Colunistas

A expansão tecnológica da robótica na cirurgia e as novas possibilidades | Colunistas

A expansão tecnológica da robótica na cirurgia e as novas possibilidades | Colunistas

Compartilhar
Imagem de perfil de Henrique Grossi

As plataformas de cirurgia robótica, automação e realidade virtual ainda são conceitos novos, e têm sido aplicados na assistência à saúde. Nos últimos anos foi observado um crescimento exponencial dessa tecnologia, sendo a cirurgia robótica o novo padrão de atendimento em diversas áreas.

O primeiro procedimento cirúrgico com robô empregado em humanos foi realizado em 1985 para biópsias neurocirúrgicas. Em 2001, um grande passo na cirurgia robótica ocorreu no que foi chamado de a Operação Lindberg. O procedimento consistiu em uma cirurgia robótica que permitia ao cirurgião utilizar estação remota de operação para controlar o braço robótico localizado do outro lado do Atlântico. O procedimento foi uma colecistectomia realizada em Nova York, em um paciente situado na França. A cirurgia teve duração de aproximadamente 1 hora e não teve incidentes técnicos.

Uma nova tecnologia: Da Vinci

No ano de 2003, as empresas Computer Motion e Intuitive Surgical se uniram  para produzir uma plataforma de cirurgia robótica mais eficaz e assim o primeiro protótipo do robô Da Vinci é desenvolvido.

No ano 2000, surge o primeiro robô Da Vinci, composto por três braços, com endoscópio acoplado a um, e dois instrumentos. Em seguida, após dois anos, uma nova versão robótica de quatro braços possibilitou melhor controle e melhor exposição das estruturas anatômicas e também redução da dependência de um auxiliar.

No ano de 2006 foi introduzida a plataforma Da Vinci S, oferecendo visão em 3D de alta definição, com configuração simplificada. Já em 2009 é lançado o modelo Da Vinci Si, plataforma mais vendida mundialmente desde a criação do primeiro robô. O novo modelo introduziu no mercado a simulação realística para aperfeiçoamento da técnica operatória.

Em 2014 o sistema mais eficiente da Intuitive Surgical até agora é lançado, a plataforma Da Vinci Xi. É o aparelho robótico mais avançado em instrumentação, visão durante o procedimento cirúrgico, desenho de exoesqueleto, com adição de mais um braço e automação de setup. Com o avanço do seguimento urológico na robótica em 2018, o novo modelo Da Vinci Single-Port (SP) é usado cada vez mais nesta área e, desde então, tem alcançando abordagens bem-sucedidas para procedimentos urológicos complexos.

Mas afinal, como funciona um robô cirúrgico?

A cirurgia robótica é basicamente a cirurgia laparoscópica modernizada. Utiliza-se as mesmas pequenas incisões como acesso, no entanto ao invés de o cirurgião e auxiliares ficarem mexendo pinças que são estáticas, utiliza-se o robô. O cirurgião agora fica distante, ainda na mesma sala, sentado em um console, coordenando os movimentos por uma pinça que são capazes de mimetizar o mesmo movimento no local em que o paciente está com precisão de milímetros. O robô é um “replicador” de movimentos com filtro de tremor e com extrema precisão.

Cenário da cirurgia robótica no Brasil

Em 2020 houve um aumento de 60% no uso da cirurgia robótica quando comparada com seu uso em anos anteriores. E a tendência é aumentar. Uma das barreiras, o custo, tende a baixar com a entrada de novos fabricantes de robôs, já que em 2019 houve a quebra da patente da plataforma Da Vinci produzida pela Intuitive Surgical.

Embora, por enquanto, os robôs sejam encontrados principalmente na rede privada, eles também já estão no serviço público. Uma dessas máquinas foi incorporada à equipe de cirurgiões do instituto do câncer do estado de São Paulo em 2014. Ainda em 2021, o Centro de Alta tecnologia de Diagnóstico e Intervenção Oncológica Bruno Covas  ampliará e irá aperfeiçoar sua infraestrutura oferecida aos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com esta tecnologia e será construído no Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho o quinto robô utilizado pelo SUS no Brasil e o primeiro da rede municipal hospitalar no país.

