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Abordagem Familiar para o Cuidado Integral do Paciente: Entrevista Clínica | Colunistas

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Uma das premissas da Saúde moderna é a visão do paciente como um todo. Isso vem pautado na ideia de que com o tempo os pacientes se tornaram órgãos e a medicina passou a ser submetida de forma exclusiva à economia de mercado. Há alguns anos vem sendo realizada a tentativa de mudança de enfoque no cuidado do paciente, passando esse a ser colocado no centro de um círculo de cuidado onde ao redor se coloca uma equipe multiprofissional responsável por ver o paciente como um todo e cuidar dele nas diferentes esferas que o compõe. Para isso, torna-se necessário o conhecimento de uma importante esfera: a família a qual esse paciente pertence.

A família é referida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal agente social de promoção de saúde e bem-estar, sendo cada vez mais possível ver evidências clínicas e epidemiológicas de que a família exerce forte influência no estado de saúde e no desenvolvimento e recuperação de doenças de um indivíduo. Isso fica ainda mais evidente quando percebemos que para fazer as pessoas melhorarem é preciso vê-las dentro de seus contextos e não apenas sob o prisma do diagnóstico e da doença em si.

Por isso iniciamos aqui uma série de quatro textos que irão abordar essa temática e dar dicas de como abordar a família de nossos pacientes para o desenvolvimento do cuidado integral deles. No nosso primeiro texto (https://www.sanarmed.com/abordagem-familiar-para-o-cuidado-integral-do-paciente-conceitos-iniciais-colunistas)  falamos sobre alguns conceitos iniciais, as definições de família segundo autores consagrados, os arranjos familiares e sobre alguns cuidados a serem tomados no momento da consulta. Hoje, no segundo texto dessa série, vamos entrar no próximo passo da consulta com a família: a entrevista clínica.

Leonardo Boff diz que “cuidar é mais que um ato, é uma atitude”. Essa frase representa o cuidado que nós, profissionais e futuros profissionais, devemos exercer ao estar com um paciente. E em várias situações, como conversamos no primeiro texto dessa série é necessário que a família faça parte do atendimento. Mas, o que fazer após chama-la até o consultório médico? Como proceder após estar frente a frente com a família? Como conduzir a consulta?

Para que esse momento possa ocorrer de forma mais tranquila e ser melhor aproveitado é necessário que haja um ou mais profissionais envolvidos que serão responsáveis por conduzir a conversa com a família, ou seja, serão os interlocutores. É possível separar essa fase em dois momentos:

  • 1º momento: os profissionais envolvidos devem correlacionar o estágio do ciclo de vida familiar (assunto que abordaremos no próximo texto) ao problema e questões apresentadas pelo paciente e por sua família, sendo, aqui, importante e essencial considerar o impacto do diagnóstico em todos os âmbitos pessoais e familiares.
  • 2º momento: momento de buscar reconhecer o entendimento, por parte do paciente e da família, sobre o problema, as questões e as perspectivas da situação, além de ser realizado o diagnóstico do tipo de família que se apresenta, bem como sua dinâmica de funcionamento.

É necessário que os profissionais envolvidos na abordagem familiar lancem mão de estratégias que respeitem as defesas dos familiares, removam culpas e aceitem os sentimentos que parecem inaceitáveis, que mantenham uma boa comunicação, que reforcem a identidade familiar, que explicitem a história da doença e do significado dela na família, que provenham um suporte psicoeducacional, que proporcionem o aumento do sentimento de união familiar e que mantenham a presença da empatia entre equipe de saúde e família.

Para isso, vamos ampliar um pouquinho nosso olhar para um modelo de entrevista clínica, composto por 5 passos, que pode ser praticado com a família dentro do consultório.

1. Apresentação Social

Essa fase tem por objetivo cumprimentar cada pessoa individualmente e agradecer por terem comparecido, além de ser o momento onde a equipe de saúde se apresenta. É importante que o cumprimento seja dirigido a cada membro da família presente e que já se inicie, nesse contato inicial, a observação de como cada pessoa ocupa o espaço da entrevista.

