Clínica Médica

Você conhece a Doença de Crohn? | Colunistas

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Gabriela Gomes

6 min há 491 dias

Introdução

A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal crônica de origem não conhecida, caracterizada pelo acometimento focal, assimétrico e transmural de qualquer porção do tubo digestório, da boca ao ânus.

Os segmentos do tubo digestório mais acometidos são íleo, cólon e região perianal. Além das manifestações no sistema digestório, a Doença de Crohn pode ter manifestações extra-intestinais, sendo as mais comuns as oftalmológicas, as dermatológicas e as reumatológicas.

Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa

As duas doenças estão agrupadas na categoria de doenças inflamatórias intestinais (DII).

No entanto, diferentemente da Doença de Crohn, em que todas as camadas estão envolvidas e na qual pode haver segmentos do intestino saudável, normal, entre os segmentos de intestino doente, a Colite Ulcerativa afeta a camada mais superficial (mucosa) do cólon e reto, de modo contínuo.

Clínica

A apresentação clínica da Doença de Crohn é extremamente variável. Os sintomas mudam de acordo com a localização predominante das lesões e sua extensão, a presença ou não de manifestações sistêmicas e de complicações da doença.

Normalmente a DC causa diarreia, cólica abdominal, febre em alguns pacientes e sangramento retal. Também pode ocorrer perda de apetite e de peso.

No entanto, em alguns casos, o diagnóstico pode ser dificultado devido as manifestações que iniciam por sintomas extra-intestinais na boca, língua, esôfago, estômago e duodeno.

Os pacientes podem não apresentar sintomas após um ou dois episódios da doença ou pode existir recorrência dos episódios de diarreia, dor abdominal, febre ou sangramento.

Diarreia

 É a queixa mais comum nos pacientes, apresentam um maior número de evacuações diárias variando, normalmente, de 4 a 6 por dia. Em alguns casos, ela ocorre durante a noite.

Com a evolução da doença, os sintomas tornam-se mais severos apresentando diarreia líquida com perdas eletrolíticas, emagrecimento excessivo, anemia, mal-estar geral e fraqueza.

  • Diarreia alta: ocorre envolvimento da região ileocecal. As fezes apresentam-se líquidas ou parcialmente formadas, geralmente com esteatorréia e sem sangue visível.
  • Diarreia baixa: ocorre quando há envolvimento do cólon e reto. As evacuações são mais frequentes e há presença de sangue ou oculto. O sangramento maciço é incomum, mas algumas vezes pode ocorrer muco e pus.

Dor Abdominal

 A dor abdominal é considerada como o mais importante sintoma para o diagnóstico da DC, localizando-se no quadrante inferior direito.

É uma dor persistente e em cólica causada por uma inflamação aguda e irritação de fibras nervosas, resultando em espessamento submucoso das paredes do intestino, edemas, fibroses e úlceras.

Uma das queixas mais frequentes é a sensação de distensão abdominal piorada durante refeições e dor por obstrução do segmento lesado, sentida à volta do umbigo ou do lado direito, principalmente no período pós-prandial.

 Febre

Ocorre na maioria dos pacientes com DC. Devido às semelhanças dos sintomas como febre, dor, hipersensibilidade do quadrante inferior e, em alguns casos, diarreia, a Doença de Crohn  pode ser confundida com apendicite aguda ou uma perfuração intestinal aguda.

Perda de apetite e de peso

São sintomas comuns nos indivíduos afetados e podem se manifestar no início da doença. São causadas por má absorção, dor abdominal e diarreia. Esses três fatores podem interferir no desejo de se alimentar ou causar medo de piorar os sintomas da doença.

 Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no histórico do paciente e no exame clínico. Além disso, os pacientes são submetidos a exames laboratoriais, técnicas de imagem e coleta de tecido intestinal para exame microscópico.

  • Ultrassonografia: serve para avaliar as lesões intra-abdominais, abcessos e espessamento de alças.
  • Ressonância Magnética: é utilizada para avaliar as vísceras abdominais, massas intra-abdominais, espessamentos de paredes de alças intestinais e possíveis fístulas perianais.
  • Colonoscopia: serve para analisar detalhadamente todo o intestino grosso e eventualmente o final do intestino delgado. Ela permite coleta de biópsias e procedimentos terapêuticos.
  • Trânsito Intestinal: Analisa todo o intestino delgado e parte do intestino grosso, verificando se existe estreitamento ou dilatações.
  • Exames de sangue: servem para avaliar a atividade da doença, deficiência nutricional, infecção, anemia e outros.
  • Marcadores diagnósticos: ASCA (Pesquisa de anticorpos contra etitopos oligomanosídicos), são marcadores mais específicos para Doença de Chorn, mas são pouco sensíveis. Nem todos os portadores de Crohn são positivos para eles, mas quando o resultado dá positivo é muito provável que seja DC. ANCA (Pesquisa de anticorpos contra citoplasma de neutrófilos), é utilizado para definir retocolite ulcerativa. Quando a pessoa tem DC e o resultado do teste é positivo, significa que o comportamento da doença está parecida com o que ocorre na colite ulcerativa.

Tratamento

Exige habilidades clínicas e cirúrgicas em alguns casos. Como não há cura definitiva para a Doença de Crohn, os objetivos terapêuticos são reduzir a inflamação, controlar os sintomas, induzir e manter a remissão da doença e suas complicações, preferencialmente com o mínimo de efeitos colaterais possíveis e menor custo.

É definido segundo a localização da doença, o grau de atividade e as complicações. Além disso, as opções são individualizadas de acordo com a resposta sintomática e a tolerância ao tratamento.

O tratamento clínico é feito com aminossalicilatos, corticosteroides, anti-inflamatórios, antibióticos e imunossupressores com o objetivo de remissão clínica e melhoria da qualidade de vida.

Já o tratamento cirúrgico é necessário em alguns casos para tratar obstruções, complicações supurativas e doença refratária ao tratamento medicamentoso.

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