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Manobra vagal: mecanismo contra arritmias | Colunistas

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As
manobras vagais são recursos simples e não invasivos usados para controle do
sistema nervoso autônomo parassimpático vagal. São empregadas em diferentes
contextos: diagnóstico (como diferenciar taquicardia supraventricular
estável, TVS, e taquicardias ventriculares) e no tratamento de arritmias,
como TVS.

Entre
os principais tipos, tem-se massagem no seio carotídeo e manobra de
Valsalva
.

FISIOLOGIA

O
seio carotídeo fica entre as artérias carótidas interna e externa. A massagem
aciona o reflexo barorreceptor e causa aumento pressórico pela estimulação
vagal (NC X).

O
aumento transitório da pressão arterial nos seios carotídeos e no arco aórtico
obtido após as manobras vagais é dado pelo reflexo barorreceptor.

O
reflexo aumenta o débito parassimpático no coração pelo nervo vago (NC X), por
meio da transmissão aferente do nervo glossofaríngeo (NC IX) ao núcleo do trato
solitário na medula.

Os
núcleos vagais da medula enviam resposta parassimpática eferente pelo nervo
vago direito, que estimula o nó sinoatrial, e esquerdo, que inerva o nó
atrioventricular.

Desse
modo, há redução da frequência cardíaca, podendo retardar ou mesmo interromper
taquiarritmia.

COMO É FEITO

Massagem
do seio carotídeo:
coloca-se o paciente em decúbito dorsal
com o pescoço estendido e girado; palpa-se o pulso no seio carotídeo (a nível
da cartilagem tireóidea e próxima ao ângulo da mandíbula, anterior ao m.
esternocleidomastoideo) e pressiona-se com os dedos continuamente fazendo
movimentos circulares por 5 a 10 segundos. Pode ser feita bilateralmente em
caso de insucesso, porém apenas após 1 minuto, nunca ao mesmo tempo.

Manobra
de Valsalva:
mais utilizada em PS, é feito aumento
voluntário da pressão intratorácica por meio da expiração forçada contra a
glote fechada. Faz-se rápida inspiração seguida de expiração forçada por 15
segundos com o paciente em decúbito dorsal num ângulo de 45º. Ademais, pode-se
solicitar que o paciente sopre uma seringa de 10 mL até a movimentação do
êmbolo entre 10 e 15 segundos e, a pacientes pediátricos, que assoprem o
polegar.

Manobra
de Valsalva modificada:
considerada mais eficaz que a tradicional,
faz-se pela expiração forçada em posição vertical, logo após, o paciente é
colocado em decúbito dorsal e é feita elevação passiva dos membros inferiores
de 45 segundos a 1 minuto (ainda com a expiração forçada ocorrendo) para que
haja aumento do retorno venoso.

São
necessários ECG contínuo de 12 derivações, monitoramento de telemetria, monitor
cardíaco, oximetria de pulso, monitor de pressão arterial, linha intravenosa,
oxigênio e carro de choque.

INDICAÇÕES
E CONTRAINDICAÇÕES

São
indicadas para terapêutica de TSV em pacientes hemodinamicamente estáveis.

Contraindica-se
a pacientes com TVS instável (é indicada a cardioversão sincronizada
emergente). A massagem no seio carotídeo é contraindicada a pacientes com sopro
carotídeo, histórico de evento isquêmico, taquicardia ventricular, fibrilação
ventricular e IAM nos últimos 3 meses. Não há contraindicações específicas à
manobra de Valsalva, desde que o paciente seja capaz de obedecer a comandos.

RESULTADOS

Espera-se evitar intervenções invasivas, caras e potencialmente perigosas, tais quais sedação, cardioversão elétrica e administração medicamentosa com o uso das manobras vagais no manejo de arritmias.

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