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Toxoplasma Gondii: o que é e Ciclo Biológico

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Toxoplasma Gondii é um protozoário de distribuição geográfica mundial, com alta prevalência sorológica, podendo atingir mais de 80% da população em determinados países. No entanto, os casos de doença com manifestação clínica são menos frequentes.

Nestes, a forma mais grave é encontrada em crianças recém-nascidas, sendo caracterizada por lesões necróticas e inflamatórias que podem levar a sequelas neurológicas geralmente associadas a encefalite, coriorretinite e hidrocefalia, com altas taxas de morbidade e mortalidade.

A toxoplasmose apresenta quadro grave de evolução em indivíduos com o sistema imune comprometido causando encefalite, retinite ou doença sistêmica. Entre o grupo de risco incluem-se os receptores de órgãos, indivíduos em tratamento quimioterápico e aqueles infectados com HIV.

A toxoplasmose é uma zoonose e a infecção é muito frequente em várias espécies de animais: mamíferos (principalmente carneiro, cabra e porco) e aves. O gato e outros felinos são os hospedeiros definitivos ou completos e o ser humano e os outros animais são os hospedeiros intermediários ou incompletos.

Definição de Toxoplasma Gondii

Toxoplasma gondii é parasito intracelular obrigatório, do filo Apicomplexa e classe Sporozoea (= Sporozoa), sendo, portanto, um esporozoário e, morfologicamente, muito próximo dos coccídeos e plasmódios. Nas classificações modernas pertence a família Sarcocystidae.

VOCÊ SABIA?Toxoplasma Gondii foi descoberto em 1908, quase ao mesmo tempo e independentemente por Splendore, em coelhos, no Brasil, e logo depois por Nicolle & Manceaux no gondi, um roedor do norte da África.

Ciclo Biológico do Toxoplasma Gondii

O ciclo biológico do T. gondii desenvolve-se em duas fases distintas:

  • Fase assexuada: em vários tecidos de diversos hospedeiros (aves, mamíferos, inclusive gatos e outros felídeos).
  • Fase sexuada (ou coccidiana): nas células do epitélio intestinal de gatos e outros felinos não imunes.

SE LIGA! Toxoplasma Gondii apresenta um ciclo heteroxeno, no qual os gatos são considerados hospedeiros definitivos ou completos por possuírem simultaneamente um ciclo sexuado, em células epiteliais do intestino, e um ciclo assexuado ocorrendo em outros tecidos. O homem e outros mamíferos, juntamente com as aves, são considerados os hospedeiros intermediários ou incompletos, pois possuem apenas o ciclo assexuado.

Fase assexuada

Um hospedeiro suscetível (homem, por exemplo), adquire o parasito e desenvolve a fase assexuada após ingerir oocistos maduros (esporulados) contendo esporozoítos encontrados em alimentos ou água contaminada, cistos contendo bradizoítos encontrados na carne crua ou, mais raramente, taquizoítos eliminados no leite.

Os taquizoítos que chegam ao estômago são, na sua maior parte, destruídos pelo suco gástrico, mas os que penetrarem na mucosa oral poderão evoluir do mesmo modo que os bradizoítos e esporozoítos, como se segue.

Cada esporozoíto ou bradizoíto (após diferenciação para taquizoíto) sofrerá intensa multiplicação intracelular, após rápida passagem pelo epitélio intestinal, e invadirá vários tipos de células do organismo formando um vacúolo parasitóforo onde sofrerão divisões sucessivas por endodiogenia, formando novos taquizoítos (fase proliferativa) que irão romper a célula parasitada (ou evadir destas células), liberando novos taquizoítos que invadirão novas células.

A disseminação do parasito no organismo ocorre através de taquizoítos livres (ou intracelulares) na linfa ou no sangue circulante. Os taquizoítos também podem ser chamados de trofozoítos.

Imagem da Representação esquemática da reprodução de Toxoplasma gondii por endodiogenia.

