Cirurgia do trauma

Trauma torácico – um breve resumo | Colunistas

Trauma torácico – um breve resumo | Colunistas

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Roney Oliveira

4 minhá 211 dias

Definição e Epidemiologia

Trauma torácico é uma causa importante de morte. Muitos desses doentes morrem após chegarem ao hospital e, dessas mortes, muitas poderiam ser evitadas através de medidas diagnósticas e terapêuticas imediatas.

Menos de 10 % dos traumatismos fechados do tórax e somente 15 a 30 % das lesões penetrantes necessitam de tratamento cirúrgico (toracoscopia ou toracotomia).

 

Fisiopatologia       

As lesões torácicas, podem levar risco de óbito eminente para as vítimas, como: pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço e tórax instável.

Pneumotórax hipertensivo

Ocorre quando há entrada de ar maciça entre o espaço pleural, devido a traumas na parede torácica, evolução de um pneumotórax simples ou traumas que acometam o parênquima pulmonar.

O ar entra para a cavidade pleural sem possibilidade de sair, colapsando completamente o pulmão. O mediastino é deslocado para o lado oposto, diminuindo o retorno venoso e comprimindo o pulmão contralateral.

O choque decorrente dessa situação é consequente à acentuada diminuição do retorno venoso, determinando uma queda do débito cardíaco, e é denominado choque obstrutivo.

Hemotórax maciço

O hemotórax maciço resulta do rápido acúmulo de 1.500ml de sangue ou de um terço ou mais do volume de sangue do doente na cavidade torácica. Esse tipo de lesão é mais comum por lesões perfurantes em tórax, mas também podem ocorrer por lesões contusas.

A grande perda de sangue para o espaço entre as pleuras, pode levar a choque hipovolêmico do paciente.

Tórax Instável

O tórax instável (retalho costal móvel) ocorre quando um segmento da parede torácica não tem mais continuidade óssea com a caixa torácica. É decorrente de traumas que afetam a caixa torácica, fraturando dois ou mais arcos costais em diferentes lugares.

A presença de um segmento torácico instável resulta em grave prejuízo dos movimentos normais da parede torácica.

Quadro clínico

Pneumotórax hipertensivo: dor torácica, dispneia, desconforto respiratório, taquicardia, hipotensão, desvio de traqueia, ausência unilateral de murmúrio, distensão de veias do pescoço, cianose.

Tórax instável: movimento paradoxal, crepitação, dor torácica intensa.

Hemotórax maciço: dispneia, desconforto respiratório, hipotensão, veias do pescoço colabadas, desvio de traqueia, macicez a percussão torácica.

Diagnóstico

Pneumotórax hipertensivo: Diagnóstico clínico. Pela ausculta de murmúrios vesiculares, observação de desvio de traqueia, percussão pulmonar.

Tórax instável: Diagnóstico clínico (crepitação, dor, movimento paradoxal da caixa torácica) e em alguns casos necessita-se de uma radiografia de tórax.

Hemotórax maciço:  Diagnóstico clínico. Pela ausculta de murmúrios vesiculares, observação de desvio de traqueia, percussão pulmonar, sinais de choque hipovolêmico.

 Tratamento

Pneumotórax hipertensivo: Para alívio da compressão, pode-se realizar uma toracocentese de alívio, fazendo uma punção entre as linhas axilar anterior e média, no quinto espaço intercostal.

Mas o tratamento definitivo consiste na drenagem em selo d’água.

Hemotórax maciço: Drenagem torácica em selo d’água, reposição volêmica com cristaloides e se necessitar, transfusão de concentrado de hemácias. E em muitos casos necessita-se de uma toracotomia.

Tórax instável: Analgesia + Reposição volêmica + Oxigênio suplementar.

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