Oftalmologia

Conjuntivite alérgica: Resumo com mapa mental | Ligas

Conjuntivite alérgica: Resumo com mapa mental | Ligas

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Definição               

A conjuntivite alérgica é definida como uma resposta inflamatória causada por uma reação de hipersensibilidade tipo 1 e/ou tipo IV, após exposição a um alérgeno. O paciente geralmente tem história de atopia, possuindo também doenças alérgicas sistêmicas, como rinite alérgica, asma ou dermatite atópica.

A gravidade da reação alérgica se relaciona à intensidade da resposta inflamatória. Os achados diagnósticos são importantes, à medida que podem fazer diagnóstico diferencial.

Epidemiologia e Classificações

A conjuntivite alérgica acomete cerca de 20% da população, sendo considerada de alta prevalência. É responsável pela diminuição da qualidade de vida de um grande número de pacientes, já que os sintomas causam incômodo e podem ocorrer complicações. É uma doença subdiagnosticada, pois ainda poucos pacientes procuram um oftalmologista. Desse modo, a automedicação é bem frequente.

As formas leves são responsáveis por cerca de 98% dos casos e caracterizam-se por duas síndromes: a conjuntivite alérgica perene (CAP), que causa sintomas ao longo do ano; e a conjuntivite alérgica sazonal (CAS), que é a mais comum e piora durante a primavera e o verão. Já as formas crônicas e graves são divididas em: ceratoconjuntivite vernal (CCV) e ceratoconjuntivite atópica (CCA).

Fisiopatologia

A fisiopatologia está relacionada a ativação de linfócitos Th2, mastócitos e eosinófilos. Tem início quando pacientes predispostos geneticamente entram em contato com alérgenos ambientais que são fatores desencadeantes, como pelos de animais, pólen, ácaros, esporos de fungos e poluentes. Células dendríticas (CD) não linfoides presentes na superfície ocular fazem o processamento antigênico, iniciando a resposta alérgica. Depois de processado o antígeno, a célula dendrítica inicia a liberação de interleucinas inflamatórias como fator de necrose tumoral IL-1 e IL-6, bem como aumenta a expressão de proteínas de superfície (CCR7, MHC-II), importantes na migração para órgãos linfáticos periféricos e apresentação antigênica aos linfócitos Th0 via MHC II.

Posteriormente, os linfócitos Th0 transformam-se em Th2, produtores de IL-4, IL-5 e IL-13, que são interleucinas responsáveis pela ativação e transformação de linfócitos B em plasmócitos produtores de IgE. Uma vez produzida, a IgE específica circula e liga-se a receptores de alta afinidade presentes na membrana dos mastócitos da superfície ocular.  

Na reexposição antigênica, os mastócitos sensibilizados degranulam liberando mediadores como histamina e triptase que causam clinicamente os sintomas após ligação aos receptores. Esta é uma resposta que ocorre rapidamente após a exposição ao alérgeno e dura cerca de 30 minutos. Após a liberação dos grânulos pré-formados, a ativação do metabolismo do ácido aracdônico via fosfolipase A2 na membrana dos mastócitos leva a produção prostaglandinas e leucotrienos, responsáveis pela resposta tardia, 4 a 6 horas após resposta inicial, com reaparecimento de sintomas inflamatórios e infiltração de neutrófilos e eosinófilos.

As interleucinas IL-4, IL-5, IL-6, IL-8, IL-13 produzidas por linfócitos Th2 e mastócitos ativados, presentes na superfície ocular, favorecem a maturação, migração e ativação dos eosinófilos. A inflamação eosinofílica causa dano tecidual através de uma série de proteínas liberadas e são responsáveis pelo remodelamento da superfície ocular e manutenção dos sintomas nas conjuntivites crônicas.

Quadro clínico

Os pacientes referem um quadro clínico bilateral de:

– prurido ocular intenso

– hiperemia conjuntival

– lacrimejamento hialino

– edema palpebral

– fotofobia leve

Rinite concomitante é bem comum (espirros e secreção nasal).

CONJUNTIVITE ALÉRGICA
Fonte: Manual de doenças oculares do Wills Eye Hospital: diagnóstico e tratamento no consultório e na emergência, 2015.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico. O exame oftalmológico revela pálpebras edematosas e avermelhadas, hiperemia conjuntival difusa, quemose e papilas conjuntivais gigantes.  Investigações geralmente não são realizadas, mas o diagnóstico etiológico em conjuntivites mediadas por IgE pode ser feito através de testes cutâneos com leitura imediata, pesquisa de IgE específica sérica ou provocação conjuntival com alérgenos.

tratamento CONJUNTIVITE ALÉRGICA
Fonte: https://saude.ig.com.br/2019-08-10/6-sinais-de-que-voce-precisa-ir-ao-oftalmologista-o-mais-rapido-possivel.html

Tratamento

– Medidas gerais de controle de ambiente para remover o agente desencadeante.

– Compressas frias várias vezes ao dia.

– Lubrificantes oculares (lágrimas artificiais) para controlar a disfunção do filme lacrimal.

– Anti-histamínicos tópicos na forma de colírio, que bloqueiam a ação da histamina sobre seus receptores.

– Estabilizadores da membrana de mastócitos, que previne a liberação de histamina.

– Medicamentos de dupla ação: anti-histamínicos + estabilizadores de membrana. São amplamente utilizados. Exemplo: Olopatadina.

– Anti-histamínicos orais em casos moderados e graves.

Autores, revisores e orientadores:

Autor(a) : Júlia Carolina Beling – @juliacbeling

Revisor(a): Raíza Pereira – @raizapereira

Orientador da liga: Dr. André Portes

Referências:

GERSTENBLITH, Adam T; RABINOWITZ, Michael P. Manual de doenças oculares do Wills Eye Hospital: diagnóstico e tratamento no consultório e na emergência. 6 ed.  – Dados eletrônicos – Porto Alegre, Artmed 2015.

SANDRIN, Leda das Neves Almeida; SANTO, Ruth Miyuki. Perspectivas no tratamento da alergia ocular: revisão das principais estratégias terapêuticas. Revista Brasileira de Oftalmologia [online]. 2015, v. 74, n. 5, pp. 319-324. Disponível em: . Acesso em: 16 outubro 2021.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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