Anatomia de órgãos e sistemas

Vasos sanguíneos – fiéis guias aos viajantes | Colunistas

Vasos sanguíneos – fiéis guias aos viajantes | Colunistas

Compartilhar

Giovanna Bertolino Vieira

10 minhá 48 dias

Você está precisando saber um pouco mais sobre essas incríveis “estradas” e como elas permitem que os nutrientes “viajem” de um lugar a outro de seu corpo e ainda respeitando as necessidades de cada local? Então está no lugar certo.

Aqui eu vou oferecer a você uma visão geral e objetiva sobre os vasos sanguíneos, das ínfimas células até as grandes e pressionadas artérias. Continue conosco!

Nível celular

 


Figura 1: Á esquerda
Figura 2: À direita
Fonte 1: https://anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/vasos-sanguineos.jpg Fonte 2: https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.infoescola.com%2Fbiologia%2Fcelula-endotelial%2F&psig=AOvVaw1L91i3V269dUuQQNDmYDGM&ust=1608746727641000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCKi9xNyW4u0CFQAAAAAdAAAAABAJ

Vasos sanguíneos são revestidos por células endoteliais, as quais possuem características essenciais para o crescimento e o reparo de tecidos, discutidas mais profundamente adiante. São elas:

  • Capacidade notável de ajustar quantidade e arranjo de células de acordo com as necessidades locais;
  • Controle da passagem de materiais (destaca-se aqui a diapedese, trânsito de glóbulos brancos dos vasos para as células);
  • Estímulo à formação de novos vasos e liberação de sinais para adição de tecido conectivo e conjuntivo a eles.

Vasculogênese e angiogênese

  • Vasculogênese: ocorre ainda na fase embrionária e trata-se da migração, proliferação e diferenciação de células endoteliais embrionárias, formando rudimentos de vasos sanguíneos.
  • Angiogênese: relacionada ao crescimento de vasos e reparo de tecidos, refere-se à proliferação e movimento das células endoteliais desses primeiros vasos, levando ao crescimento e à ramificação dos vasos por todo o corpo.

Tecidos que precisam de perfusão liberam fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), pelo seguinte mecanismo:

  • Primeiro, a carência de oxigênio nos tecidos leva a um aumento do nível de HIF1α (fator induzido por hipóxia α);
  • Depois, HIF1α estimula a transcrição de VEGF;
  • Assim, a proteína VEGF é secretada e difunde-se pelo tecido;
  • Então, VEGF estimula as células endoteliais a se proliferarem e a formarem brotos;
  • Após isso, células das extremidades dos brotos detectam o gradiente de VEGF e movem-se em direção à fronte dele;
  • Finalmente, há um aumento na concentração de oxigênio, diminuindo a síntese de HIF1α, levando ao fim da angiogênese.

Microcirculação (capilares)

Figura 3: Parede capilar – Fenda intercelular e cavéolas são importantes para o trânsito de substâncias. Fonte: Guyton, 2017

Fendas intercelulares

As fendas intercelulares são delgados canais curvados, os quais se encontram entre células endoteliais adjacentes e são interrompidos, periodicamente, por curtas cadeias de proteínas aderidas que mantêm as células endoteliais unidas. Entre eles, os líquidos podem passar livremente por difusão, o que torna possível a difusão de nutrientes presentes no sangue por entre os tecidos do corpo.

Representam cerca de 1/1000 da superfície total da parede, no entanto, é a velocidade e a intensidade da movimentação térmica das moléculas de água, de outros íons hidrossolúveis e dos pequenos solutos que permite que todas essas substâncias se difundam com facilidade entre o interior e o exterior dos capilares através dessas fendas.

Cavéolas

São vesículas plasmalêmicas formadas a partir de caveolinas (oligômero de proteínas) e associam-se ao colesterol e aos esfingolipídios. Desempenha papel de transcitose de macromoléculas através do interior das células endoteliais

Vasomotilidade

Fenômeno que consiste na contração intermitente das metarteríolas e dos esfíncteres pré-capilares e, às vezes, também das pequenas arteríolas, fazendo com que o fluxo nos capilares seja intermitente, e não contínuo.

Isso ocorre por meio do chamado controle agudo, que é realizado por meio de rápidas variações da vasodilatação ou da vasoconstrição local das arteríolas, metarteríolas e esfíncteres pré-capilares de maneira rápida, a fim de manter o fluxo sanguíneo tecidual apropriado para a necessidade local.

A título de completude, o controle a longo prazo é a variação lenta e controlada do fluxo e ocorre em dias, semanas e, até mesmo, meses. Ela ocorre por aumento ou diminuição do tamanho e da quantidade de vasos sanguíneos locais (fenômeno demonstrado no início do documento – angiogênese e VEGF).

As duas teorias das vasodilatação e vasoconstrição

Teoria das substâncias vasodilatadoras

Substâncias como o dióxido de carbono e a adenosina, as quais são liberadas pelo metabolismo, são vasodilatadoras. Com o aumento delas e a dilatação dos vasos, o aporte de nutrientes aumenta. Dessa forma, locais nos quais o metabolismo está muito expressivo recebem um grande fluxo sanguíneo.

