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Escore Internacional de Sintomas Prostáticos e sua aplicação na HPB | Colunistas

Escore Internacional de Sintomas Prostáticos e sua aplicação na HPB | Colunistas

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Verônica Kasper

7 minhá 61 dias

Para que serve o IPSS? Sabe qual sua importância na prática clínica? Como utilizar deste escore para o manejo dos pacientes?

Pois bem, logo abaixo vou te explicar direitinho o que é, por que utilizá-lo e como interpretá-lo, a fim de facilitar a prática clínica!

O que é o IPSS?

O Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS – International Prostate Symptom Score), trata-se de um escore desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde visando monitorar, diagnosticar e direcionar o tratamento de pacientes portadores de hiperpalsia prostática benigna. É um questionário autoaplicado, ou seja, a pontuação é feita de acordo com a percepção dos sintomas pelo paciente.

Por quê utilizar o IPSS?

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das patologias mais comuns em homens acima dos 50 anos e com o envelhecimento da população há um aumento da prevalência. Na HBP ocorre a hiperplasia das células epiteliais e do estroma da próstata, formando um tecido nodular adenomatoso, e esse aumento celular pode cursar com sintomas do trato urinário inferior, como polaciúria, noctúria ou tenesmo vesical. 

Apesar de se tratar de uma doença benigna, o aumento prostático pode interferir na qualidade de vida dos pacientes e, quando não tratada, pode levar a retenção urinária, hidronefrose e insuficiência renal.

Ao deparar-se com um paciente com sintomas sugestivos de HPB, durante a avaliação incial, a aplicação IPSS se faz imprenscindível para o reconhecimento de sintomas obstrutivos e irritativos, bem como a interferência da doença sobre a qualidade de vida dos pacientes – fator determinante na conduta médica. A partir do escore é possível determinar se o tratamento será expectante, farmacológico ou cirúrgico.

Como utilizar o IPSS?

O IPSS é baseado em oito perguntas, sendo que sete delas são em relação aos sintomas da doença e uma pergunta é relativa à interferência da HPB na qualidade de vida do paciente.

Para as perguntas dos sintomas, é pedido que o paciente escolha a avaliação que representa melhor sua condição no último mês. A escala varia de 0 a 5, sendo 5 quando a ocorrência do sintoma é máxima e 0 quando não há nenhum sintoma. A oitava pergunta diz respeito à qualidade de vida e também vai de 0 a 5, sendo 0 terrível e 5 excelente. A pontuação máxima é de 35.

Fonte: AVERBECK, (2010)

Como interpretar

De acordo com a pontuação classificamos os sintomas em leves (0-7 pontos), moderados (8-19 pontos) e graves (20-35 pontos). A partir daí, em consenso com o paciente, estabelecemos o tratamento.

Antes de falarmos sobre a classificação dos sintomas e os tipos de tratamento, é válido salientar que existem medidas comportamentais que auxiliam na retenção dos sintomas e devem sempre ser destacadas pelo médico: redução do álcool, café e cigarros, devido aos seus efeitos diuréticos e irritativos na bexiga, redução de ingesta de líquidos à noite, visando diminuir a noctúria, e a prática de exercícios para treinamento vesical, a fim de possibilitar um esvaziamento vesical mais efetivo.

  • Em pacientes assintomáticos, sintomas leves e sem complicações: pode-se optar por uma conduta expectante. Importante salientar que, com o passar do tempo, os sintomas podem aumentar, sendo necessário alterar a conduta.
  • Em pacientes com sintomatologia moderada: a terapia farmacológica é uma boa opção em pacientes com sintomas leves, mas que apresentam diminuição na qualidade de vida, e em pessoas com sintomas moderados a graves.
  • Em pacientes com sintomatologia grave: terapia medicamentosa inicialmente + terapia cirúrgica, após tentativa de medicações. Existem situações em que a indicação cirúrgica é absoluta, são elas: retenção urinária aguda, ITU de repetição, hematúria macroscópica persistente, litíase vesical, insuficiência renal e divertículos vesicais.

Atualmente, dentre as opções de medicamentos disponíveis, temos os α-bloqueadores (doxasosina, tansulosina, terazosina, alfusozina), inibidores da 5-α-redutase e os anticolinérgicos (oxibutinina, tolterodina, solifenacina).A terapia combinada de α-bloqueadores e inibidores da 5-α-redutase é indicada somente quando o paciente apresenta alto risco de progressão, sintomas graves (pontuação superior ou igual a 20 no IPSS) ou quando não há resposta com monoterapia. A interação entre esses medicamentos pode levar a hipotensão, sendo recomendado a tomada com um intervalo de 4 horas entre eles.

O tratamento cirúrgico é diverso. Existem terapias que vão desde a ablação prostática com agulha transuretral e termoterapia transuretral com micro-ondas, de caráter minimamente invasivo, até a ressecção transuretral da próstata (padrão ouro dentre as terapias cirúrgicas) e prostectomia aberta, que são consideradas mais invasivas.

Atenção!

O diagnóstico de hiperplasia prostática benigna é principalmente clínico e baseado na presença de sintomas de trato urinário inferior somado ao exame digital da próstata, que nem sempre se apresenta aumentada ao toque. A gravidade dos sintomas não está relacionada necessariamente ao tamanho da próstata. Deve-se realizar uma história clínica bem detalhada, questionando a presença de ITU recorrente, disfunção sexual, hematúria, doenças neurológicas, cirurgias prévias, cálculo vesical e história familiar de câncer de próstata.

A realização de exames complementares pode auxiliar na exclusão de outros diagnósticos. Pode-se solicitar:

  • PSA total sérico – para saber como e quando solicitar este exame, acesse: https://www.sanarmed.com/quando-devo-pedir-o-psa-colunistas;
  • Exame qualitativo de urina (EQU), buscando excluir infecções e hematúria;
  • Creatinina/taxa de filtração glomerular para avaliação da função renal (especialmente em pacientes com sintoma de retenção urinária).

Conclusão

A criação do IPSS veio para facilitar a vida dos clínicos/urologistas e sua interpretação está diretamente relacionada ao manejo adequado dos pacientes portadores de HPB. Por meio de uma pontuação autoaplicada pelo paciente, é possível quantificar as queixas em sintomas em leves (0-7 pontos), moderados (8-19 pontos) e graves (20-35 pontos). A partir daí, levando sempre em consideração uma decisão compartilhada e individualizada, estabelecemos o tratamento. Sendo a HPB uma doença muito prevalente em homens a partir da 5ª década de vida, a utilização do IPSS se faz essencial para o entendimento dos sintomas e, posteriormente, a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

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Referências:

Hiperplasia prostática benigna UFRGS – https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/urologia_resumo_hiperplasia_prostatica_benigna_TSRS.pdf

Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS – International Prostate Symptom Score)  UFRGS – https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/urologia_escore_internacional_sintomas_prostaticos_TSRS2.pdf

KOFF, W. J. Doenças comuns em urologia. In: DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J.; et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 1835.

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