Área: Endocrinologia
Autores: Alice de
Carvalho Barbosa e Vasconcelos
Revisora: Naíse Lima Mourão Soares
Orientador: José Roberto Frota
Gomes Capote Júnior
Liga: Liga de
Endocrinologia e Metabologia de Sobral-LIEMS
Apresentação do caso clínico
L.F.R,65
anos,feminino,branca,viúva, agricultora, natural e procedente de Fortaleza. A
paciente chega ao ambulatório de endocrinologia, encaminhada pelo clínico
médico, devido à queixa de “dor nas costas há cerca de 5 anos”.
Paciente relata que, há 5 anos, começou a sentir dor em região lombar, de
maneira contínua e de intensidade leve (Escala Visual Analógica-3), que não
interferia nas suas atividades diárias. Com o tempo, porém, a sensação dolorosa
foi aumentando, começando a atrapalhar o seu trabalho e atingiu o pico há,
aproximadamente, 2 meses (Escala Visual Analógica-9) . A paciente nega doenças
graves ou crônicas, nega ter sofrido fraturas e apresenta caderneta de
vacinações atualizada. Ademais, refere uso de analgésicos de forma esporádica
na tentativa de aliviar a dor, mas sem sucesso. Relata que sua mãe, já falecida
por infarto agudo do miocárdio aos 80 anos, apresentava dores semelhantes as
suas e chegou, inclusive, a apresentar fratura de fragilidade no quadril.
Possui alimentação saudável e balanceada. Nega a realização de qualquer
atividade física, nega etilismo e afirma ser tabagista (30 maços/ano). Em
relação a sua história ginecológica, afirma ser G4P4A0, com menarca aos 14 anos
e menopausa aos 39 anos. Nega a realização de terapia de reposição hormonal e
uso de anticoncepcionais orais no menacme.
Em
relação ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, acianótica, afebril
e anictérica. Observa-se a presença de cifose. A avaliação antropométrica
revelou o seguinte resultado: peso- 50 Kg, altura-1,67m e IMC-17,9kg/m². A
altura da paciente no ano anterior foi de 1,66m, mostrando uma perda de altura
de um centímetro. A pressão arterial aferida foi de 120X80 mmHg, frequência
respiratória de 18 irpm, frequência cardíaca de 70 bpm. Sistemas respiratório,
cardíaco e nervoso sem alterações. Tireoide tópica, fibroelástica, indolor a
palpação e sem nódulos.
A
suspeita clínica foi de osteoporose e os seguintes exames foram solicitados:
cálcio sérico 8,5mg/dl (VR-8,5-10,2mg/dl), creatinina 1mg/dl (VR-0,5-1,1mg/dl),
hemograma sem alterações, 25 hidroxivitamina D 18 ng/ml (≤ 20 ng/mL é
considerado deficiência de vitamina D e um valor entre 21-29 ng/mL é
classificado como insuficiência de vitamina D), calciúria 24 horas 90mg/24h
(VR- 100-300mg/24h) e radiografia convencional de coluna torácica e lombar que
mostrou fratura vertebral. Além disso, foi solicitado a densitometria óssea que
revelou um T escore menor que -2,5 DP, confirmando o diagnóstico de
osteoporose.
O
tratamento farmacológico instituído foi o uso de bifosfonatos, como o
Alendronato.
Questões para orientar a discussão
1.
Quais os fatores de risco que a paciente apresenta para o desenvolvimento de
osteoporose?
2.
Quais as indicações para a realização de densitometria óssea em mulheres?
3.
Há maneiras de prevenir a osteoporose? Como?
4.
Além do uso de bifosfonatos, quais seriam as outras medidas necessárias para
conduzir essa paciente?
5.
Por que não seria recomendado fazer a terapia de reposição hormonal nessa
paciente?
Respostas
1. – Idade da paciente, que se encontra na pós-menopausa e o fato
de não ter feito reposição hormonal, levando a um estado de hipoestrogenismo. É
importante ressaltar que o estrogênio estimula a produção de osteoprotegerina,
a qual se liga ao RANKL, impedindo que ele se ligue ao seu receptor,
consequentemente, o estrogênio reduz a diferenciação dos osteoclastos;
– O fato de a paciente ser mulher;
– O fato de a paciente ser branca;
– História familiar de fratura de fragilidade;
– Sedentarismo;
– Tabagismo, que pode levar à redução da massa óssea e, desse
modo, aumentar o risco de fraturas;
-Baixo peso (IMC< 18 kg/m2);
-Perda de altura maior ou igual a 0,5cm em um ano.
2. -Mulheres com idade igual ou superior a 65 anos;
– Mulheres pós-menopausadas ou na transição menopausal com fator
de risco para baixa massa óssea, como baixo peso, antecedentes de fratura, uso
de medicamento de alto risco ou doença ou condição associada à perda de massa
óssea;
– Adultos com fratura por fragilidade prévia;
– Adultos que fazem uso de medicamento os quais estão relacionados
à baixa massa óssea ou à perda óssea;
– Adultos com antecedente de doença ou condição clínica associada
à baixa massa óssea;
– Indivíduos para os quais são consideradas intervenções
farmacológicas para osteoporose;
– Indivíduos em tratamento da osteoporose;
-Indivíduos ainda sem tratamento, o qual poderá ser determinado
pela identificação de perda de massa óssea;
– Mulheres que estão descontinuando a terapia de reposição
hormonal.
3. Sim. A prevenção da osteoporose deve se iniciar na infância com uma
dieta equilibrada, contendo alimentos ricos em cálcio, como leite, queijo e
sardinha; adequada exposição solar para a produção de vitamina D e realização
de atividades físicas de maneira regular.
4.
É importante orientar
adequada ingestão de cálcio, preferencialmente por via alimentar. Se não for
possível, é necessário suplementar a dieta com comprimidos de cálcio. A ingesta
diária recomendada em mulheres na pós-menopausa
é de 1200mg/dia. Se a paciente não possuir uma exposição solar adequada e suficiente,
recomenda-se a suplementação de vitamina D, a fim de manter sua concentração
acima de 30ng/ml. Torna-se imprescindível, ainda, a realização de mudanças no
estilo de vida, com a prática de exercícios de resistência, como a musculação
e, se não for possível, outros exercícios estão indicados, por exemplo, a hidroginástica
30 minutos por dia, 5 vezes na semana. Deve-se desencorajar o tabagismo e
prevenir as quedas, por meio de uso de calçados adequados, instalação de
corrimão em casa, uso de tapete antiderrapante e de barras de apoio no banheiro
e boa iluminação da casa.
5. Porque a paciente não possui sintomas climatéricos e a terapia de reposição hormonal não deve ser indicada unicamente com a finalidade de tratamento da osteoporose. Além disso, é importante destacar que o início da terapia hormonal deve ser feito até os 60 anos ou nos primeiros 10 anos da menopausa.