Infectologia

Raiva em humanos: sintomas, tratamento e prevenção

Raiva em humanos: sintomas, tratamento e prevenção

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Nos últimos dias, a confirmação e a suspeita de casos de raiva em humanos em Minas Gerais ganhou destaque em jornais brasileiros. O 1º caso foi o de um garoto, de 12 anos, que faleceu no dia 4 de abril. Já o 2º caso confirmado é o de uma garota, de 12 anos, que está hospitalizada em Belo Horizonte.

O que os dois casos confirmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) têm em comum? Ambos são indígenas que habitam a área rural de Bertopólis, no Vale do Mucuri.

Para o Dr. Álvaro Furtado, médico infectologista do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, este quadro revela as desigualdades no acesso à saúde pública no Brasil.

“A população indígena é vulnerável às doenças infecciosas, pela falta de acesso aos serviços de saúde e pelas distâncias percorridas para chegar até os serviços”, disse.

O infectologista também destacou a proximidade dessas populações aos nichos de alguns animais silvestres que podem transmitir raiva como outro fator de risco.

Os outros dois casos em análise pela SES também envolvem duas crianças residentes da cidade mineira:

  • Uma menina, de 11 anos, que tem parentesco com um dos casos confirmados;
  • Um menino, de 5 anos, que morreu no dia 17 deste mês sem sintomas da doença. Por morar na região, a Secretaria optou pela análise.

A raiva no Brasil

Segundo boletim do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, de 2010 a 2020, 40 casos de raiva humana. 50% desses casos foram causados por morcegos. 

No gráfico abaixo, vemos as taxas de incidência da raiva humana de 1986 a 2021:

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Fonte: SVS/MS

Por não fazer parte do cotidiano dos brasileiros, a doença é cercada pela desinformação.

Pensando nisso, preparamos um beabá do que é a raiva em humanos, abordando suas características e as especificidades do caso.

O que é a raiva humana?

A raiva humana é uma doença infecciosa que se caracteriza por possuir a maior alta taxa de letalidade desta classe. 

É transmitida para humanos por meio da inoculação do vírus rábico presente em salivas e secreções de mamíferos infectados, como:

  • Morcegos;
  • Felinos;
  • Cães;
  • Raposas.

Por possuir letalidade de, aproximadamente, 100%, a raiva é compreendida pelas autoridades sanitária com o mais alto grau de importância.

Segundo Furtado, este grau de letalidade faz com que o atendimento tenha que ser imediato, demandando capacitação dos profissionais de saúde e a implantação de um processo educativo no programa de raiva.

Isso explica a análise da SES-MG analisar das suspeitas, ainda que não houvessem indicações claras da presença da doença nos pacientes. 

A doença ataca o Sistema Nervoso Central, o que explica a rápida evolução e os recorrentes óbitos da doença. Não existem condutas terapêuticas agressivas que possam ser usadas nesses casos.

Sintomas da raiva em humanos

Na fase inicial, a raiva é dificilmente identificada, possuindo sintomas semelhantes ao da gripe, como:

  • Febre;
  • Náuseas;
  • Dor de garganta;
  • Mal-estar;
  • Dor de cabeça.

No local de contato com a saliva do animal infectado, podem surgir coceiras, dores e coceira.

Sua incubação pode durar de 1 a 3 meses, variando de acordo a região da mordida, arranhadura e tamanho.

Características menos aparentes, como a concentração de partículas virais inoculadas também influenciam no período de incubação.

Quando avança para estágios mais avançados, a raiva pode se manifestar de duas diferentes formas´: encefalítica ou paralítica.  Nesses casos, os sintomas são mais específicos:

  • Persistência da febre
  • Espasmos
  • Hipersalivação
  • Flutuação da consciência

Como se prevenir da raiva humana?

Não existe cura específica para a raiva. O indicado é higienizar o local logo após o contato com o mamífero e buscar uma Unidade de Saúde.

Na esfera da saúde pública, a raiva é combatida através da vacinação anti-rábica de cães e gatos e com a capacitação da população com relação aos riscos de transmissão, com animais do ambiente urbano e rural.

É importante que as pessoas entendam os acidentes que podem acontecer, as situações de risco e quais profissionais elas devem procurar.

Além disso, é fundamental que haja a capacitação de quem atende as vítimas de mordedura e acidente com esses animais e que eles compreendam o fluxograma do protocolo de raiva.

Para Álvaro, esse é um dos principais desafios, já que “muitos locais onde acontecem acidentes como este não possuem estrutura de saúde consolidada”.

A vacinação dos animais, que, por serem domésticos, fazem parte do convívio humano intensamente, deve ser feita anualmente.

Com a criação do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR), em 1973, os casos de raiva em humanos no Brasil diminui anualmente.

Por ser um ponto fora da curva, os casos de Minas Gerais ganharam destaque na imprensa e no debate público.

Referências

  • Saúde de A a Z: Raiva – Ministério da Saúde
  • CNN

Sugestão de leitura complementar