Clínica Médica

Caso Clínico: Câncer de mama com sintomas leves | Ligas

Caso Clínico: Câncer de mama com sintomas leves | Ligas

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Aproveite esse material para estudar mais sobre câncer de mama com sintomas leves!

Apresentação do caso clínico

Paciente do sexo feminino, 54 anos, parda, casada, comerciante, católica, natural e procedente da cidade de Salvador, Bahia, chegou no ambulatório de clínica médica para uma consulta de rotina após 5 anos sem avaliação médica.

Paciente relata que nos últimos 5 meses tem sentido certo cansaço e ainda mais dificuldade para realizar tarefas do seu dia-a-dia, como varrer o chão e subir a ladeira da rua para chegar em casa, o que tem a deixado muito frustrada e desanimada. Ademais, também mencionou insônia e fogacho. Os sintomas têm sido bem tolerados pela paciente, mas mesma tem receio de que aumentem a frequência.

Paciente hipertensa em uso de Losartana, negou diabetes e dislipidemia. Refere consumo de álcool nos finais de semana desde os 20 anos, fazendo uso de 2 latas de cerveja, nega tabagismo e relata sedentarismo.

Paciente nega alergias, internações e hematotransfusões, relata ter passado por duas cesárias (há 30 e 32 anos), negou outras cirurgias.

Menopausa aos 50 anos, possui vida sexual ativa. G2 P2 A0, todos os partos cesárias. Menarca aos 12 anos, com 3 parceiros sexuais durante a vida.

Como histórico familiar, tem pai diabético e hipertenso, mãe falecida por câncer de mama aos 68 anos de idade. Marido teve diagnóstico de hepatite B há um ano e está em tratamento. Filhos hígidos.

O que foi constatado em exame?

Ao exame físico,

  • a paciente encontrava-se em bom estado geral,
  • lúcida e orientada em tempo e espaço,
  • hidratada,
  • hipocorada (++/IV),
  • eupneica,
  • acianótica,
  • anictérica.

Altura de 160 cm, peso de 70 kg e IMC de 27,3. Frequência cardíaca de 80 bpm, tensão arterial de 150/100 mmHg e frequência respiratória de 18 ipm.

Ao exame cardiovascular apresentou

  • precórdio calmo,
  • íctus não palpável,
  • bulhas rítmicas e normofonéticas em dois tempos,
  • sem extrassístoles ou sopros.

Ao exame do aparelho respiratório,

  • murmúrios vesiculares bem distribuídos em ambos os hemitórax, som claro pulmonar.
  • Abdome globoso as custas de panículo adiposo,
  • ruídos hidroaéreos audíveis nos quatro quadrantes sem visceromegalias,
  • fígado e baço não palpáveis e indolor à palpação superficial e profunda.
  • Apresenta discreto edema e presença de talangectasias em membros inferiores.

Ao exame ginecológico,

  • exame especular e toque vaginal sem alterações.
  • Mamas simétricas, sem retrações e sem drenagem de secreções pelos mamilos, espontânea ou à pressão.
  • Presença de nódulo de mais ou menos 2 cm de diâmetro, localizado no quadrante lateral superior da mama direita, indolor a palpação e de consistência firme.
  • Não se detecta linfonodomegalia à palpação das axilas.

A paciente foi orientada a realizar exames laboratoriais, no qual apresentou uma queda no número de hematócritos (32%) e hemoglobina (9,8 g/dL) e um aumento de PTH (149 pg/mL) e FSH (110 mUI/mL).

O que foi achado na mamografia e na ressonância magnética?

 Na mamografia, o principal achado foi a presença de um nódulo irregular de alta densidade radiológica, com margens espiculadas, apresentando microcalcificações de permeio, localizado no quadrante súperolateral da mama direita, medindo cerca de 21,0 x 9,0 mm. Regiões axilares livres, sem evidências de linfonodomegalias. Mama esquerda sem alterações dignas de nota.

A paciente também fez ressonância magnética confirmando o nódulo. A equipe médica, contudo, já possui o diagnóstico e está pronta para revelar à paciente e sua família, assim como para discutir o tratamento que será realizado.

Exemplo de mamografia da mama direita, evidenciando nódulo irregular de alta densidade.

Exemplo de ressonância magnética em corte axial, exibindo o nódulo da mama direita.

Questões para orientar a discussão           

1. Quais características esse nódulo possui que tornam a suspeita maligna?

Como visualizado na mamografia, o nódulo possui alta densidade radiológica, com formato irregular e margens espiculadas, apresentando microcalcificações de permeio. Sua localização também o torna suspeito de malignidade, já que o quadrante súperolateral da mama possui um maior índice de câncer.

2. Quais sinais e sintomas poderiam ser relatados pela paciente?

Pacientes com câncer de mama podem apresentar como sinais e sintomas, massas palpáveis, linfonodomegalias nas axilas, dores na mama, secreção mamilar, assimetria entre as mamas, aspecto casca de laranja (onde a mama se encontra mais áspera, com mudança de coloração para o alaranjado e há o aparecimento de pontos pretos).

3. Quais são os métodos de rastreamento de câncer de mama?

Os principais métodos de rastreamento do câncer de mama são o autoexame, o exame clínico e o exame de imagem. No autoexame se é observado o tamanho das mamas, sua simetria, contorno, a pele, condição do mamilo e é realizada também a palpação.

Durante o exame clínico são observados o parênquima mamário, o complexo areolopapilar, envelope de pele e linfonodos axilares e supraclaviculares.

O exame de imagem vai depender da idade da paciente, em mulheres mais jovens (abaixo de 40 anos), por possuir mama mais densa se utiliza a ultrassonografia, já em mulheres mais velhas, a mama apresenta maior quantidade de tecido adiposo, dessa forma o nódulo é melhor visualizado na mamografia.

4. Em qual categoria do Bi-Rads a paciente em questão se encontra?

A paciente em questão se encontra na categoria Bi-Rads 5

5. Quais são os possíveis tratamentos para câncer de mama? Explique dividindo-os em seus estágios.

Câncer de mama nos estágios I e II, como tratamento se é utilizada a cirurgia conservadora ou mastectomia, podendo-se fazer uso da radioterapia e uma possível reconstrução mamária.

No estágio III, é realizada a quimioterapia, a cirurgia conservadora, mastectomia e possível radioterapia. No estágio IV do câncer de mama, deve-se considerar os cuidados paliativos.

Responsáveis pela produção do caso clínico:

  • Liga Acadêmica de Cirurgia da Bahia – LACIR
  • Área: Clínica-cirúrgica oncológica e ginecologia
  • Autores: Júlia Magalhães Guitzel
  • Revisor(a): Gabriela Chaves Celino
  • Orientador(a): Dr Jorge Bastos