Cardiologia

Troponina positiva: Você sabe o que fazer?

Troponina positiva: Você sabe o que fazer?

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Sanar Pós Graduação

9 min há 283 dias

A troponina positiva é comumente relacionada à Síndrome coronariana, mas também pode estar elevada em outras condições agudas, bem como em doenças crônicas. 

Além disso, os níveis de troponina em pacientes com mal-estar crônico estão diretamente relacionados ao prognóstico. 

Paradoxalmente, as melhorias na sua sensibilidade significam que mais diagnósticos diferenciais devem ser considerados devido à especificidade diminuída, uma vez que a troponina agora é mais facilmente detectada em condições que não são a síndrome coronariana aguda.

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Caso clínico 1

HDA: Mulher de 81 anos internada por pneumonia bacteriana comunitária no D4 de antibioticoterapia venosa evoluindo satisfatoriamente em enfermaria e sem necessidade de O2 suplementar. O plantonista da noite solicitou troponina na rotina diária que foi positiva.

HPP: HAS, DM, Hipotireoidismo

Hábitos: NDN

Exame físico

Geral: BEG, coloração normal, eupneica

Ausculta e point of care pulmonar: Murmúrio vesicular normal. Linhas A em todos os campos.

Ausculta e point of care cardíaco: Ritmo regular em torno de 60bpm sem sopros. Point of care normal.

Sinais vitais: FC:60bpm PA:98x65mmHg SatO2:96% FR:12ipm T:34,8°C

O que deve ser feito agora, tendo resultado da troponina positiva?

A)Curvar a troponina

B)Iniciar aspirina e clopidogrel

C)Agendar um cateterismo

D)Nenhuma das alternativas

Comentário

Não tem indicação clínica de solicitação de troponina nesse caso. O valor da troponina influencia no diagnóstico e manejo do paciente.

Resposta: letra D)

TROPONINAS

  • A Troponina T se liga à tropomiosina
  • Troponina C se liga ao cálcio
  • Troponina I inibe a interação actina-miosina
  • Algumas sequências de aminoácidos das troponinas T e I só são encontradas no coração

Se as troponinas T e I só existem no coração, por que se diz que a especificidade delas é baixa?

As troponinas são liberadas quando há rompimento de fibras dos cardiomiócitos. Qualquer situação que haja sofrimento miocárdico, vai elevar a troponina. Ou seja, ela é específica do coração, mas não de doenças do coração. Por exemplo, no TEP, pode haver aumento de troponina.

O que eleva a troponina?

Dano direto às células cardíacas

Strain miocárdico (estresse da parede)

Redução da oferta ao miocárdio

Aumento da demanda do miocárdio

Dicas

  • Nunca passe o caso de alguém dizendo que “está com troponina positiva”
    • Positiva quanto?
    • Qual o valor de referência do kit?

Quanto mais alto o resultado da troponina, maior a sua especificidade.

Lembre-se: a troponina não é binária, mas sim contínua.

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Caso clínico 1 modificado

HDA: Mulher de 81 anos internada por pneumonia bacteriana comunitária no D4 de antibioticoterapia venosa evoluindo satisfatoriamente em enfermaria e sem necessidade de O2 suplementar. O plantonista da noite solicitou troponina na rotina diária que foi de 200ng/L (valor de referência até 110ng/L).

Questão

Se a sensibilidade da troponina ultrassensível é de 99% e a especificidade é de 88%, qual a chance de uma pessoa aleatória ter resultado falso positivo, com probabilidade pré-teste de 5%?

A)12%

B)1%

C)70%

D)7%

Comentário

Probabilidade de ser verdadeiramente positivo = 49,5/49,5+114= 30%

Falso = 100% – 30% = 70%

Resposta: letra C)

O que deve ser feito agora?

A) Curvar a troponina

B)Iniciar aspirina e clopidogrel

C)Agendar um cateterismo

D) Nenhuma das alternativas

Caso clínico 3 – “Doutor, meu peito está doendo bastante”

HDA: Homem de 64 anos dá entrada no PA por dor torácica intensa de início súbito quando estava em repouso assistindo ao “Torta na cara”. No táxi, a caminho do hospital, sua dor apenas piorou de intensidade. A dor se irradia para ambos os membros e é associada a sudorese.

HPP: HAS, Dislipidemia, pré-DM

Hábitos: Tabagismo ativo

Exame físico

Geral: BEG, coloração normal, eupneico

Sinais vitais: FC:72bpm PA:143x88mmHg FR:15ipm SatO2: 96% T:35,2°C

Ausculta e point of care pulmonar: Murmúrio vesicular normal. Linhas A em todos os campos.

Ausculta e point of care cardíaco: Ritmo regular em torno de 72bpm sem sopros. Point of care normal.

ECG

O que deve ser feito agora?

A) Alta hospitalar

B)Solicitar troponina de urgência

C)Testar melhora com anti-ácidos

D)Realizar ECGs seriados

Comentário

Como o paciente tem dor torácica contínua e ECG com equivalente isquêmico, o correto é realizar ECGs seriados, pois a troponina demora para obter o resultado.

Resposta: letra D)

ECG

  • ECG tem até 30% de falsos negativo (sem supra)
  • Onda T hiper-aguda é um dos possíveis achados
  • Dor refratária é a pista clínica

Caso Clínico 4- “Doutor, meu peito doeu bastante, mas agora passou”

HDA: Homem de 64 anos dá entrada no PA por dor retroesternal à direita que piorava à digitopressão. A dor durou 10 segundos e aconteceu quando assistia ao “Torta na cara”.

HPP: HAS, Dislipidemia, pré-DM

Hábitos: Tabagismo ativo

Exame físico e ECG sem alterações.

Qual a melhor conduta?

A)Cateterismo de urgência

B)Solicitar troponina de urgência

C)Solicitar endoscopia digestiva alta

D)Realizar ECGs seriados

Comentário

•A troponina tem alta sensibilidade, é ótima para descartar hipótese diagnóstica. Ela sendo negativa, pode dar alta ao paciente com mais segurança.

•A troponina ultrasensível já começa a se elevar no início do infarto.

Resposta: Letra B)

E os outros marcadores?

•Sofrem com baixa acurácia;

•Com as troponinas ultrassensíveis, não há mais cenário em que possam ser úteis;

Não devem ser solicitadas junto com a troponina ultrassensível.

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Referência

Park KC, Gaze DC, Collinson PO, Marber MS. Cardiac troponins: from myocardial infarction to chronic disease. Cardiovasc Res. 2017;113(14):1708-1718. doi:10.1093/cvr/cvx183

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