Ciclo Clínico

Você conhece os métodos contraceptivos? | Colunistas

Você conhece os métodos contraceptivos? | Colunistas

Compartilhar

Suzana Vasconcelos

11 minhá 216 dias

Os métodos contraceptivos são utilizados com o intuito de impedir a gravidez. Em 1996, um projeto de lei que regulamenta o planejamento familiar foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela Presidência da República. O planeja­mento familiar corresponde ao recur­so que permite ao casal a decisão do número de filhos e intervalo entre as gestações que desejam, de manei­ra programada e consciente. Acre­dita-se que, no Brasil, cerca de 55% das gestações não são planejadas. Na atualidade, existe uma variedade de métodos contraceptivos disponíveis, possibilitando ao casal escolher o que mais atende as suas necessidades. A maioria desses mé­todos são oferecidos pelo Sistema Úni­co de Saúde (SUS), difundindo, assim, o emprego do planejamento familiar.

Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados em dois grupos:

  1. Os reversíveis, que são: comportamentais, de barreira, dispositivos intrauterinos, hormonais e os de emergências;
  2. Os definitivos, que são os cirúrgicos: esterilização cirúrgica feminina e esterilização cirúrgica masculina.

1.    Métodos anticoncepcional comportamentais

Busca verificar o período fértil através da observação de sinais e sintomas para que as relações sexuais sejam evitadas durante esse período. Esses métodos possuem alguns benefícios por serem bara­tos, naturais, sem efeitos adversos. Porém, possuem altas taxas de falhas, pois requerem lon­gos períodos de abstinência sexual e estão susceptíveis à irregularidade menstrual. Além disso, esses méto­dos não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O período fértil da mulher pode ser identificado por meio da observação da curva de temperatura corporal, das características do muco cervical e du­ração e fisiologia do ciclo menstrual.

Os princi­pais métodos comportamentais são tabelinha (método de Ogino-Knaus), temperatura basal, muco cervical (método de Billings), sintotérmico, coito interrompido e lactação.

A tabelinha ou método de Ogino-Knaus

Para ser usado, a mulher deve registrar o número de dias de cada ciclo menstrual começando pelo primeiro dia da menstruação. O ideal é observar esses ciclos por pelo menos seis meses. Esse método não pode ser usado em casos que a mulher tenha ciclos menstruais irregulares com diferença maior que 10 dias entre os ciclos. Para calcular o perío­do em que se deve adotar a abstinên­cia sexual, basta subtrair 18 da dura­ção do seu ciclo mais curto para saber o primeiro dia de seu período fértil e subtrair 11 dias do ciclo mais longo, que corresponde ao último dia de seu período fértil.

Por exemplo:

A paciente que teve o seu ciclo mais curto de 25 dias e o mais longo de 30 dias deverá ficar em abstinência sexual no 7° ao 19° dias do ciclo.

Imagem 1. Tabelinha

Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_r%C3%ADtmico#/media/Ficheiro:SDM circle3_pt.svg

No método da curva de temperatura basal

Neste método, avalia-se a temperatura corporal basal, buscando identificar o provável dia de ovulação. Isso ocorre porque, depois da ovulação, há um aumento da progeste­rona liberada pelo corpo lúteo, a qual atin­ge o centro termorregulador do hi­potálamo, levando ao aumento da temperatura corporal em 0,2 a 0,5 graus. A mulher precisa verificar sua tempe­ratura diariamente, de preferência com o mesmo termômetro, no mes­mo local do corpo e no mesmo ho­rário, de preferência pela manhã antes de sair da cama. O período de abstinência deve ser desde o pri­meiro dia do ciclo menstrual até três dias após a elevação da temperatu­ra basal.

O problema desse método é que necessita de grande disciplina da mulher, além de ter um longo pe­ríodo de abstinência. Outra questão que limita o seu uso é que nem to­das as pacientes possuem esse efeito termorregulador com a liberação da progesterona.