A atual era robótica no Brasil já mostrou impacto sobre o campo cirúrgico e é parte da evolução das técnicas minimamente invasivas. A cirurgia robótica está se espalhando e tem superado as limitações das práticas convencionais. Alta definição, visão estereoscópica tridimensional, câmera estável e guiada pelo cirurgião, ergonomia aprimorada, amplitude superior de movimento e de escala são as principais vantagens. No país os principais procedimentos realizados são cirurgias viscerais, urológicas e colorretais. Reparos de hérnias ventrais têm mostrado resultados positivos, possibilitando reconstrução da parede abdominal. A plataforma tem mostrado ótimos resultados no campo ginecológico.

O que esperar do futuro da cirurgia robótica?

A evolução e o futuro da tecnologia robótica são baseados na melhoria de hardware e softwares. A cirurgia assistida por robô é atualmente utilizada em todas as especialidades cirúrgicas. O aprimoramento da tecnologia busca menor tamanho de instrumentos, acoplamento mais fácil, troca automática de instrumentos, integração com imagens radiológicas e inteligência artificial integrada ao sistema do robô. Realidade que não está distante graças ao acelerado mercado competitivo de novos fabricantes.

Alguns exemplos dos principais concorrentes

●     Titan Medical – Tecnologia robótica de orifício de porta única (SPORT) com instrumentos multiarticulados e endoscópio flexível.

●     Transenterix – Desenvolveu o Surgibot e foi vendida para a empresa chinesa Great Belief International. A plataforma mais recente da empresa é a Senhance.

●     Aurishealth e Johnson & Johnson (J&J) Medical Devices Companies – Introduziu recentemente a plataforma Monarch™.

●     Cambridge Medical Robotics (CMR) – No ano de 2014, lançou no mercado o sistema robótico Versius®, aprovado em toda a Europa.

●     Meere Company – Desenvolveu a REVO-I, plataforma cirúrgica que entrou no mercado em 2017.

●     Google e J&J – Joint venture para o desenvolvimento de sistema robótico cirúrgico, ainda em construção.

Conclusão

A cirurgia robótica é uma tecnologia em rápida evolução no mundo todo. A Intuitive Surgical é a protagonista deste cenário, mas apesar do seu predomínio, o desenvolvimento da cirurgia robótica está longe de terminar. Vários concorrentes em potencial estão surgindo no mercado, ultrapassando os limites da tecnologia ideal, possibilitando assim, a redução de custo do emprego da cirurgia robótica. A quebra da patente da Intuitive Surgical também é um importante fator para a redução do custo do equipamento bem como para o desenvolvimento de hardwares que podem compor e até mesmo modernizar o manejo da plataforma Da Vinci. O barateamento da técnica permitirá que uma quantidade maior de cirurgiões tenham acesso aos sistemas operacionais, elevando a curva de aprendizagem. Além disso, a “corrida desenvolvimentista” que busca conquistar o mercado tem benefícios proporcionais de ganho para os pacientes, que estão correndo riscos cada vez menores nas operações cirúrgicas e também poderão encontrar custos cada vez mais reduzidos. 

Autor: Henrique Matheus Grossi Filho

Instagram: @henriquegrossi_

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe:

Referências:

MORRELL, A. L. G. et al. Robotic assisted eTEP ventral hernia repair: Brazilian early experience. Hernia, p. 1-10, 2020. – https://link.springer.com/article/10.1007/s10029-020-02233-

MORRELL, ANDRE LUIZ GIOIA et al. Evolução e história da cirurgia robótica: da ilusão à realidade. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 48, 2021. – https://www.scielo.br/j/rcbc/a/4qVcw3NC75jwPNtkgkhwSWf/?lang=pt

Centro Oncológico Bruno Covas terá robô e tecnologia de ponta para tratamento de câncer Departamento médico especializado será construído no Hospital Municipal Vila Santa Catarina, na zona sul, com cirurgias robóticas e exames PET-CT – disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/noticias/?p=314689