Psiquiatria

Ansiedade e Palpitação

Ansiedade e Palpitação

Compartilhar

Sanar Pós Graduação

9 min há 233 dias

A ansiedade e a palpitação muitas vezes andam de mãos dadas. No entanto, é necessário excluir outras causas orgânicas antes de concluir que a causa da palpitação do paciente é ansiedade.

Acompanhe o caso clínico abaixo:

Caso clínico 1

HDA: Mulher de 32 anos dá entrada na porta de uma emergência referindo ter sentido o coração tremer por cinco minutos, associado a sensação de morte iminente, sudorese e parestesia das mãos. As palpitações são esporádicas, acontecendo quase semanalmente. Não sabe dizer se seus batimentos são regulares ou irregulares.

HPP: “Ansiedade exagerada” referida pelo marido

Hábitos: Uma taça de vinho 3x por semana

CONHEÇA A PÓS EM MEDICINA DE EMERGÊNCIA DA SANAR!

Exame físico

Impressão inicial: via aérea pérvia, eupneica, coloração da pele normal

Avaliação primária: saturando 97%, ausculta normal, PA:118x76mmHg, FC: regular normocárdico, Tax: 36,5°C

Avaliação secundária: POCUS com linhas A em todos os campos

ECG

Quais os próximos passos?

  • A)Alta hospitalar
  • B) Com a paciente internada, solicitar um Holter
  • C) Com a paciente internada, Holter e CATE
  • D) Ambulatorialmente, solicitar Holter e teste ergométrico

Resposta: letra D)

Palpitação

  • Prevalência
    • 41% – doença cardíaca
    • 31%- ansiedade e desordem do pânico
  • Em cardiopatas
    • 91% – são por arritmia
  • Em pacientes psiquiátricos
    • 67% – são por arritmia

Causas de palpitações

  • Arritmias
  • Taquicardia sinusal
  • Percepção alterada sobre atividade cardíaca
  • Idade jovem – maior probabilidade de Taquicardia por reentrada AV (Síndrome Wolff Parkinson White)
  • Idade avançada – maior probabilidade de Fibrilação atrial
  • Histórico de cirurgia cardíaca – maior probabilidade de Flutter atrial
  • Sinal de Frog – maior probabilidade de Taquicardia por reentrada nodal
  • Poliúria – maior probabilidade de TPSV (Eleva o peptídeo natriurético)
  • Pré-sincope/síncope – maior probabilidade de arritmia grave

Desafio

  • Pacientes têm sintomas paroxísticos
  • Normalmente não flagrados pelos médicos
  • Começam a duvidar da sua percepção

Exames complementares

  • ECG- Diagnóstico em apenas 3 a 26% dos casos
  • Holter – Diagnóstico em apenas 34% dos casos
  • Bioquímica: papel limitado
    • TSH tem importância (Hipertireoidismo pode cursar com taquicardia)
  • Ecocardiograma
    • Exclusão de cardiopatia estrutural
  • Pesquisa de isquemia miocárdica
    • Sem papel
  • Teste ergométrico é útil em pacientes que têm palpitações durante ou depois da atividade física ou alguma atividade que aumente a demanda miocárdica.
  • Monitor de eventos
    • Diagnóstico de até 70% dos casos
    • Valor preditivo alto
  • Estudo eletrofisiológico (EEF)
    • Pacientes de alto risco
    • Pacientes com alta probabilidade pré-teste
    • Pacientes com profissões de risco (ex.: piloto de avião)

Quem internar?

  • Doença cardíaca estrutural com alta probabilidade de arritmia
  • Necessidade de realizar EEF
  • Necessidade de realizar telemetria de marca-passo ou CDI
  • Decompensação psicótica grave

Retorno da paciente – “Minha batedeira não para”

HDA: O eletrofisiologista dessa paciente indicou e implantou um monitor de eventos. Vem à consulta falando que ontem mesmo sentiu intensa palpitação. Chega ao PS com intensa dor torácica e referindo dispneia.

Revisão do monitor de eventos:

Normal

Condições relacionadas a ansiedade

  • Hipotireoidismo
  • Hipertireodismo
  • Feocromocitoma
  • Outras doenças endócrinas
  • Síndrome pré-menstrual
  • Úlcera péptica
  • Infecções
  • Anemia
  • Hipóxia
  • ICC
  • Baixo fluxo cerebral
  • Hipovolemia

Medicações relacionadas a ansiedade

  • Anestésicos e analgésico
  • Simpaticomiméticos
  • Anticolinérgicos
  • Insulina
  • Tireoidianos
  • Anti-histamínicos
  • Antiparkinsonianos
  • Corticosteróides
  • Anti-hipertensivos
  • Cardiovasculares
  • Anticonvulsivantes
  • Lítio
  • Antidepressivos
  • Metais pesados
  • Toxinas

CONHEÇA A PÓS EM PSIQUIATRIA DA SANAR!

