Carreira em Medicina

Uso de GH em pacientes com baixa estatura idiopática | Colunistas

Uso de GH em pacientes com baixa estatura idiopática | Colunistas

Compartilhar
Imagem de perfil de Comunidade Sanar

1. Definição de baixa estatura idiopática

Uma definição largamente aceita considera “condição em que a altura do indivíduo está 2 ou mais DP abaixo da altura média para a idade, sexo e grupo populacional, sem evidências de doença sistêmica, hormonal, bem como alterações nutricionais e cromossômicas”. O retardo constitucional do crescimento e da puberdade e a baixa estatura familiar são considerados subcategorias da baixa estatura idiopática (DA SILVA BOGUSZEWSKI, 2016, v. 1, p. 301).

2. Hormônio de crescimento humano (GH)

Da Silva Boguszewski (2016) afirma:

O hormônio de crescimento humano (GH, do inglês growth hormone) é um peptídeo produzido em maior quantidade pela hipófise anterior, e sua secreção é pulsátil; os picos de maior amplitude são observados nas fases 3 e 4 do sono profundo. A secreção hipofisária é controlada por um mecanismo hipotalâmico, representado pelo hormônio liberador de GH (GHRH, do inglês growth hormone releasing hormone), que estimula a secreção de GH, e a somatostatina, que a inibe.A ação do GH se faz tanto de maneira direta, por ligação aos seus receptores na placa de crescimento, quanto de maneira indireta, por estímulo à produção hepática e tecidual do fator de crescimento insulina símile-1 (IGF-1, do inglês insuline-like growth factor-1). O GH além de promover o crescimento ósseo longitudinal, destacando-se sua ação lipolítica e influência sobre composição corporal, e seus múltiplos efeitos sobre o metabolismo dos carboidratos.

3. O uso do GH em pacientes com baixa estatura idiopática

O uso do rhGH (GH biossintético, produzido com tecnologia recombinante) para tratamento da baixa estatura idiopática foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) para crianças abaixo de -2,25 DP para idade e sexo, sem deficiências de GH, e velocidade de crescimento que não possibilite recuperação espontânea da altura; a indicação foi aprovada pelas autoridades de saúde brasileiras (DA SILVA BOGUSZEWSKI, 2016, v. 1, p. 301).

A dose de GH empregada em pacientes com baixa estatura idiopática é geralmente suprafisiológica, variando entre 0,15 e 0,20 UI/kg/dia (0,05 a 0,066 mg/kg/dia), (DA SILVA BOGUSZEWSKI, 2016, v. 1, p. 301).

Estudos demonstram o ganho médio de 7cm na estatura final, observado em pacientes com baixa estatura idiopática tratados com GH na dose de 0,15 UI/kg/dia (0,05 mg/kg/dia) (LONGUI, 2008).

O início precoce do tratamento com GH, bem como o uso de doses iniciais mais elevadas, parecem ser críticas na obtenção de resposta terapêutica mais adequada (LONGUI, 2008).

3.1 Segurança

O tratamento com GH recombinante humano é considerado seguro. No ano de 1985 iniciou-se a produção do GH biossintético, que teve seu uso aprovado por várias agências regulatórias em diversos países; sendo que no ano de 2003 ocorreu sua aprovação para uso no tratamento da baixa estatura idiopática (DA SILVA BOGUSZEWSKI, 2016, v. 1, p. 301).

3.2 Fatores determinante do tratamento

Os fatores determinantes incluem a idade cronológica ao início do GH (melhor quanto menor a idade cronológica), a dose do GH (melhor quanto maior a dose) e a severidade da baixa estatura em relação a estatura-alvo familial (melhor resposta quanto mais abaixo da estatura-alvo familial); fatores relevantes em especial no primeiro ano de tratamento. A resposta terapêutica em longo prazo é influenciada pelos mesmos fatores, adicionados da estatura alvo familial (melhor resposta quanto maior a estatura-alvo familial) (LONGUI, 2008).

Resultados menos promissores foram vistos em pacientes com baixa estatura idiopática em plena fase puberal, desse modo indica-se além do uso do GH, realizar também o bloqueio puberal com os Agonistas de Gonadotropina (GnRHa, do inglês gonadotropin releasing hormone agonist), especialmente os de depósito (LONGUI, 2008).

3.3 Tempo de tratamento

O fator limitante para a continuidade do uso de GH, inclui a velocidade de crescimento inferior a 2 cm/ano, valor presente em meninas com idade óssea superior a 14 anos ou meninos com idade óssea superior a 16 anos (LONGUI, 2008).

3.4 Efeitos adversos do tratamento

O ganho maior de estatura está também relacionado ao maior tempo de uso do GH, no entanto o prolongamento da terapia com GH acima do determinado deixa de ser benéfico e adiciona custos e riscos desnecessários, dentre eles o crescimento desproporcional das extremidades e risco de processo compressivo de nervos periféricos distais (LONGUI, 2008).

Dentre os efeitos adversos mais sérios, destacam-se a hipertensão intracraniana benigna, pancreatite ou desenvolvimento de tumores. Com isso, deve-se valorizar a presença de sintomas como a cefaléia refratária ao uso de analgésicos ou acompanhada de náuseas e/ou alterações visuais (LONGUI, 2008).

3.5 Controle do tratamento

Este deve ser realizado com base na velocidade de crescimento, de acordo ao estágio de atividade puberal. Outro fator importante refere-se à idade óssea, que avalia a responsividade ao tratamento, desse modo essa deve ser avaliada a cada 6 meses, com o objetivo de detectar avanço desproporcional que possa significar início puberal inadequadamente precoce. (LONGUI, 2008)

O ganho estatural satisfatório é maior quando iniciado nas fases precoces do desenvolvimento puberal, adicionando ganho médio de 4 a 5 cm na estatura final (LONGUI, 2008).

3.6 Custos do tratamento

A prescrição deve ser realizada em receita de controle especial em duas vias, devido a substância estar na classe C5 – Substâncias anabolizantes (BRASIL, 2010).

O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com a portaria nº 110, publicada em 10 de março de 2010 (BRASIL, 2010).

Autora: Nathália Rodrigues Aura, Estudante de Medicina

Instagram: @nahaura