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Você conhece as características da variante ômicron? | Colunistas

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Introdução

No final de novembro, na África do Sul, foi encontrada uma variante do coronavírus, que foi chamada de Ômicron. A Organização Mundial da Saúde ratificou que ela está se espalhando mais rápido na África do Sul e no Reino Unido, atestando que a Ômicron  supera , em termos de propagação, a variante Delta. Com isso, percebe-se um aumento de casos devido às novas infecções pela variante Ômicron.

Mutações

É importante ressaltar que essa variante possui um elevado número de mutações, o que pode sugerir que a Ômicron evoluiu em uma única pessoa com sistema imunológico enfraquecido na África Subsaariana. Alguns estudos afirmam que ela tem 50 mutações, sendo que 30 mutações são na proteína spike, isto é, uma parte do vírus que interage mais facilmente com a defesa do corpo humano. Outra hipótese de origem seria a origem animal, mas algumas análises genéticas descartaram tal opção.

Ademais, convém reiterar que Pesquisadores da USP  conseguiram isolar a  variante Ômicron do sars-cov-2. Esse feito foi realizado por uma reação de neutralização de efeito citopático, chamada de VNT, fruto de um aprimoramento durante a epidemia de zika vírus no Brasil. Nesse sentindo, ficará mais fácil de detectar a disseminação da variante e pesquisar a eficácia das vacinas usadas no País.

Vacinas

Em relação aos riscos de contaminação, em um estudo por pesquisadores da África do Sul confirma que as pessoas contaminadas pela Ômicron têm menos risco de hospitalização do que os pacientes infectados com SARS-CoV-2. No mesmo estudo, relata que a vacina da Pfizer possui eficácia de 33% contra essa nova variante, isso com duas doses recebidas. Essa pesquisa, realizada pela Discovery Health junto ao Conselho de Pesquisa da África do sul ponderou sobre 211 mil resultados positivos para coronavírus, sendo que 41% eram pessoas vacinadas com duas doses de imunizantes da Pfizer.  Na mesma pesquisa, as chances de hospitalização para pessoas contaminadas pela Ômicron é de 29% menor do que em pacientes infectados pelo vírus original. Entretanto,  a Ômicron possui um risco de reinfecção maior do que em variantes anteriores.

No início de dezembro de 2021, a própria farmacêutica Pfizer confirmou que a vacina, aplicada em 3 doses, consegue neutralizar a variante Ômicron do novo coronavírus, ou seja, um estudo conseguiu demonstrar que a terceira dose do imunizante eleva os títulos de anticorpos em 25 vezes em comparação a apenas duas doses. Em relação às duas doses, ocorre uma redução nos títulos de anticorpos contra a variante Ômicron, porém ainda é possível proteger da reação grave da doença. A defesa com 3 doses acontece, pois, segundo a Pfizer, a continuação da proteção é devido à proteína Spike ser reconhecida pelo sistema imunológico, sendo equivalente na presença de mutações da variante Ômicron.  Os indivíduos que receberam duas doses da vacina aparentam possuir uma redução de 25 vezes na quantidade de anticorpos de neutralização contra a variante.

Em outra situação de indução de anticorpos é a vacina da CoronaVac. De fato, a terceira dose da CoronaVac produz anticorpos que reconhecem a variante Ômicron. Esse fato foi realizado  por um pesquisador do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências a partir da análise de mais de 500 unidades de anticorpos neutralizantes. Constata-se que um terço dos anticorpos criados possuem afinidade de ligação com a proteína Spike, como a Ômicron, somente após a aplicação da terceira dose da CoronaVac.

Sintomas

No quadro situacional sintomático da Ômicron, pode-se reiterar o que alguns pacientes da África do Sul perceberam. Nesse ínterim, vale informar que algumas pessoas sentiram cansaço extremo, dores de cabeça e de garganta, porém não relataram perda de olfato ou de paladar. Uma parte substancial deles foi tratada em casa devido ao quadro leve de sintomas e , também, adiciona-se que  a metade dos pacientes não foram vacinados. A principal característica da Ômicron é a mialgia.

Ainda, é necessário relatar que ela é altamente transmissível, em torno de 2 ou 3 vezes mais infeccioso que a Delta, que já é elevadamente infecciosa. Em um estudo publicado no site Medrxiv, foram analisadas quase  3 milhões de pessoas infectadas com Covid-19., percebendo que  a probabilidade de reinfecção pela Ômicron é três vezes maior do que para as variantes delta ou beta.

Conclusão

Logo, percebe-se que é necessário mais pesquisas para conseguir descobrir mais nuances da variante Ômicron, visto que ela surgiu há pouco tempo. Com isso, salienta-se a essencialidade  da terceira dose das vacinas para ter uma maior quantidade de anticorpos para combater tal variante, por quanto somente duas doses ainda não são tão eficazes para combatê-la, mesmo sendo sintomas consideravelmente mais leves do que o Sars-Cov-2. Dessarte, faz-se premente um maior cuidado para não ocorrer uma nova onda, pois, como exposto acima, o grau de transmissibilidade dela é muito alto em comparação as outras variações já existentes.

Autor: Vladmir do Nascimento Aragão

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/variante-omicron-esta-se-espalhando-rapidamente-e-isso-e-alarmante/

https://www.bbc.com/portuguese/geral-59661887

https://jornal.usp.br/ciencias/pesquisadores-da-usp-isolam-variante-omicron-do-sars-cov-2/

https://www.nexojornal.com.br/extra/2021/12/13/Cientistas-isolam-%C3%B4micron-e-cepa-poder%C3%A1-ser-rastreada-no-pa%C3%ADs

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/pacientes-com-variante-omicron-tem-menos-risco-de-internacao-diz-estudo/

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/tres-doses-de-pfizer-neutralizam-nova-variante-da-covid-19-anuncia-a-farmaceutica/

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/o-que-se-sabe-sobre-o-impacto-da-variante-omicron-na-eficacia-das-vacinas/

https://butantan.gov.br/noticias/conheca-os-sintomas-mais-comuns-da-omicron-e-de-outras-variantes-da-covid-19

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59684775

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