Pode ser alguma outra causa psiquiátrica orgânica?

  • Intoxicação por substâncias?
  • Abstinência de álcool?
  • Abstinência de outras substâncias?

É necessário INVESTIGAR bem a história e excluir causas orgânicas!

Ataques de pânico?

  • Início abrupto de medo e desconforto
  • Sintomas físicos: taquicardia, tremores, sudorese, dor no peito, calafrios, falta de ar, náuseas, sensação de desmaio
  • Sintomas psíquicos: desrealização e despersonalização
  • Sensação que vai morrer ou enlouquecer/perder o controle

É um ataque de pânico. O que fazer?

A) Falar para a paciente que ela não tem nada e dar alta hospitalar

B) Dar diazepam 10mg e alta hospitalar

C) Dar alprazolam 1mg e alta hospitalar

D) Dar alprazolam 1mg, exercícios de respiração controlada até o ataque passar e encaminhar para o psiquiatra

E) Dar alprazolam 1mg, exercícios de respiração controlada, introduzir ISRS e encaminhar para o psiquiatra

Comentário

O alprazolam tem resposta rápida e tempo de meia vida mais curto, o que é mais efetivo nesses pacientes do que o diazepam.

Resposta: letra D)

No ambulatório: checar história e fechar diagnósticos

  • Ansiedade, medo e esquiva
    • Processo adaptativo
  • Medo: emoção resposta a uma ameaça real ou percebida
    • Excitabilidade autonômica
    • Preparo para luta ou fuga
  • Ansiedade: antecipação de uma ameaça futura
    • Tensão muscular
    • Vigilância/preocupação
    • Preparação, esquiva
  • Esquiva: “diminuição da ansiedade”

Transtorno de pânico

  • Ataques de pânico repetido e imotivados
  • Pode ocorrer com ou sem agorafobia

Agorafobia

  • Medo ou ansiedade desproporcional de estar em uma situação cujo escape/socorro seja difícil
  • Transporte público
  • Locais lotados
  • Locais abertos
  • Locais fechados
  • Ficar sozinho fora de casa
  • Comumente acompanha evitação da exposição

Fobia social

  • Ansiedade relacionada ao contato com outros indivíduos
  • Preocupação antecipatória em passar por uma situação vexatória

Fobia Específica

  • Ansiedade desproporcional desencadeada essencialmente por uma situação específica que não apresenta nenhum perigo real no momento
  • Evitação da situação/suportadas com terror
  • Ex.: altura, trovões, palhaço, aranhas

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

  • Ansiedade e preocupações sem um foco específico
  • Preocupação excessiva sobre vários acontecimentos ou atividades, na maior parte dos dias, durante os últimos 6 meses;
  • Paciente acha difícil conter a preocupação excessiva;
  • Presença de sintomas somáticos (3 para adultos, 1 para crianças)
    • Inquietação
    • Cansaço
    • Irritabilidade
    • Tensão muscular
    • Distúrbio do sono
    • Dificuldade de concentração

É um Transtorno de Pânico. Como tratar?

A)Sertralina 100mg/dia por 5 dias, depois 150mg/dia + diazepam 10mg se crises

B)Escitalopram 5mg/dia por 5 dias, depois 10mg/dia + alprazolam 1mg se crises

C)Alprazolam 1mg 12 em 12 horas, se crises

D)Escitalopram 5mg/dia até o retorno em 30 dias

E) Sertralina 25mg 12/12h até o retorno em 30 dias

Resposta: letra B)

Antidepressivos – principais erros

  • Tratamento com subdose (principalmente em adolescentes e idosos)
  • Iniciar com dose maior que a mínima necessária para efeito
  • Trocar antidepressivo nos primeiros dias se der efeito colateral
  • Aumentar a dose se não houver nenhuma resposta esperando o tempo ideal
  • Dividir a dose em diversas tomadas em medicamentos em que não é preciso
  • Suspensão da medicação após a melhora/não suspender nunca

Antidepressivos – Princípios básicos

Objetivo: remissão completa (inclusive sono, apetite, dor).

Fases obrigatórias do tratamento: período de ajuste da medicação (até remissão completa) + período de manutenção (após atingir a remissão).

Início visando sempre a dose mínima efetiva até o efeito.

Se não fizer nenhum efeito em 4 semanas, não adianta aumentar ou esperar mais tempo.

Se fizer pouco resultado no início (antes de 6 semanas), não é para aumentar.

Pensando no tratamento

Compensação da ansiedade

Papel da terapêutica

Terapêutica não-farmacológica (mindfulness, higiene do sono, atividade física, yoga, meditação, entre outras)

Diminuição de recaída

SE QUISER SE APROFUNDAR MAIS EM PALPITAÇÃO E ANSIEDADE, CONHEÇA A PÓS EM MEDICINA DA SANAR!

Posts relacionados:

Transtornos de ansiedade

Ansiedade em pacientes no período pré-cateterismo cardíaco

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.