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Nervosismo: tudo que você precisa saber e como controlar

Nervosismo: tudo que você precisa saber e como controlar

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Entenda melhor sobre o nervosismo e como cuidar do seu paciente com esse sintoma! Bons estudos!

O nervosismo é uma das queixas mais comuns não apenas no consultório psiquiátrico, mas clínico de maneira geral. Diante disso, o Brasil se mostra um dos países mais expressivos nesse quesito.

Por isso, aprender a cuidar do paciente com nervosismo é essencial já para o(a) médico(a) recém-formado.

O que é o nervosismo?

O nervosismo é um estado mental de excitação negativa. Ou seja, vem acompanhado de queixas como irritabilidade e agitação.

Diante disso, é importante entendermos como o nervosismo tem se tornado um personagem frequente e diário na vida dos brasileiros. Isso se torna especialmente relevante quando pensamos no contexto da pandemia de COVID-19 e na dinâmica de uma vida agitada, cheia de demandas.

Por isso, podemos ainda comparar o nervosismo a uma angústia e inquietude deflagrada por gatilhos individuais. Assim sendo, essa individualidade por repercutir com uma série de apresentações associadas ao sintoma, como veremos.

É importante ressaltar que tanto o nervosismo quanto a ansiedade são problemas ocultos e subdiagnosticados pelos médicos. Por esse motivo, vale a pena fazer uma investigação cuidadosa a fim de perceber esses sintomas.

Ansiedade vs Nervosismo

Apesar de a ansiedade e o nervosismo serem, muitas vezes, tratados como sinônimos, não o são.

Apesar das suas diferenças, ambas são manifestações do corpo a uma preocupação, um pensamento negativo.

No entanto, crucialmente o paciente ansioso tem um conjunto de sintomas que persistem por alguns minutos e, com recorrência, podem causar crises. Aqui os pacientes experimentam sentimentos mais severos e, quando não tratados, podem ser frequentes. Como exemplo dos sintomas, temos:

  • Insônia;
  • Fadiga;
  • Suor intenso;
  • Tremor;
  • Sensação de aperto no peito e dor de estômago;
  • Elevação dos batimentos cardíacos.

Apesar de o nervosismo poder apresentar alguns ou todos os sintomas acima, não se trata de um problema crônico. De maneira geral, é deflagrado por um evento pontual na vida do paciente.

Além disso, enquanto o nervosismo fala mais a favor de sintomas explosivos e de uma inquietação, a ansiedade é mais temerosa e intensa.

No entanto, é evidente que, persistindo, pode-se ter instalada uma ansiedade a médio ou longo prazo. Por isso, é importante orientar seu paciente que, em ambos os casos, a ajuda certa seja buscada.

Importância de saber perceber o paciente nervoso ou ansioso

Uma característica em comum entre o nervosismo e a ansiedade é que ambas, em grau moderado, são essenciais.

Isso significa que o que torna os sintomas patológicos é a desproporcionalidade em relação ao que desencadeia esses sintomas. Como resultado, um sofrimento significativo e um prejuízo ocupacional e funcional podem se instalar na vida do paciente.

Por outro lado, o comportamento ansioso e nervoso do paciente pode servir de alerta para outros problemas, que não do cotidiano. Como exemplo disso, temos a violência doméstica que, muitas vezes, é passada despercebido por um olho médico, porém não clínico.

Além da violência doméstica, temos as questões envolvendo bullying, ameaças de familiares, abusos infantis ou maus tratos de idosos, por exemplo. Todas essas questões são muito comuns e merecem ser triadas em um atendimento médico.

Como identificar o paciente com nervosismo durante a consulta?

Na consulta médica, nem sempre o paciente vai referir espontaneamente o nervosismo.

É muito comum que ele seja contido, deixado de lado e ignorado naquele momento. Esse também é um comportamento que contribui par a exacerbação dos sintomas a médio ou longo prazo, que podem culminar em uma ansiedade.

Considerando isso, é importante que o médico tenha atenção a determinados comportamentos que podem sugerir um nervosismo no paciente.

Como exemplo disso, o paciente acompanhado pode mostrar-se agressivo ou impaciente com seu acompanhante sem motivo aparente. Além disso, a falta de contato visual pode revelar uma falta de tranquilidade no momento.

Outra postura que pode chamar a atenção do(a) médico(a) é o hábito de roer as unhas ou morder os lábios involuntariamente, bem como os ombros curvados e o encolhimento do tronco podem manifestar um estado mental inquieto.

Associado à esse quadro, questionar sobre os hábitos de vida recentes do paciente e suas mudanças também pode ser útil. Isso pode ficar claro no aumento de ingestão alcoólica, bem como o início do fumo ou aumento de ingestão calórica.