Teoria da demanda de oxigênio

  • Já que a contração muscular exige oxigênio, a ausência de quantidades adequadas faz com que os vasos sanguíneos relaxem e, por consequência, dilatem.
  • Quando os tecidos utilizam muito oxigênio, em caso de metabolismo intenso, há menos oxigênio disponível para as células dos músculos lisos dos vasos sanguíneos locais, causando dilatação pelo mesmo mecanismo exposto anteriormente.

Veias

São os vasos mais distensíveis do sistema (todos os tipos de vasos são distensíveis) e armazenam grande quantidade de sangue para ser utilizado em qualquer outra parte da circulação, de acordo com a necessidade.

Devolvem o sangue para o coração e possuem tecido muscular menos espesso, como mostra a figura 1, o que confere maior distensibilidade a esse tipo de vaso e lhe permite receber grandes quantidades de sangue sem maior alteração na pressão. Isso também explica como é possível transfundir até meio litro de sangue, em poucos minutos, sem gerar grandes alterações na função circulatória do indivíduo.

Cálculo da distensibilidade vascular:

DV = ADV / (APxVO) 

DV = distensibilidade vascular

ADV = aumento de volume

AP = aumento de pressão

VO = volume inicial

Cálculo da complacência vascular ou capacitância:

Quantidade de sangue armazenada em determinada região para cada aumento da pressão em mmHg.

CV = AV / AP

ADV = aumento de volume

AP = aumento de pressão

Artérias

São vasos que conduzem o sangue do coração para as demais partes do corpo e, por funcionarem em pressões maiores, possuem parede muscular lisa mais espessa e resistente e menos distensível.

Além disso, o fluxo arterial de sangue é contínuo, pois a complacência e a distensibilidade desse sistema evita que hajam pulsos nos níveis mais periféricos da circulação (capilares), mantendo o fluxo tanto na sístole (contração do miocárdio), quanto na diástole (relaxamento).

Pulsação da Pressão Arterial

No adulto jovem saudável, a pressão sistólica deve estar em cerca de 120 mmHg e a diastólica em 80 mmHg. Sendo a diferença entre essas duas (40 mmHg) a chamada “pressão de pulso”.

Fatores que alteram a pressão de pulso (PP)

  • Débito sistólico cardíaco (DSC): quanto maior o débito sistólico, mais sangue precisará ser acomodado na árvore arterial a cada batimento, aumentando a diferença de pressão entre a sístole e a diástole. MAIOR DSC = MAIOR PP
  • Complacência do Sistema Arterial (CA): MENOR CA = MAIOR PP. Essa questão se agrava com o envelhecimento, pois as artérias ficam endurecidas pela arteriosclerose.
  • Com isso, ela acaba por ser determinada pela razão entre DSC e CA.
Figura 4: Pulsos de pressão na raiz da aorta.
Fonte: GUYTON; HALL, 2017

Arteriosclerose e arterosclerose

  • Arteriosclerose: deformidade no sistema arterial, por espessamento da parede e diminuição da elasticidade arterial.
  • Arterosclerose:placa de gordura que se acumula nas paredes das artérias, podendo levar a problemas clínicos, como infarto agudo do miocárdio.

Veias versus artérias

A diferença fundamental entre esses dois tipos de vasos é a direção do sangue que passa neles:

  • Artérias levam o sangue do coração para outras partes do corpo;
  • Veias levam o sangue de outras partes do corpo para o coração.

Como o sangue sai do coração com uma pressão consideravelmente grande, os vasos que recebem essa pressão precisam ser mais fortes e espessos, portanto:

  • Artérias possuem parede muscular mais espessa e rígida, sendo menos distensíveis;
  • Veias possuem parede mais fina -> são mais distensíveis e possuem maior complacência.

A complacência maior das veias torna o gráfico volume x pressão delas menos acentuado que o das artérias e também explica grandes aumentos de volume com pequenos aumentos de pressão em transfusões

Figura 5: Variações de pressão em decorrência de variação de volume nos dois vasos. Fonte: GUYTON; HALL, 2017

Conclusão

Os vasos sanguíneos são as estradas para que o sangue mantenha o corpo em equilíbrio, ou seja, possuindo os nutrientes necessários e descartando as toxinas e produtos não utilizáveis do metabolismo.

Há três tipos principais de vasos (capilares, veias e artérias), que possuem características específicas, as quais atendem às suas funções específicas, e todos eles são revestidos por células endoteliais, que possuem características essenciais à manutenção da homeostase (equilíbrio dos sistemas do corpo).

Ademais, o corpo possui mecanismos de controle hidrostáticos que mantêm a pressão arterial contínua e suportável, na medida do possível, e as veias não sofrem diferença de pressão tão significativa.

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Referências

ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 6 ed. Artmed Editora LTDA. 2017.

HALL, J. E.; GUYTON, A. C. Tratado de Fisiologia Médica. 13 ed. Elsevier Editora LTDA. 2017.

https://paineira.usp.br/aun/index.php/2017/06/28/pesquisadora-analisa-o-papel-de-algumas-celulas-e-enzimas-no-desenvolvimento-tumoral/#:~:text=Pericitos%20s%C3%A3o%20c%C3%A9lulas%20que%20revestem,que%20est%C3%A3o%20em%20seu%20microambiente.

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.