em: . Epub 11 Abr 2013. ISSN 1806-9592. https://doi.org/10.1590/S0103-40142013000100006.

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