Dermatologia

Acne da mulher adulta (AMA): patogênese e alternativas de controle

Acne da mulher adulta (AMA): patogênese e alternativas de controle

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A acne da mulher adulta (AMA) é um quadro que pode acometer mulheres a partir dos 25 anos ou mais, sendo um distúrbio comum.

Muitas delas, experimentam crises de erupções acneicas pré-menstruais, o que reforça o padrão hormonal envolvido nessa condição.

Complemente seu raciocínio entendendo um pouco mais sobre a acne de maneira geral!

Fontes fisiológicas da acne da mulher adulta

Para compreender a patogênese da acne da mulher adulta é importante entender que múltiplos fatores contribuem para o desenvolvimento desse quadro.

Pensando nisso, os quatro eventos locais na pele que mais se ligam à formação das lesões acneicas são:

  • Excesso de produção de sebo pelas glândulas sebáceas;
  • Inflamação local;
  • Queratinização anormal dos folículos polissebáceos;
  • Cutibacterium: colonização acnes.

A queratinização folicular anormal e o excesso de produção de sebo contribuem para formação de comedões – lesões primárias da acne.

Figura 1: Comedões abertos e fechados no nariz. Disponível em: https://bit.ly/3Px9nFs.

Assim, com a ruptura dos comedões e reações inflamatórias ao C. anes – que se alimenta do sebo – tem-se a lesão inflamatória.

Fatores hormonais para a AMA

A patogênese da acne da mulher adulta também envolve andrógenos circulantes em associação hereditariedade, estresse, exposição à ultravioleta e alimentação.

Pensando na questão hormonal, é importante lembrar que, na mulher, a maior produção de androgênios ocorre na glândula adrenal e nos ovários. É possivel, com isso, que ocorram alterações em cada órgão envolvido ou ainda na rede periférica hormonal levando a distúrbios clínicos.

Figura 2. Fonte: Acne da mulher adulta: revisão para o uso na prática clínica diária. Surgical & Cosmetic Dermatology.

A pele é um importante alvo dos hormônios androgênicos e por isso, considerando uma paciente com acne da mulher adulta, as endocrinopatias devem ser lembradas. Dessas doenças endócrinas, as mais comuns são a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) e, em seguida, a Hiperplasia Adrenal Frustra ou Secundária, de aparecimento mais tardio.

É importante ressaltar que alguns medicamentos e substâncias estão associados ao desenvolvimento da acne. Exemplos deles são benzodiazepínicos, lítio, ciclosporina, corticosteroides e polivitamínicos do tipo B, bem como anticoncepcionais prosgetínicos. Outro fator associado é uma dieta hiperglicêmica, o que favorece o quadro clínico.

Aumento da sensibilidade da glândula sebácea

Na AMA é observada uma hipersensibilidade aos receptores encontrados nos sebócitos e queratinócitos aos hormônios androgênicos circulantes.

Essa hipótese é reforçada pelo agravo do quadro de acne no período pré-menstrual, além da perimenopausa, gravidez e uso de contraceptivos progestínicos.

Isso aconteceria devido ao aumento dos hormônios com maior atividade androgênica, quando comparado ao estradiol nesses períodos.

Aumento de conversão hormonal periférica

Considerando, ainda, o metabolismo de hormônios androgênicos, relata-se um aumento considerável e uma atividade anormal das enzimas relacionadas à esse processo.

Isso quer dizer que enzimas teriam suas atividades aumentadas, convertendo mais pré-hormônios na periferia (pele). Como exemplo delas, tem-se:

  • 5-alfarredutase;
  • 3-beta-hidroxiesteróide-desidrogenase;
  • 17-hidroxiesteróide-desidrogenase.

Essa conversão periférica acontece em hormônios como a androstenediona, testosterona e DTH.

Deficiência na imunidade inata

A redução da resistência à bactéria P. acnes e a promoção da inflamação crônica das glândulas sebáceas pode ser desencadeada pela deficiência da imunidade.

Essa deficiência repercute diretamente na atividade anormal de receptores toll-like e defensinas.

Mas devido ao quê acontece a deficiência da imunidade inata?

Essa deficiência é determinada geneticamente. Por esse motivo, muitas vezes a acne acomete mais de um membro familiar.

Terapêutica tópica para acne da mulher adulta

Tratamento tópico

Essa opção é indicada para pacientes com acne de leve a moderada, devendo ser um tratamento simples mas prolongado.

Por isso, é bem tolerado pela paciente, se estabelecendo em 1 aplicação diária, o que favorece a adesão ao tratamento.

Apesar disso, não é capaz de agir em todas as fases de formação da acne e para isso as terapias combinadas funcionam bem. Como:

  • Retinóides;
  • Peróxido de benzoíla;
  • Ácido azelaico.

Tratamento sistêmico

O tratamento sistêmico, por outro lado, é indicado para quadros moderados a graves de acne. Nesses casos, costuma-se observar cicatrizes extensas e, uma vez tentado o tratamento tópico, não foi suficiente.

Algumas opções de tratamento são:

  • Contraceptivos: o estrógeno estimula a produção hepática da proteína carreadora de andrógenos. Isso favorece a diminuição dos níveis de testosterona e os seus efeitos na pele.
  • Isotretinoína: indicado para acne grave, não responsiva à outras terapias mais tradicionais.
  • Antibióticos: tetraciclinas, limeciclinas, doxiciclina e macrolídeos. O uso oral não deve ser simultâneo ao uso tópico.
  • Metformina: como agente sensibilizante à insulina, ela reduz a gliconeogênese hepática, diminuindo a produção de andrógenos pelas células da teca.

Medidas alternativas de controle da acne da mulher adulta

Algumas medidas podem ser interessantes para o controle do quadro de acne da mulher adulta.

Alimentação

  • Diminuir derivados do leite devido à seu fator inflamatório;
  • Inserir peixe e fontes de ômega 3 na alimentação;
  • Rever o consumo de carne vermelha e farinha “branca”;
  • Controle da ingesta de comidas hiperaçucaradas e gordurosas.

Cuidados diários

  • Não manusear as lesões;
  • Higienização da pele com um sabonete adequado;
  • Evitar exposição excessiva ao Sol;
  • Lavar as mãos antes de tocar no rosto.

Perguntas frequentes

  1. Como a acne pode ser classificada?
    A acne pode ser classificada em grau I, II, III e IV. O que varia de um grau para o outro é a presença de comedões, pápulas e pústulas.
  2. Como é a atuação da isotretioína?
    Ela atua seletivamente na glândula sebácea, reduzindo, assim, a produção de sebo.
  3. Como é feito o diagnóstico da AMA?
    Clinicamente. Como a acne é uma doença crônica, traz consigo aspectos psicológicos envolvidos, o que colabora para o entendimento de relevância do quadro.

Referências

  1. Acne in adult women: epidemiological, diagnostic and therapeutic aspects. Scielo. Disponível em: https://bit.ly/3sOdByK.
  2. Acne da mulher adulta: revisão para o uso na prática clínica diária. Surgical & Cosmetic Dermatology.