Cardiologia

Manobra vagal: mecanismo contra arritmias | Colunistas

Manobra vagal: mecanismo contra arritmias | Colunistas

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Isabela Simões

3 minhá 398 dias

As manobras vagais são recursos simples e não invasivos usados para controle do sistema nervoso autônomo parassimpático vagal. São empregadas em diferentes contextos: diagnóstico (como diferenciar taquicardia supraventricular estável, TVS, e taquicardias ventriculares) e no tratamento de arritmias, como TVS.

Entre os principais tipos, tem-se massagem no seio carotídeo e manobra de Valsalva.

FISIOLOGIA

O seio carotídeo fica entre as artérias carótidas interna e externa. A massagem aciona o reflexo barorreceptor e causa aumento pressórico pela estimulação vagal (NC X).

O aumento transitório da pressão arterial nos seios carotídeos e no arco aórtico obtido após as manobras vagais é dado pelo reflexo barorreceptor.

O reflexo aumenta o débito parassimpático no coração pelo nervo vago (NC X), por meio da transmissão aferente do nervo glossofaríngeo (NC IX) ao núcleo do trato solitário na medula.

Os núcleos vagais da medula enviam resposta parassimpática eferente pelo nervo vago direito, que estimula o nó sinoatrial, e esquerdo, que inerva o nó atrioventricular.

Desse modo, há redução da frequência cardíaca, podendo retardar ou mesmo interromper taquiarritmia.

COMO É FEITO

Massagem do seio carotídeo: coloca-se o paciente em decúbito dorsal com o pescoço estendido e girado; palpa-se o pulso no seio carotídeo (a nível da cartilagem tireóidea e próxima ao ângulo da mandíbula, anterior ao m. esternocleidomastoideo) e pressiona-se com os dedos continuamente fazendo movimentos circulares por 5 a 10 segundos. Pode ser feita bilateralmente em caso de insucesso, porém apenas após 1 minuto, nunca ao mesmo tempo.

Manobra de Valsalva: mais utilizada em PS, é feito aumento voluntário da pressão intratorácica por meio da expiração forçada contra a glote fechada. Faz-se rápida inspiração seguida de expiração forçada por 15 segundos com o paciente em decúbito dorsal num ângulo de 45º. Ademais, pode-se solicitar que o paciente sopre uma seringa de 10 mL até a movimentação do êmbolo entre 10 e 15 segundos e, a pacientes pediátricos, que assoprem o polegar.

Manobra de Valsalva modificada: considerada mais eficaz que a tradicional, faz-se pela expiração forçada em posição vertical, logo após, o paciente é colocado em decúbito dorsal e é feita elevação passiva dos membros inferiores de 45 segundos a 1 minuto (ainda com a expiração forçada ocorrendo) para que haja aumento do retorno venoso.

São necessários ECG contínuo de 12 derivações, monitoramento de telemetria, monitor cardíaco, oximetria de pulso, monitor de pressão arterial, linha intravenosa, oxigênio e carro de choque.

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

São indicadas para terapêutica de TSV em pacientes hemodinamicamente estáveis.

Contraindica-se a pacientes com TVS instável (é indicada a cardioversão sincronizada emergente). A massagem no seio carotídeo é contraindicada a pacientes com sopro carotídeo, histórico de evento isquêmico, taquicardia ventricular, fibrilação ventricular e IAM nos últimos 3 meses. Não há contraindicações específicas à manobra de Valsalva, desde que o paciente seja capaz de obedecer a comandos.

RESULTADOS

Espera-se evitar intervenções invasivas, caras e potencialmente perigosas, tais quais sedação, cardioversão elétrica e administração medicamentosa com o uso das manobras vagais no manejo de arritmias.

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