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Bronquiolite viral aguda: Resumo com mapa mental | Ligas

Bronquiolite viral aguda: Resumo com mapa mental | Ligas

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Definição

A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma doença resultante da obstrução inflamatória das pequenas vias aéreas.

Epidemiologia

O agente etiológico mais comum é o vírus sincicial respiratório (VSR), que é um paramixovírus de RNA. Geralmente a fonte de infecção é um membro da família ou colega da creche ou escola, pois o homem é a única fonte de infecção na natureza. A transmissão ocorre normalmente por contato direto ou por secreções contaminadas, que podem envolver gotículas ou fômites.

O período de incubação é de 2 a 8 dias (média de 4 a 6 dias) e o período de disseminação viral é de 3 a 8 dias, podendo chegar até 3 ou 4 semanas, especialmente em lactentes mais novos. É comum casos de reinfecção durante a vida, pois o primeiro contato com o VSR não confere imunidade completa.

Fisiopatologia

A grande afinidade pelo epitélio bronquiolar explica a tendência do VSR produzir problemas respiratórios importantes. A inoculação do VSR provavelmente ocorre através da superfície da mucosa nasal. Os mecanismos responsáveis pela lesão das vias aéreas são o efeito citopático viral direto pela interação celular entre o vírus e o hospedeiro e o efeito indireto mediado por mecanismos imunológicos. A limitação do fluxo aéreo pode ser atribuída ao edema inflamatório, conteúdo luminal aumentado por secreções e detritos, contração do músculo liso e anormalidades dos sistemas adrenérgico e colinérgico, comuns nas viroses respiratórias e o sistema não adrenérgico/ não colinérgico (NANC).

Quadro clínico

A BVA afeta crianças com menos de 2 anos de idade, tendo o pico de incidência entre 3 a 6 meses de nascimento, sendo que a maioria das internações hospitalares são de crianças menores de 1 ano. A febre é mais marcada na fase prodrômica, sendo que sua ausência não exclui o diagnóstico de bronquiolite. Atenção a presença de temperaturas elevadas ou manifestações de toxemia, pois requerem avaliação cuidadosa para outras causas.

A criança manifesta sintomas respiratórios como tosse geralmente seca, taquipneia compensatória, tiragens (subcostal, intercostal e supraclaviculares) são comumente vistas nos lactentes, em algumas situações podem estar associadas a presença de tórax hiperinsuflado, na ausculta é evidenciada crepitações inspiratórias disseminadas por todos os campos pulmonares e/ou sibilância expiratória.

Evolutivamente, o quadro clínico inicia com rinorreia, tosse e febre baixa, que evolui para dificuldade respiratória associada a sinais de obstrução brônquica e sibilância. A doença é autolimitada na maioria dos casos. A presença de cianose indica hipóxia e caracteriza gravidade, que pode vir associada a episódios de apneia, principalmente em prematuros.

Diagnóstico

O diagnóstico da BVA deve ser estabelecido baseado nos achados clínicos, a radiografia de tórax é medida de exceção, podendo ser útil nos casos graves, quando ocorre piora súbita do quadro respiratório ou quando existem doenças cardíacas ou pulmonares prévias. Os achados radiográficos mais comuns são: hiperinsuflação torácica difusa, hipertransparência, retificação do diafragma e até broncograma aéreo com um infiltrado de padrão intersticial. Frequentemente, podem-se observar áreas de atelectasias secundárias a tampões mucosos e infiltrados de baixa densidade com discreto espessamento pleural.

Os exames laboratoriais também não devem ser solicitados considerando a obtenção de informações úteis para consolidação diagnóstica. A identificação do agente não tem indicação para ser realizada de rotina. Porém, quando necessário, a técnica de imunofluorescência, através do material obtido por aspiração nasofaríngea, é a mais frequentemente utilizada por questões operacionais (facilidade, rapidez e custo).

Avaliação da gravidade

São propostos dois escores que reúnem variáveis clínicas, sendo eles o respiratory distress assessment instrument (RDAI) e o respiratory assessment abstract change score (RACS), são compostos por algumas apresentações clínicas, possuem boas propriedades discriminativas, mas não abrangem todos os determinantes da doença.

Tratamento

A evolução é benigna e sem necessidade de nenhuma intervenção na maioria dos pacientes. O tratamento geralmente é realizado em casa de forma sintomática. Aqueles que necessitam de hospitalização, frequentemente fazem uso de oxigenioterapia, ajuste hídrico e devem estar atentos para a identificação precoce de complicações associadas.

Tratamento não farmacológico

Procurar manter o lactente calmo e com mínimo manuseio, de preferência com a cabeceira do leito elevada. Em casos de obstrução nasal e rinorreia devem ser avaliadas a necessidade de higiene e aspiração. As medidas de isolamento de contato são obrigatoriamente requeridas.

Em quadro de agravamento do desconforto respiratório, frequências respiratórias > 60 a 70 irpm, é recomendado a suspensão da administração de líquidos e/ou alimentos pela via oral, principalmente na vigência de obstrução nasal devido ao risco de aspiração para o trato respiratório. A manutenção da oferta líquida diária parenteral, deve ser determinada por peso, idade ou superfície corpórea. Na presença de desidratação a oferta deve ser superior às de manutenção. Porém algumas situações (aumento da secreção de ADH, edema pulmonar etc.) podem exigir restrição do aporte diário.

Tratamento farmacológico

O oxigênio ofertado deve ser aquecido, umidificado, administrado preferencialmente por cânula nasal e realizado a monitorização da oximetria de forma contínua ou intermitente frequente, tolerando SpO2 > 90%. Os broncodilatadores, embora ainda sejam as drogas mais frequentemente prescritas para pacientes portadores de BVA, seus reais benefícios carecem de fundamentação e evidências científicas. A recomendação de uma utilização cautelosa, com manutenção justificada por resposta clínica observada.

A adrenalina inalatória é outra medicação frequentemente administrada para pacientes portadores de BVA. Ela possui propriedades beta e alfa-adrenérgicas, com potencial ação farmacológica para reduzir o extravasamento microvascular (capilar e pós-capilar), reduzir o edema sobre a mucosa brônquica e promover broncodilatação por relaxamento da musculatura brônquica. Sob a ótica de evidência, têm forte recomendação para que não sejam utilizados como rotina na BVA.

Soluções salinas hipertônicas (3%, 5% e 7%) administradas por via inalatória podem melhorar o clearance mucociliar de lactentes portadores de BVA. Do ponto de vista da evidência, a solução salina hipertônica tem recomendações para sua utilização, embora essas evidências sejam ainda fracas. Já os corticosteróides poderiam estar relacionados com uma possível melhora na inflamação, porém seus potenciais benefícios teóricos, não têm demonstrado eficácia no tratamento da BVA, sendo, por isso, contraindicados.

Autores, revisores e orientadores:

Autor(a) : José Edmilton Felix da Silva Junior – @edmiltonfelixjr

Autor (a): Katty Carolinne Ledo Vieira Felix – @kattyledo

Revisor(a): Daniela Louise Fernandes Alves – @_danielalouise

Orientador(a): Dra. Lara Cardoso – @laracardoso40

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências:

Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria. 4º ed. Barueri – SP: Manole, 2017.