Infectologia

Você conhece a subvariante BA.2? | Colunistas

Você conhece a subvariante BA.2? | Colunistas

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Introdução

Após o surgimento da variante Ômicron, emerge a subvariante dela, a BA.2 nos EUA. Constata-se que ela é, aproximadamente, 30% a 50% mais contagiosa que a Ômicron e ela já foi dectada em 74 países e em 47 estados dos EUA. Outros países possuem uma maior experiência com a subvariante, como Bangladesh, Brunei, China, Dinamarca, Guam, Índia, Montenegro, Nepal, Paquistão e Filipinas. É importante ressaltar que as hospitalizações continuaram a atenuar em alguns locais onde ela apareceu, como no Reino Unido e África do Sul, porém na Dinamarca, a B.A 2 se tornou a principal causa de novas infecções, hospitalizações e mortes.

Resistência

Além disso, ressalta-se que a subvariante é resistente a alguns tratamentos como o Sotrovimab, o qual é um anticorpo monoclonal utilizado, isto é, anticorpos  para uma região específica do antígeno. Relata-se que a BA.2 pode se copiar nas células com maior velocidade do que a Ômicron, permitindo, assim, que o vírus consiga projetar aglomerados maiores de células com o escopo de fomentar mais cópias do vírus. Ainda, considera-se que a subvariante consegue romper anticorpos no sangue de pessoas que foram vacinadas contra Covid-19 e, também, resistir contra anticorpos de pessoas infectadas com Covid-19,  contudo pessoas infectadas por Ômicron apresentaram proteção contra a B.A 2.

Primeiros Registros 

Outrossim, um dos primeiros casos registrados da subvariante, no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, ocorreu no dia 04 de fevereiro de 2022. Dito isso, foram observados três casos da linhagem BA.2, um caso no Rio de Janeiro e dois em São Paulo. No Rio de Janeiro, detectado na capital, foi afirmado pela Secretaria de Estado de Saúde, mas não sabem se a pessoa  infectada esteve na Ásia ou na Europa, regiões características de aumento de casos relacionados à subvariante BA.2. Ainda, considera-se essa Subvariante como “silenciosa” devido à ausência do marcador genético, o qual os pesquisadores estavam usando para identificar, de forma mais ágil, se uma infecção era mais provável ser motivada pela Ômicron “regular” – BA.1- em vez da variante Delta.

Características da BA.2 

Um outro ponto interessante é sobre a diferenciação na hora do exame e a origem da BA.2.  De certo,  a infecção por BA.2 pode ser identificada pelo teste rápido ou PCR, porém eles não conseguem diferenciar a B.2 da Delta. Enquanto que a origem da Subvariante não tem, ainda, um local exato de origem, contudo foi identificada pela primeira vez em novembro no banco de dados das Filipinas. Em face disso, ela foi classificada como uma “variante sobinvestigação” pelas autoridades do Reuno Unido, ou seja, eles estão acompanhando a subvariante, mas não é considerável uma preocupação emergente.

A BA.2 é mais contagiosa?

Conforme um estudo realizado pelo Statens Serum Institut (SSI), órgão vinculado ao Ministério de Saúde dinamarquês, com 8,5 mil famílias e 18mil pessoas, descobriu-se que a Subvariante é mais transmissível do que a B.A 1- Ômicron.  É válido aditar que  a BA.2 foi mais eficaz em infectar pessoas vacinadas  e com uma terceira dose de reforço do que as variantes anteriores, embora as pessoas vacinadas tenham menos probabilidade de transmitir o vírus. Ressalta-se, ainda, que não há informações que a BA.2 cause uma forma mais grave da doença do que as subvariantes anteriores da Ômicron e é possível admitir que ela está infectando mais por causa do relaxamento das medidas de contenção da pandemia em vários países.

Considerações Genômicas

Reitera-se, de mediante  o estudo publicado no The New England Journal of  Medicine,a sublinhagem da BA.2 da variante Ômicron possui 16 substituições de aminoácidos do domínio de ligação ao receptor da proteína Spike (S), a qual é alvo primário da terapia baseada nos anticopos monoclonais. Dito isso, a subvariante BA.2 apresenta 4 substituições no domínio de ligação ao receptor, ou seja, os receptores S371F, T376A, D405N e R408S, confirmando, assim, possíveis diferenças na eficácia de anticorpos monoclonais contra as diferentes sublinhagens de Ômícrons.

Devido às particulares dessa variante, examinou-se a capacidade de neutralizantes específicos de anticorpos monoclonais terapêuticos, os quais foram aprovados pela Food and Drug Administration, separadamente e em combinação, contra a subvariante BA.2, que foi isolado de um viajante que chegou ao Japão vindo da Ìndia. Diante desse contexto, pondera-se que as suscetibilidades da BA.2 ao remdesivir, molnupiravir e nirmatrelvir foram parecidos com as da cepa ancestral, isto é, valores de concentração inibitória de 50% para esses três agentes.

Conclusão

Em face ao exposto, analise-se que as informações ainda são muito recentes, o que necessita-se de mais estudos e de pesquisas para possuir uma porcentagem maior de certeza sobre a transmissibilidade, as nuances entre sinais e sintomas dessa subvariante, as taxas de hospitalização e outros pontos importantes sobre ela. Concluí-se, por enquanto, é que a taxa de infecção é maior do que a BA.1, mesmo que a pessoa esteja com a terceira dose, porém, a taxa de trasmissão entre pessoas vacinadas descresce significativamente, o que é extremamente relevante para não ocorrer uma nova epidemia ou pandemia.

Autor: Vladmir Nascimento Aragão

Instagram: Vladmir Nascimento

Referências

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/subvariante-ba-2-pode-ser-mais-severa-que-a-omicron-indica-novo-estudo/

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60925191

https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2022/03/30/covid-o-que-e-a-omicron-silenciosa-a-subvariante-ba-2-que-ja-e-dominante-no-mundo.ghtml

https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2022/02/04/ministerio-da-saude-confirma-3-casos-da-linhagem-ba2-da-variante-omicron.ghtml

https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMc2201933?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed

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