Quais são algumas das manifestações psicológicas do nervosismo?

Além das apresentações comportamentais do paciente com nervosismo, as psicológicas podem ser referidas por ele.

Quando o nervosismo excessivo não for a principal queixa do seu paciente, vale a pena indagá-lo no interrogatório sistemático sobre questões psicológicas.

É importante que ele se sinta à vontade para expor o seu quadro. A fim de estabelecer essa relação com o paciente, o profissional não deve julgá-lo ou criticá-lo quanto aos seus sintomas.

Alguns dos sintomas psicológicos comuns no nervosismo são:

  • Impaciência;
  • Esquecimentos repentinos, conhecido como “branco”;
  • Falta de concentração;
  • Oscilações de humor;
  • Desequilíbrio emocional diante de situações aparentemente banais.

É importante, sobretudo, compreender a origem do nervosismo do paciente. Para isso, é importante questionar sobre mudanças recentes na sua vida e raciocinar junto a ele sobre formas de amenizar esses sintomas.

O nervosismo pode ser causado por quais gatilhos?

A causa dos episódios de nervosismo certamente estão atrelados a um evento que impacta no cotidiano do seu paciente.

Por outro lado, a intensidade das suas manifestações podem ser influenciadas por medidas diárias, colaborando para o nervosismo.

Assim sendo, algumas medidas podem ter grande relevância para o quadro. A exemplo disso, é importante entender como está a qualidade do sono do paciente. Além disso, indagá-lo sobre o consumo de cafeína e o uso de telas se mostram relacionadas à esse processo.

Ainda sobre os hábitos de vida, o paciente sedentário apresenta mais chances de ser impactado pelo nervosismo.

Outros fatores relevantes para a piora do nervosismo é a autocobrança excessiva, bem como a falta de organização da rotina, que geram preocupação. Isso pode afetar a pressão que o trabalho ou escola exercem sobre a vida do paciente.

Como comentado, o nervosismo possui manifestações individuais. Por isso, saber como ajudar os pacientes considerando seus grupos etários pode ser um facilitador da conduta terapêutica.

O que orientar sobre nervosismo ao paciente em período escolar?

A criança ou adolescente em período escolar passa por cobranças que repercutem imensamente na sua saúde mental.

Atender as expectativas depositadas sobre ela, atingir uma autosatisfação pessoal ou mesmo decidir qual caminho trilhar são desafiadores para esse grupo.

Nervosismo
O vestibular é uma fase decisiva na vida de uma parcela dos jovens brasileiros.

Por isso, ao atender um paciente que seja criança ou adolescente e esteja em fase escolar ou universitária oriente ele a respeitar os seus limites. Ter um autoconhecimento e cuidar de si, como prezar por um sono de qualidade e se alimentar bem são medidas que favorecem a minimização do nervosismo.

Além disso, é válido orientá-lo a organizar a sua rotina de estudos ou estágios, de maneira factível e realista. Isso certamente vai ajudá-lo a conseguir cumprir com as suas obrigações.

Assim como para qualquer paciente com sintomas de nervosismo, praticar atividade física mostra-se um grande aliado nesse momento.

Considerando o paciente adolescente, em especial, abordar sobre sexualidade e possíveis estressores associados, como abuso de drogas, pode conduzir a sua conduta.

Como manejar um paciente nervoso adulto?

Naturalmente, as demandas de um adulto costumam ser um pouco diferentes em comparação a uma criança ou adolescente. Logo, as orientações podem ser mais específicas e voltadas para essas particularidades.

Conversar com o paciente, ouvi-lo e estar e respeitar as suas preocupações são condutas cruciais no momento do atendimento.

Como orientações, assim como para os adolescentes, a diminuição de ingestão de cafeína e a melhor qualidade do sono podem ser eficazes.

Sobretudo, incentivá-lo a se abrir com pessoas de confiança, em especial as que podem ajudá-lo em específico com os gatilhos. Nesse sentido, é importante valorizar a importância do diálogo em situações desafiadoras da vida.

Perguntas frequentes

  1. Nervosismo e ansiedade são a mesma coisa?
    Não. O nervosismo possui apresentações mais pontuais, enquanto o nervosismo apresenta-se como um transtorno mais recorrente. Ambos merecem atenção.
  2. Como identificar pacientes com nervosismo exacerbado?
    Comportamentos como impaciência e irritabilidade podem sugerir um nervosismo no seu paciente.
  3. Qual é a conduta crucial no atendimento ao paciente nervoso?
    Estar aberto a ouvi-lo, sem julgamentos, é um dos pontos que mais podem fazer da consulta relevante para o paciente.

Referências