Imagem: Representação esquemática da reprodução de Toxoplasma gondii por endodiogenia. A. Um trofozoíta antes do processo. B. No citoplasma, formam-se inicialmente dois conóides filhos e o núcleo assume aspecto recurvado, em U, dirigindo-se cada ponta para um dos conóides. C. Completa-se em seguida a divisão do núcleo e a individualização estrutural dos trofozoítas filhos, pelo crescimento da membrana em direção posterior. D e E. Os dois novos trofozoítas separam-se, abandonando os restos da célula mãe que vai degenerar. Fonte: Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais, 2018

Essa fase inicial da infecção – fase proliferativa – caracteriza a fase aguda da doença. Com o aparecimento da imunidade, os taquizoítos são eliminados do sangue, da linfa e dos órgãos viscerais, ocorrendo uma diminuição de parasitismo. Alguns parasitos diferenciam em bradizoítos para a formação de cistos.

Esta fase cística, juntamente com a diminuição da sintomatologia, caracteriza a fase crônica, que poderá permanecer por longo período. Alternativamente, em indivíduos imunodeficientes, poderá haver uma reativação desta infecção, que ocorre por mecanismos ainda não inteiramente esclarecidos e apresenta sintomatologia semelhante com a primoinfecção.

Fase sexuada

O ciclo sexuado ocorre somente nas células epiteliais do intestino delgado de gatos e outros felídeos não imunes. Durante o desenvolvimento desse ciclo ocorre uma fase reprodutiva prévia por merogonia (esquizogonia) seguida por outra sexuada (gametogonia) do parasito.

SE LIGA! Um gato não imune, infectando-se oralmente com oocistos, cistos ou taquizoítos, desenvolverá o ciclo sexuado.

Após a infecção, gatos não imunes podem eliminar oocistos durante 2 semanas, aproximadamente. O oocisto, em condições de umidade, temperatura e local sombreado favorável, é capaz de se manter infectante por cerca de 12 a 18 meses.

Após a ingestão de cistos, oocistos ou taquizoítos, os parasitos liberados no estômago penetram nas células do epitélio intestinal do gato e sofrerão um processo de multiplicação por merogonia, dando origem a vários merozoítos. O conjunto desses merozoítos formados dentro do vacúolo parasitóforo da célula é denominado meronte ou esquizonte maduro.

O rompimento da célula parasitada libera os merozoítos que penetrarão em novas células epiteliais e se transformarão nas formas sexuadas masculinas ou femininas: as gamontes, que após um processo de maturação formarão os gametas masculinos móveis – microgametas (com dois flagelos) e femininos imóveis – macrogametas.

O macrogameta permanecerá dentro de uma célula epitelial, enquanto os microgametas móveis sairão de sua célula e irão fecundar o macrogameta, formando o zigoto. Este evoluirá dentro do epitélio, formando uma parede externa dupla, dando origem ao oocisto.

A célula epitelial sofrerá rompimento em alguns dias, liberando o oocisto ainda imaturo. Esta forma alcançará o meio ambiente juntamente com as fezes. A sua maturação no meio exterior ocorrerá por um processo denominado esporogonia, após um período de cerca de 1 a 5 dias (dependendo da temperatura e da aeração), e apresentará dois esporocistos, cada um contendo quatro esporozoítos.

O tempo decorrido entre a infecção e o aparecimento de oocistos nas fezes dos felídeos (período pré-patente) dependerá da forma ingerida. Este período será de 3 dias, quando a infecção ocorrer por cistos, 19 dias ou mais por taquizoítos e 20 ou mais dias por oocistos. Em geral, gatos que já eliminaram oocistos tomam-se imunes e não eliminam novos oocistos, mesmo que reinfectados. Entretanto, a imunossupressão induzida por altas doses de corticosteroides podem induzir novas eliminações de oocistos.

SE LIGA! Os gatos infectam-se ainda quando filhotes e adquirem imunidade contra novas infecções, por isso, geralmente eliminam oocistos durante um curto período de tempo, uma única vez em suas vidas.

Toxoplasma Gondii: morfologia

T. gondii pode ser encontrado em vários tecidos, células (exceto hemácias) e líquidos orgânicos. Nos felídeos não imunes recém-infectados podem ser encontrados os estágios do ciclo sexuado nas células do epitélio intestinal, formas evolutivas do ciclo assexuado em outros locais do hospedeiro e também formas de resistência no meio exterior junto com as fezes desses animais, após completar a fase intestinal.

Assim sendo, o parasito apresenta uma morfologia múltipla, dependendo do hábitat e do estágio evolutivo.

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