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Você sabe passar casos? Conheça o SBAR | Colunistas

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Uma grande preocupação tanto para os estudantes de medicina quanto para os médicos já formados, é a forma como se passa o caso. “Será que estou sendo claro(a)? O preceptor/colega está entendendo a história do paciente?”

Se você se identificou com isso, esse artigo é para você. Conheça o SBAR, um mnemônico (sim, mais um para o seu caderninho) reconhecido até mesmo pela Organização Mundial da Saúde como uma ferramenta efetiva para transferência de informações com precisão sobre os pacientes.

Apesar de ter sido desenvolvido pelos militares estadunidenses para comunicação em submarinos nucleares, o SBAR vem se demonstrando confiável para o ambiente hospitalar, tendo como consequência a redução de eventos adversos por suposições ou imprecisões na hora de se passar o caso, melhorando assim a segurança dos pacientes.

Afinal, o que significa cada letra do SBAR?

            SBAR é o mnemônico para Situation (situação), Background (histórico/contexto), Assessment (avaliação/análise) e Recommendation (recomendação). Aprofundando sobre o significado de cada uma delas:

Situation (situação)

            Como o nome já diz, nesta primeira parte do SBAR iremos situar quem está recebendo a informação do paciente, identificando quem somos e de onde falamos, assim como quem é nosso paciente, o motivo do contato e o que nos preocupa sobre a condição do enfermo no momento, incluindo sua localização, de forma detalhada.

Background (histórico/contexto)

            Agora é o momento de se fornecer ao interlocutor o motivo da admissão do paciente, explicando tudo o que for significativo em seu histórico médico. É importante mencionar o possível diagnóstico, a data de admissão ao serviço, quais os procedimentos prévios realizados, medicações usadas, presença de alergias e resultados de exames que sejam pertinentes e relevantes.

Assessment (avaliação/análise)

            Além de passar os sinais vitais do enfermo, você deve passar suas impressões clínicas sobre o caso. Para isso é essencial uma visão crítica do que está acontecendo com o paciente em questão, raciocinando sobre as principais causas para ele se encontrar em determinada situação.

            Se não tiver certeza, não se constranja em afirmar que você não tem certeza do que pode ser o problema.

Recommendation (recomendação)

            Por último, você deve explicar claramente qual sua recomendação e o que gostaria que acontecesse ao final da conversa. É indispensável que seja bem específico sobre o pedido e o prazo para que ele seja concretizado.

            É também o instante de fazer suas sugestões e esclarecer sobre suas expectativas.

            Tenha certeza de que foi compreendido pelo interlocutor, perguntando para este se ficou alguma dúvida e pedindo para que repita as informações que lhe foram passadas.

A importância de se ter uma ferramenta que reduza os eventos adversos

            Eventos adversos são danos causados pela conduta médica, resultando em um tempo prolongado de hospitalização ou em alguma incapacidade para o paciente no momento da alta, segundo a definição de Brenner et al. citada no artigo “Impact of the communication and patient hand-off tool SBAR on patient safety: a systematic review”.

            Estudos indicam que a má comunicação é responsável por cerca de 60-70% dos eventos adversos que ocorrem nos hospitais, gerando erro de medicações, atraso na transferência para UTI e para a alta, repetição de exames sem necessidade, gerando ainda um ônus ao sistema de saúde.

            Concluindo-se, é essencial que saibamos conduzir a passagem de um caso de maneira que seja clara para o receptor, pois esta também é uma forma de promover saúde. E assim como (quase) tudo na medicina, é algo que precisamos treinar para ter prática e fazer da melhor forma possível, sendo que o SBAR permite que organizemos mais facilmente na cabeça detalhes que não podem passar despercebidos.

Autora: Bárbara R. Galardino

Instagram: @bgalardino