Tempo estimado: 5 minutos.

2. Aproximação

A segunda fase é a responsável pela aproximação entre o profissional e os familiares presentes. Aqui, o profissional deve buscar pontos de aproximação, conhecer as pessoas independentemente dos problemas, estar atento a todo o processo de comunicação (verbal e não verbal) e saber sobre seu cotidiano, para iniciar o processo de conexão e a geração de hipóteses sobre a situação.

Tempo estimado: 5 minutos.

3. Entendimento da Situação

Nesse momento será abordado a forma como cada membro familiar entende e compreende a situação que os trouxe até ali. Para isso cada pessoa que deseje falar deve expor suas preocupações, medos, dúvidas e anseios e deve ocorrer a priorização dos objetivos para esse encontro, além da observação da existência de conflitos presentes entre os familiares ou da chance de ocorrência de possíveis conflitos ao longo da entrevista e do tempo. Deve ser estimulada a participação de todos e que cada pessoa fale no seu tempo e na sua vez, como forma de organizar o atendimento.

Tempo estimado: 10 minutos

4. Discussão

Aqui é o momento em que se concentra a maior parte da entrevista clínica quando pensamos em sua duração. A equipe de saúde deve encorajar a família a conversar e questionar sobre se, e como, já lidaram com o problema em outras situações, solicitando que cada familiar dê sua contribuição. Além disso, deve-se ocorrer a identificação dos pontos fortes e fracos da família ao lidar com a questão em si, além da identificação dos recursos que estão disponíveis a nível familiar e comunitário para a elaboração do plano terapêutico (próxima etapa).

Tempo estimado: 20 minutos

5. Estabelecimento de um Plano Terapêutico

A última etapa da entrevista familiar é o momento em que equipe de saúde e família pensarão, juntos, sobre as melhores alternativas para a solução da questão que os trouxe até aqui.  Para isso deve ser solicitado que a família elabore um plano, contribuindo quando necessário com informações médicas, aconselhamento e enfatização das questões comuns, realizando combinações e lembrando os objetivos, além de questionar se há dúvidas e caso seja necessário marcar um novo encontro. Ao final, o profissional deve agradecer a participação e presença de todos.

Tempo estimado: 10 minutos.

É importante que o profissional tenha em mente que esse modelo é apenas uma forma de organização da entrevista, devendo essa ser adaptada ao momento e realidade de cada família. Além disso, os tempos estimados aqui servem apenas como base e não necessariamente devem ser seguidos à risca em todas as entrevistas familiares. É preciso sempre lembrar que estamos lidando com outros seres humanos, que estamos cuidando de pessoas e que são essas que devem ser a nossa prioridade no momento do atendimento. Ter a gestão do tempo e da consulta é importante para que os objetivos possam ser alcançados, no entanto, jamais podemos perder de vista o ensinamento deixado por Jung, sobre a importância de conhecermos todas as técnicas, dominarmos todas as teorias, mas ao tocarmos uma alma humana, sermos apenas outra alma humana. Por fim, vamos lembrar que para nos auxiliar tanto no contato com a família, quanto em seu acompanhamento existem alguns instrumentos de abordagem familiar que nos auxiliam a compreender melhor a composição, dinâmica e relações entre os membros. E será sobre esses instrumentos que iremos conversar no nosso próximo texto. Até lá!

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Geral de Atenção Domiciliar. Caderno de atenção domiciliar – volume 2.  Brasília – DF: Ministério da Saúde, 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de atenção básica: Saúde Mental.  Brasília – DF: Ministério da Saúde, 2013. p. 66-71.

DUNCAN, B. B. et al. Medicina ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 4 ed.  Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 86-98.

GUSSO, G.; LOPES, J.M.C. Tratado de medicina de família e comunidade: Princípios, formação e prática – Volume 1. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. p. 221-232.



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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