Método do muco cervical ou de Billings

Tem como objetivo analisar as características do muco cervical sob ação estrogênica, durante período ovulatório. Nesse período, o muco cer­vical torna-se filante, como clara de ovo, permitindo ao espermatozoide a sobrevivência e locomoção. Depois da ovulação, sob ação progesterona o muco fica espesso e escasso. Para o uso deste método, a mulher precisa observar as características do muco, examinando diariamente sua secre­ção. O período de abstinência vai do primeiro dia de percepção do muco até o quarto dia de percepção máxi­ma da umidade. Vale ressaltar que o sêmen e produtos vaginais, como lu­brificantes e pomadas, prejudicam a observação do muco.

Imagem 2. Muco cervical.

Disponível em: < https://biologiagrupod.wixsite.com/thesciencespot/single-post/2015/11/10/M%C3%A9todo-do-muco-M%C3%A9todo-de-Billings

Método sintotérmico

Combina o método da temperatura basal com o método do muco cervical, associado a sinais e sintomas que podem ocor­rer durante a ovulação, como sensibi­lidade mamária, dor pélvica e mudan­ças de humor. Nesse caso, o período de abstinência sexual vai desde o primeiro dia do ciclo até o quarto dia após o pico das secreções cervicais ou o terceiro dia após a elevação da temperatura. Sendo que, na ocorrên­cia do primeiro fator, deve-se usar o se­gundo para ter relação sexual.

Coito interrompido

Ocorre com a retirada do pênis da vagina antes da ejaculação. Para isso, requer grande atenção do homem durante o ato sexual. Além disso, apesar de incomum, o fluido seminal que precede a ejaculação pode conter espermatozoides, causando uma possível gestação indeseja­da. Logo, esse método possui altas taxas de falhas, cerca de 25% ao ano.

Lactação

Durante o aleitamento materno ocor­re alterações hormonais no eixo hi­potálamo-hipófise-ovário, levando à anovulação. Esse método, além de não ter custos, promove inúmeros benefícios para a mulher e para o bebê. Esse método não tem contraindicações, desde que a ama­mentação seja exclusiva. Porém, algumas mulheres ovu­lam em torno do terceiro mês de pós­-parto, mesmo amamentando. Isso pode levar ao risco de gravidez não planejada.

Imagem 3. Lactação

Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/beneficios-do-aleitamento-materno-na-prevencao-ao-cancer-foram-discutidos-em-congresso-de-pediatria-de-pernambuco/

2.     Contracepção hormonal

Os contraceptivos hormonais são métodos extremamente difundidos e eficazes. No entanto, na prática, seu índice de falhas aumenta considera­velmente decorrente do uso incorreto, chegando a taxas de gravidez no pri­meiro ano de uso entre 3 e 9 por 100 usuárias. Dentre esses contracepti­vos, os mais conhecidos são: contra­ceptivos orais combinados, contraceptivos contendo apenas pro­gestogênio e contraceptivos com estrogênios e/ou progestogênios de uso sistêmico por injeção, adesivo transdérmico ou anel intravaginal.

 3.     Métodos de barreira

São métodos que formam uma bar­reira entre os espermatozoides e a cavidade uterina, impedindo a fecun­dação. O nível de eficiência desses métodos varia entre 2 a 6%, a depender se seu uso é correto. Todos os métodos de barreira, além do efei­to contraceptivo, também reduzem a transmissão de ISTs.

Preservativos (camisinha)

Dentre os métodos de barreira, os preservativos são os mais utilizados. Existem preservativos masculinos e femininos. Sua taxa de falha geralmente está ligada ao uso incor­reto. Além do efeito contraceptivo, é o método mais eficaz de prevenção de ISTs. Além disso, está associado a redução de neoplasias do colo do útero pela diminuição da transmis­são do papilomavírus humano. Sendo, por isso, indicado o seu uso em associação com outros métodos.

