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Administração em Saúde: residência, rotina de trabalho, salário e mais

Administração em Saúde: residência, rotina de trabalho, salário e mais

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Imagem de perfil de Residência Médica

A administração em saúde conecta medicina e gestão. A área surge da necessidade de lidar com processos complexos. Por exemplo, a comunicação entre o médico e a família, a resposta de um tratamento diferente da esperada ou a dificuldade em padronizar o atendimento.

Um especialista formado em administração consegue fazer a gestão de um hospital sem grandes problemas. Porém, é possível que sem a mesma sensibilidade de um profissional da saúde, acabe deixando um pouco de lado o bem-estar do paciente. Isso acaba afetando não apenas a imagem do hospital, como pode se refletir nos próprios pacientes.

Um médico quando responsável por administrar o hospital ou clínica, tende a ter uma certa vantagem. Hospitais administrados por médicos têm melhores resultados, considerando estrutura, processos e ambiente de trabalho. 

Os aprendizados durante os anos de estudo de medicina, aliados a visão sobre a instituição, podem auxiliar na gestão. Mas só isso, não é suficiente. A capacitação médica não engloba temas da área administrativa, logo, ele não será um profissional completo. 

Leia mais: 10 Questões para considerar antes de escolher a sua residência médica

O especialista em Administração em Saúde e a sua rotina

A rotina de um especialista em administração em saúde é bastante diferente da rotina médica. Inicialmente, a carga horária costuma ser de 40 horas semanais em horário comercial, sem plantões e com finais de semana livres.  Em casos de instituições que funcionam 24 horas por dia, o gestor pode ser acionado em horários diferentes dos citados acima.

Além da carga horária, as obrigações do médico gestor são completamente diferentes das do médico de carreira assistencial, por exemplo. Enquanto o primeiro é responsável por uma área ou equipe, o segundo deve se preocupar exclusivamente com o bem-estar do paciente e de todos os envolvidos, sejam eles familiares ou amigos. 

O gestor de um hospital é responsável por diferentes tarefas, que ocorrem simultaneamente. É dele a responsabilidade de garantir um ambiente adequado para cirurgias, como também por manter funcionando a UTI, pronto socorro, leitos de enfermaria, e etc.

Pode-se resumir suas atividades em três pontos essenciais:

  • Análise de dados
  • Manutenção da rotina hospitalar
  • Planejamento

É de responsabilidade do profissional de administração em saúde conhecer todos os processos, agentes e produtos, assim como compreender por inteira a sua área de atuação.

Conhecendo a especialidade médica em administração da saúde - Sanar Medicina

Como é o mercado de trabalho e áreas de atuação?

O mercado de trabalho para o gestor em saúde é bastante amplo. A Residência em  Administração em Saúde permite que o profissional atue em qualquer organização, pública ou privada. Veja alguns exemplos:

  • Hospitais
  • Clínicas
  • Consultórios
  • Operadoras de home care
  •  Empresas de remoção
  • Operadoras de plano de saúde
  • Indústria farmacêutica
  • Secretarias de saúde

Os cargos do médico gestor em saúde podem variar, sendo geralmente de média e alta gerência. Como há uma demanda maior do que profissionais qualificados, o médico gestor recém especializado não encontra muitas dificuldades para entrar no mercado de trabalho.

Remuneração de um médico de administração em saúde

O salário pode variar de acordo com a disponibilidade. Em geral, o teto salarial está diretamente ligado a quantidade de horas que trabalha, sendo possível limitar seu tempo disponível a média salarial que deseja receber.

Um diretor médico-hospitalar ganha em média R$ 15.378,95 para uma jornada de trabalho de 39 horas semanais. A faixa salarial fica entre  R$ 14.958,93 (média do piso salarial 2023 de acordos coletivos) e R$ 41.960,44 (teto salarial).

As informações são de acordo com pesquisa do Salario.com.br junto a dados oficiais do Novo CAGED, eSocial e Empregador Web. O período avaliado foi de março de 2022 a março de 2023.

A Residência Médica em Administração da Saúde

A Residência Médica em Administração em Saúde existe no HC-FMUSP, em parceria com a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, o PROAHSA (Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde). Este programa tem duração de 2 anos.

A Residência de Administração em Saúde também existe no Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

No caso do Proahsa, a entrada se dá através do departamento de medicina preventiva. O aluno deve demonstrar interesse já na entrevista inicial.

Os residentes cursam o Curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde (Ceahs) na FGV como bolsistas integrais, podendo optar pelo curso noturno durante a semana ou diurnos aos fins de semana. Durante o dia, trabalham em projetos do HC-FMUSP, desenvolvendo soluções para problemas apresentados, aplicando o aprendizado das aulas teóricas. 

Além da vivência com colegas de turma, os residentes de Administração em Saúde também trabalham frequentemente com profissionais de outras áreas de atuação, o que é um diferencial, já que a formação médica é menos focada no trabalho em equipe. 

A residência em Administração em Saúde ocorre em período integral e em regime de dedicação exclusiva. No primeiro ano, os estágios têm duração de até seis semanas. Já no segundo ano, podem chegar a dois meses em cada local de atuação. 

Existe ainda uma programação de estágio eletivo que deve ser realizado fora do HC-FMUSP, de acordo com o interesse do residente, podendo ser hospital público ou privado, secretaria de saúde e até mesmo outro sistema de saúde, fora do Brasil. 

Como surgiu a Administração em Saúde? 

Por conta de modificações nos sistemas de saúde durante o século XX, os governos adotaram novas políticas no setor, a fim de atender as novas necessidades. Nos anos 60, iniciaram os estudos de Administração em Saúde nas redes públicas da área. Em seguida, foi a vez dos departamentos de medicina preventiva ou social, faculdades de medicina e escolas de administração pública ou de empresas.

Nos anos 70, o cenário médico no Brasil ainda diferenciava os pacientes em categorias, onde só podiam ser atendidos em determinados hospitais. Havia divisão para:

  • Previdenciários urbanos
  • Pessoas com plano de saúde
  • Previdenciários rurais
  • Indigentes
  • Previdenciários particulares 

Quem não se enquadrava nestes requisitos, estava fora do sistema de saúde. A gestão era reduzida e não havia integração entre os diferentes tipos de serviço. Nessa época, a maioria dos administradores de hospitais eram médicos, mas não possuíam nenhuma formação específica. Apesar disso, a gestão de hospitais era considerada uma área à parte da saúde, com foco empresarial e não médico.

Dentro desse contexto, sentindo a urgência de criação de uma formação mais específica, o HC-FMUSP buscou parceria com o curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e apoio financeiro com a Fundação W. K. Kellogg, entidade privada americana. Assim foi criado o Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde, o Proahsa.

Em 1975 foi criado o primeiro curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde na FGV. O curso contava com professores tanto da área médica, quanto da área administrativa. 

No ano seguinte, teve início o programa de residência médica em Administração Hospitalar e de Sistemas da Saúde (Ceahs) oferecido pelo HC-Fmusp, através do departamento de Medicina Preventiva. Ali, os alunos aprendiam a parte teórica e podiam pôr os conhecimentos em prática no próprio hospital.

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