Anatomia de órgãos e sistemas

“Técnica de Lichtenstein: padrão-ouro para o tratamento das hérnias inguinais” | Colunistas

“Técnica de Lichtenstein: padrão-ouro para o tratamento das hérnias inguinais” | Colunistas

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Luiza Rabello Cardoso

4 min há 236 dias

As hérnias da parede abdominal são afecções muito comuns na rotina da cirurgia geral. De acordo com dados do DataSus, foram realizadas 287,5 mil cirurgias de hérnia no Brasil no ano de 2019. Diante desse cenário é de extrema importância fomentar a realização de hernioplastias pelo método mais adequado e eficaz para cada tipo de hérnia. Para tratamento de hérnias inguinais, o “padrão-ouro” é a hernioplastia à Lichtenstein.

Por que essa técnica é considerada “padrão-ouro”?

Após ser criada, a técnica de Lichtenstein rapidamente atingiu o “padrão-ouro” no tratamento das hérnias inguinais pois é eficiente, amplamente aplicável, possui uma curva de aprendizado pequena (ou seja, é de fácil ensino para jovens cirurgiões e altamente reprodutível), baixa taxa de complicações e recidivas, não possui custos elevados e pode até ser realizada sob anestesia local em sistema ambulatorial. A aplicação majoritária dessa técnica tem sido responsável por resultados tardios excelentes, tornando a ocorrência de recidivas algo muito improvável, ocorrendo apenas em aproximadamente 1% dos casos.

Quais são os objetivos dessa técnica?

Os objetivos principais ao utilizar a técnica de Lichtenstein são, a partir da implantação de uma tela, diminuir a tensão na linha de sutura que causava inúmeros casos de recidivas no passado (quando eram mais utilizadas técnicas convencionais como as de Bassini, McVay e Shouldice, que são reparos feitos utilizando os próprios tecidos do paciente) e induzir a fibroplasia sobre a matriz da malha, o que vai reforçar a parede abdominal.

Quais são as etapas do procedimento?

 Após realizar a inguinotomia, a dissecção por planos, a abertura da aponeurose do músculo oblíquo externo, a dissecção do cordão inguinal, a identificação do saco herniário, sua dissecção e redução, é iniciada a etapa que visa diminuir a tensão. Para alcançar esse objetivo é implantada uma tela sintética, que geralmente é inabsorvível e de polipropileno ou mista (parte absorvível) e preferencialmente macroporosa, para proteger ou reforçar o canal. A tela é cortada em suas bordas para se adequar ao tamanho da cavidade e é feita também uma abertura medial para propiciar a passagem do cordão inguinal. Ela é fixada por meio de suturas contínuas no tecido aponeurótico que recobre o tubérculo púbico e no ligamento inguinal e por suturas descontínuas no espessamento conjunto. Em seguida, suas extremidades que ainda estão afastadas são aproximadas e suturadas, formando o novo anel.

Vale a pena salientar que é de extrema importância, durante o procedimento, identificar todos os elementos do cordão inguinal e adequar o tamanho do novo anel formado para que não ocorra nenhum tipo de comprometimento nervoso, vascular ou de algum outro elemento caso fique muito estreito, ou que possa comprometer o intuito da utilização da tela como meio de evitar recidivas se a abertura ficar muito grande. O ideal é que seja de aproximadamente uma polpa digital.

É muito importante, portanto, difundir o conhecimento sobre a técnica de Lichtenstein, assim como qualquer conduta considerada como padrão-ouro. As hérnias da parede abdominal, afecções muito comuns no dia a dia da cirurgia geral, precisam ser tratadas da melhor forma possível.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS:

  1. Sabiston tratado de cirurgia / Courtney M. Townsend, Jr. … [ et al. ] ; [ tradução Alexandre Maceri Midão … et al. ] . – Rio de Janeiro : Elsevier, 2015.
  2. Peres, Marco Antonio de Oliveira, Nieri, Tâmara Maria, Barcelos Neto, Heitor Sebastião de, & Andreollo, Nelson Adami. (2007). A técnica de Lichtenstein nas hérnias inguinais primárias e recidivadas –  cirurgia ambulatorial  em hospital universitário. ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo), 20(4), 221-224.
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