Imagem 4. Camisinha

Disponível em: < https://super.abril.com.br/comportamento/9-perguntas-curiosas-sobre-camisinha-e-cia/

Diafragma

O diafragma é um disco de borracha ou látex introduzido dentro da vagina, recobrindo colo do útero para impedir a entrada de espermatozoides. Tem vá­rios tamanhos e, por isso, antes do início do uso, é necessária uma consulta com o ginecologista para ser indicado o ta­manho mais adequado para a pacien­te. Geralmente é usado em associação aos espermicidas, adquirindo em con­junto um bom índice de efetividade. O espermicida é colocado no centro do dispositivo e mantido em contato com o colo do útero.

Imagem 5. Diafragma

Disponível em: < https://www.arevistadamulher.com.br/faq/27665-saiba-como-funciona-o-diafragma-e-os-pros-e-contras-deste-metodo-contraceptivo

Espermicida

Os espermicidas são substâncias em forma de tabletes de espuma, geleia ou creme que provocam a ruptura da membrana das células dos esperma­tozoides, matando-os ou retardando sua pas­sagem pelo canal cervical. É recomenda­do o seu uso apenas em associação com outros métodos contraceptivos, como o diafragma. No entanto, não deve ser usada com preservativos masculinos, pois pode aumentar o risco de contaminação pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Dispositivos intrauterinos (DIUs)

Os DIUs, junto com o implante de eto­nogestrel são os contraceptivos de longa du­ração. Consistem em um objeto de formato variável que é inserido na ca­vidade uterina. Eles são amplamente difundidos como métodos contracep­tivos reversível, possuem pequenas taxas de falha e descontinuidade, poucas contraindicações e têm um ótimo custo-benefício. No Brasil, os dois DIUs utilizados são o dispositi­vo intrauterino de cobre e o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel.

Imagem 6. DIUs.

Disponível em: < http://clinicakesselring.com.br/dispositivo-intrauterino-diu-perguntas-frequentes/

4.     Contracepção de emergência

Esse é um método que visa prevenir uma gestação inoportuna após relação sexual. Pode ser indica­da no ato sexual desprotegido, falha ou uso inadequado do método con­traceptivo em uso ou violência sexu­al. Os contraceptivos de emergência atuais geralmente são efetivos e se­guros, apresentando poucos efeitos adversos. Com isso, reduz a quanti­dade de abortamentos inseguros e garante o planejamento familiar.

Atualmente, estão disponíveis vários métodos contraceptivos de emergên­cia. Os mais utilizados são o método Yuzpe e o contraceptivo de levonor­gestrel isolado, ambos são igualmen­te eficazes, podendo ser utilizados até 5 dias após o ato sexual desprotegi­do. Entretanto, sua eficácia é inversa­mente proporcional ao tempo decor­rido desde a atividade sexual, sendo recomendado o uso em até 72 horas após o ato. Pela comodidade posológica e menos efeitos colaterais, o método de levonorgestrel é o mais indicado.

 5.     Contracepção cirúrgica

A contracepção cirúrgica consiste em método considerado irreversível ou definitivo, podendo ser masculina, com a vasectomia, ou feminina com a ligadura tubária. A Lei 9263 também regulamenta o seu uso no Brasil, sendo indicado somente nas seguintes situações:

  1. Homens e mulheres com capaci­dade civil plena e maiores de 25 anos de idade, ou pelo menos com dois filhos, desde que obser­vado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico;
  2. Risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, desde que tenha relatório escrito e assinado por dois médicos.

Ademais, é proibida a esterilização cirúrgica durante o parto, aborto ou até 42 dias após o parto (ou aborto), exceto nos casos de comprovada ne­cessidade, como:

  1. Cesárias sucessivas anteriores (no mínimo 2);
  2. Doença de base com risco à saúde.

Autora: Suzana Vasconcelos, estudante de medicina Instagram: @Suzanavasconcelossv
E-mail: Suzanasantos847@gmail.com

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.