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Tudo o que você precisa saber sobre o nervo oculomotor | Colunistas

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Allison Diego Bezerra

6 min há 253 dias

1. Definição e trajeto

O nervo oculomotor constitui o III par de um agrupamento de doze nervos conhecido como os nervos cranianos. Esse grupo recebe esse nome porque emerge através dos acidentes anatômicos cranianos, como as fissuras e os forames e estão envolvidos por bainhas tubulares que são originadas das meninges cranianas.

O nervo oculomotor possui sua origem no mesencéfalo; a partir desse ponto, atravessa a dura-máter no sentido lateral ao diafragma da sela que atua como teto para a glândula hipófise, depois transpassa o teto e a parede lateral do seio cavernoso. Nesse ponto, o nervo oculomotor deixa a cavidade do crânio e entra na órbita por meio da fissura orbital superior. A partir dessa fissura, o nervo oculomotor se divide em dois segmentos: a divisão superior, que é responsável pela inervação dos músculos reto superior e levantador da pálpebra superior; e a divisão inferior, que inerva os músculos retos inferior e medial e o músculo oblíquo inferior.  

2. Funções  

            Como funções, o nervo oculomotor possui duas principais. A primeira corresponde à função motora somática, do grupo eferente somático geral, que equivale à condução de impulsos referentes a temperatura, dor, pressão, tato e propriocepção, inervando os seguintes músculos do bulbo do olho: músculos retos superior, medial e inferior e oblíquo inferior. A segunda função é motora visceral, do grupo parassimpático-eferente visceral geral, responsável pela condução de impulsos para o músculo liso, que inerva o músculo liso do esfíncter da pupila, responsável pela constrição da pupila, e o músculo ciliar, responsável pela acomodação visual.

            Existem dois núcleos oculomotores, um para cada função do nervo oculomotor. O núcleo motor somático está localizado no mesencéfalo e o núcleo motor visceral parassimpático se encontra no dorso dos dois terços rostrais do núcleo motor somático.

3. Complicações

            Para uma boa avaliação e identificação correta da complicação, é extremamente necessário que durante a avaliação semiológica neurológica, o médico conheça as condições normais das estruturas que sofrem inervação pelo nervo oculomotor. Na grande maioria dos casos, a pupila possui um formato circular, localizada no centro da estrutura ocular, medindo aproximadamente 2mm a 4mm de diâmetro. Dessa forma, ao examinar a pupila é necessário permanecer atento à forma (normalmente circular), localização (central) e ao tamanho, que abaixo de 2mm indica miose e acima de 4mm é sinal sugestivo de midríase. Outros fatores que também merecem atenção durante a avaliação neurológica é se existe igualdade entre as pupilas, ou seja, possuem o mesmo diâmetro e reagem igualmente à luz, no qual afirma-se que elas são isocoricas e a presença de irregularidades em seu delineamento, em que essa condição é chamada de discorria.

A principal complicação do nervo oculomotor corresponde a sua paralisia, que corresponde à um problema relativamente frequente na prática clínica do médico, podendo ser causada por quaisquer movimentos que causem dano ou dificultem a irrigação do nervo. Comumente, as paralisias desse nervo possuem duas origens principais: traumática e não-traumática.

A paralisia do nervo oculomotor por causa traumática, geralmente ocorre após algum tipo de traumatismo cranioencefálico (TCE), que na maioria dos casos, proporciona a formação de um hematoma extradural, que se encontra localizado na fossa temporal, provocando a compressão e posteriormente a paralisia desse nervo. Esse acometimento normalmente é manifestado clinicamente com midríase unilateral e déficit motor contralateral.

A paralisia por causa não-traumática regularmente pode ser associada a isquemia cerebral, aneurisma ou tumor intracraniano. A isquemia cerebral acontece principalmente em pacientes idosos, possuindo como principal causa a hipertensão arterial, arteriosclerose ou diabetes mellitus, no qual essas patologias são responsáveis pela obstrução ou diminuição do fluxo sanguíneo para o encéfalo, resultando na isquemia. O aneurisma cerebral é mais frequente em adultos e em jovens, acometendo principalmente a artéria comunicante posterior. Devido a proximidade anatômica entre a artéria comunicante posterior e o nervo oculomotor, quaisquer alterações que resultem na variação do tamanho dessa artéria, poderá resultar em compressão do nervo, gerando sua paralisia. Por sua vez, os tumores intracranianos raramente estão associados a paralisia completa do nervo, a extensão da paralisia vai depender de alguns fatores, como a natureza, local e taxa de crescimento do tumor. Tumores localizados especialmente próximo ao clivo do osso occipital, podem causar o estiramento ou imobilização do nervo, proporcionando maiores possibilidades de rompimento e de perda de condução.

As lesões que afetam o nervo oculomotor podem ser isoladas, ou seja, atingindo apenas esse nervo, ou complexa, no qual ocorre o acometimento de outros nervos cranianos. Contudo, de uma maneira geral, a paralisia do nervo oculomotor acomete a maioria dos músculos do olho, o músculo levantador da pálpebra superior e o músculo esfíncter da pupila. Ocorre queda da pálpebra, que não pode ser levantada com movimentos voluntários por causa da atividade sem oposição do músculo orbicular do olho. Outro movimento prejudicado são os que envolvem a pupila, na qual ocorre dilatação completa e ausência da sua reação, pois não ocorre oposição do músculo dilatador da pupila. Também ocorre movimento da pupila “para fora e para baixo” devido à ação sem oposição dos músculos reto, lateral e oblíquo superior. Geralmente, se o problema for resolvido de maneira eficiente, o prognóstico para recuperação de pacientes que sofreram algum tipo de paralisia do nervo oculomotor é bastante satisfatório, tendo em vista a boa capacidade de regeneração que esse nervo possui.

Autor: Allison Diego

Instagram: @allison_diego

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