Oftalmologia

Descolamento de retina: o que causa e qual a melhor forma de tratar? | Colunistas

Descolamento de retina: o que causa e qual a melhor forma de tratar? | Colunistas

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Imagem de perfil de Claudio Afonso Peixoto

Que a retina faz parte dos olhos e tem sua importância na visão todos já sabemos e fomos ensinados logo cedo na escola. Mas, afinal, o que é retina?

O que é Retina?

Trata-se de uma fina camada de tecido nervoso que é fotossensível e consegue converter a luz em estímulo nervoso que será interpretada como imagem no cérebro.

Ao todo são dez as camadas que compõem o olho, se destacando o epitélio pigmentário e a camada sensorial, onde se localizam fotossensores.

Como é a sua Anatomia?

Certo, já sei que a retina é a responsável por converter os estímulos de luz em estímulos nervosos e que fica na parte posterior, mas como é a retina em si? Essa estrutura é composta por cinco diferentes tipos de neurônios:

  • células ganglionares (das quais os axônios formarão o nervo óptico),
  • as células bipolares,
  • os fotorreceptores (os famosos cones e bastonetes),
  • as células horizontais e
  • as células amácrinas.

Além de cinco tipos celulares, a retina possui também cinco camadas (as quais são recobertas pelo epitélio pigmentar da retina – EPR). Anteriormente a ela temos o vítreo e posteriormente, posteriormente o coróide e a esclera.

Figura 1 – Camadas da retina sensorial
Fonte: Fensterseifer, 2014.
Figura 2 – Anatomia do Olho
 Fonte: Fensterseifer, 2014.

O que é descolamento de retina?

Ótimo, já estou entendendo mais sobre o olho e a retina, mas o que é esse tal descolamento? Definido como “a separação da retina sensorial do epitélio pigmentar da retina pela presença de fluido sub-retiniano” (Fensterseifer, 2014.).

Essa patologia ocorre quando o epitélio pigmentar da retina e todas aquelas camadas de células neuronais se separam, e isso ocorre pela junção de líquidos nesse espaço. Esse descolamento pode ser classificado em: regmatogênico e não regmatogênico.

Durante esse artigo, abordarei mais sobre as consequências e caracterizarei melhor sobre cada um desses tipos, mas, já adiantando, quando há essa separação entre vítreo e EPR, haverá lesões em rasgaduras observáveis que geralmente são pequenas. 

Essas rasgaduras podem gerar múltiplos quadros clínicos, mas os sintomas mais comuns são: pontos flutuantes que aparecem subitamente ou moscas volantes.

Descolamento de Retina Regmatogênico

Trata-se da forma mais comum da doença e ocorre devido a uma rasgadura na retina sensorial.

Por que isso ocorre?

Decorrente do acúmulo de líquido entre a retina neurossensorial e o vítreo em consequência a algum rasgo retiniano associado a tração vítrea, a causa mais comum dessa condição é o descolamento vítreo posterior, quando o líquido proveniente da lesão se acumula naquele sítio. Nessa condição, apareceram sintomas principalmente quando houver fluido subretiniano em excesso.

Geralmente, o quadro completo se instala em uma semana, mas pode levar até mesmo 3 meses. Relaciona-se a idade (50-75 anos), miopia, traumas e cirurgias oculares prévias condições que podem levar a situações que pioram a situação como a liquefação do vítreo quando falando de idade.

O paciente tem algum sintoma?

  • Perda de acuidade visual (parcial ou total iniciando perifericamente;
  • “Moscas volantes” (floaters);
  •  Flashes luminosos (fotopsias) perdurando por segundos e associadas ao movimento ocular, decorrem da tração da retina sensorial pelo vítreo;
  • Hemorragia vítrea e borramento visual, decorrente a rompimento de vasos sanguíneos por roturas extensas.

Como diagnosticar?

Diagnosticado por meio da fundoscopia, ou como é popularmente conhecido, o exame de fundo de olho, contudo, quando se identifica opacidade é preferível a realização de ultrassonografia ocular para o claro diagnóstico.

Neste exame é possível visualizarmos macrófagos tentando conter as células do epitélio pigmentar retiniano, que são as células pigmentares (ditas “poeira de tabaco”).

Quando houver descolamento vítreo posterior, podemos observar por meio do exame a superfície de descolamento posterior hialóide às margens do nervo óptico, um achado patognomônico. Além do mais observam-se as roturas, as quais se apresentam como descontinuidades vermelhas encontradas em todos os quadrantes.

Como tratar?

Inicialmente realiza-se o tratamento profilático naqueles pacientes que apresentam risco para o desenvolvimento da condição, essa profilaxia é feita por meio de fotocoagulação à laser ou crioterapia ao redor de todas as lesões de roturas retinianas ou degenerações periféricas observadas à fundoscopia.

Quando a profilaxia é falha e mesmo com essas condutas clínicas ocorre o descolamento, a vitrectomia posterior figura como a cirurgia de escolha.

Descolamento de Retina Não Regmatogênico

Trata-se de uma forma menos comum da doença.

Descolamento Tradicional

Sendo o segundo tipo de descolamento de retina mais comum, é visto principalmente em pacientes com retinopatia diabética proliferativa e retinopatia da prematuridade, ou seja, vítreos retinopatias proliferativas.

Nesse caso, há uma contração do vítreo que é progressiva e consequente tração da retina em áreas de adesão consequentes a proliferação fibrovascular contínua, sendo um descolamento tracional.

Esse mesmo caso pode ocorrer em pacientes com traumas oculares perfurantes que desenvolvem banda fibrótica retiniana. O tratamento dessa patologia se dá por meio de cirurgia vitreorretiniana.

Descolamento Exsudativo

Também denominado seroso ou secundário. Neste caso, o descolamento da retina acontece de forma secundário ao acúmulo de fluido sub-retiniano, por inflamação ou condições tumorais. Nesse caso o tratamento se dará pela correção da causa base.

Conclusão

Concluindo, com este artigo espero ter conseguido demonstrar a importância de conhecermos o olho e suas patologias, mais especificamente sobre como o descolamento de retina pode afetar a vida do paciente e trazer consequências desastrosas.

Espero que eu tenha contribuído para melhorar seu atendimento clínico e sua prática médica diária! Bons estudos, querido(a) leitor(a)!

Autor: Claudio Afonso Caetano Pereira Peixoto

Instagram: @claudioafon

Referências

 Kanski. Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática / Brad Bowling. – 8. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

FENSTERSEIFER, Giovana Serrão; REFOSCO, Laura Medeiros; VARGAS, José Amadeu. Descolamento de retina. Acta méd. (Porto Alegre), 2014.

PAIVA, Christovão et al. Descolamento de retina. 2018.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.