Psiquiatria

Resumo completo: psicose relacionada ao uso de substâncias psicoativas

Resumo completo: psicose relacionada ao uso de substâncias psicoativas

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As substâncias com propriedade psicomiméticas, como cocaína, anfetamina, alucinógenos e Cannabis, são difundidas, e seu uso ou abuso pode provocar uma Psicose relacionada ao uso de substâncias psicoativas.

De maneira similar à psicose esquizofreniforme, a psicose induzida por substâncias psicoativas (PISP) pode cursar com alucinações, delírios, comportamento e discurso desorganizado.

Em jovens (14-18 anos), a dependência de anfetaminas ou sedativos, bem como o uso diário de Cannabis e sedativos, está associada ao surgimento de sintomas psicóticos. O uso de múltiplas substâncias diminui a idade do surgimento de esquizofrenia e de outras psicoses do espectro da esquizofrenia.

Epidemiologia

As substâncias mais associadas a quadro psicóticos são os estimulantes (anfetaminas, cocaína e crack), álcool, cannabis, alucinógenos, inalantes e hipnóticos/ansiolíticos.

Um fator de confusão diagnóstica se refere ao fato que aproximadamente metade dos pacientes com psicose primária também tem um transtorno por uso de drogas. E, aproximadamente, um terço desses pacientes psicóticos apresentam distúrbios por uso de estimulantes.

A PISP é mais comum em jovens de áreas urbanas. E está relacionada a resultados negativos, como deterioração da saúde mental e aumento de autoagressão. O uso de metanfetaminas entre pacientes com vulnerabilidade genética à psicose ou transtornos psicóticos preexistentes, como esquizofrenia, pode precipitar o surgimento ou exacerbar sintomas psicóticos.

Além disso, foi demonstrado que presença de abuso de substâncias psicoativas no primeiro episódio de psicose associa-se com:

  • Aumento de hospitalização
  • Reduzida adesão ao tratamento
  • Maior taxa de recaídas
  • Aumento nos custos do serviço de saúde mental.

Sintomas

Para ser considerada psicose induzida por fármacos, as alucinações e os delírios devem ser superiores àqueles que normalmente acompanham intoxicação ou abstinência de fármacos, embora o paciente também possa estar intoxicado ou em abstinência.

Os sintomas são muitas vezes breves. Desaparecendo assim que a droga causadora é eliminada, mas a psicose desencadeada por anfetaminas, cocaína ou PCP pode persistir por muitas semanas.

Como algumas pessoas jovens com pródromo ou esquizofrenia em estágio inicial usam fármacos que podem induzir psicose, é importante obter uma história completa, particularmente para buscar evidências de sintomas mentais anteriores antes de concluir que a psicose aguda é devida ao uso de fármacos.

Diagnóstico

Apesar de vários fatores etiológicos e fisiológicos, o diagnóstico de Psicose relacionada ao uso de substâncias psicoativas é clínico. E, portanto, baseado predominantemente na história do paciente, relatórios subjetivos e do exame do estado mental.

Segundo o DSM-5, deve haver pelo menos alucinação ou delírio, sendo esses sintomas ocasionados durante ou logo após intoxicação ou abstinência por uma substância ou após a exposição a um medicamento. É obrigatório que tal substância/medicamento seja capaz de produzir os sintomas psicóticos.

Tem-se como exigência também que não haja outra situação clínica que explique melhor o surgimento dos sintomas psicóticos. A perturbação não deve ocorrer apenas durante o curso de um delirium.

Caso haja evidências de um transtorno psicótico adjacente (como, por exemplo, a persistência dos sintomas mesmo após um mês de abstinência da substância), o diagnóstico de PISP deve ser desconsiderado.

É interessante perceber que as alucinações e os delírios devem ter predominância no quadro clínico e gravidade suficiente para requerer cuidados. Caso contrário, o diagnóstico de intoxicação e abstinência passa a ser a principal hipótese.

Diagnóstico diferencial

Entender a diferença entre Psicose relacionada ao uso de substâncias psicoativas e a psicose primária é fundamental para o manejo do curso e o tratamento da doença.

Saiba que os transtornos psicóticos englobam varias nosologias que são distinguidas entre si pela duração, pelo perfil dos sintomas e pela causa.

Os transtornos psicóticos primários, especialmente esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo, geralmente evoluem por meio de pré-morbido, pródromo, curso progressivo e crônico do transtorno.

  • Psicose primária: um diagnóstico primário de psicose é dado apenas se não houver nenhuma evidência de uso ou retirada de substâncias capazes de induzir psicose. Se os sintomas surgiram antes do uso dessas substâncias ou se persistirem mais de 4 semanas após a cessação da intoxicação aguda ou abstinência.
  • Esquizofrenia: a PISP possui sintomas psicóticos mais incomuns, como alucinações visuais e táteis, quando comparada à esquizofrenia. Desorganização do comportamento e do discurso são características mais presentes na esquizofrenia. Os sintomas negativos (anedonia, abulia, baixa interação social, embotamento afetivo) são mais comuns na esquizofrenia.
  • Psicose breve: envolve sintomas agudos, com mais de um dia e menos de um mês de duração, com resolução completa do quadro nesse período. Um episódio pode surgir secundário a um trauma (situação de estresse), pós-parto, entre outros. O evento precipitante do quadro não é uma substância psicoativa.
  • Transtorno esquizofreniforme: é semelhante à esquizofrenia, entretanto, a duração é maior que um mês e menor que seis meses, o que difere da esquizofrenia, que possui duração maior que seis meses. Menos da metade dos casos têm resolução espontânea e evolução para o funcionamento habitual pré-morbido. O restante evolui para um outro transtorno psicótico, como esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo.

Tratamento

Para o sucesso terapêutico, a substância que induziu os sintomas deve ser identificada e o paciente orientado a retirá-la. Os pacientes que apresentam risco de dados para si ou para terceiros podem necessitar de hospitalização.

MedicamentoDose inicialDoses usuais
Clorpromazina25 – 50 mg100 – 400 mg/dia
Haloperidol2,5 – 5 mg 2,5 – 10 mg/dia
Risperidona1 – 2 mg2 – 4 mg/dia
Olanzapina2,5 – 5 mg5 – 10 mg/dia
Exemplos de antipsicóticos utilizados na PISP

O tratamento com base em antipsicóticos é a principal via terapêutica da psicose, pois eles diminuem sintomas psicóticos e reduzem as tacas de recaídas.

A eficácia é similar entre as diversas drogas do grupo, ponderando-se, então o perfil de efeitos adversos e as comorbidades apresentadas, para a escolha do antipsicótico adequado. Os antipsicóticos de primeira geração (ou típicos) estão mais associados a efeitos colaterais motores, como distonia e parkinsonismo.

Os antipsicóticos atípicos (ou de segunda geração), apesar de apresentarem menor incidência de efeitos extrapiramidais, estão associados à síndrome metabólica. As doses utilizadas costumam ser menores que as habituais para psicoses primárias.

A medicação deve ser mantida até a cessação completa dos sintomas (em geral, algumas semanas) e, casos o paciente permaneça abstinente, a sua retirada deve ser realizada.

Lembrar que, mesmo após 4 semanas de interrupção do uso de substâncias psicoativas, se houver ressurgimento dos sintomas psicóticos, o uso de antipsicóticos por tempo indeterminado deve ser considerado. E o diagnóstico deixa de ser psicose induzida por substâncias psicoativas.

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Perguntas Frequentes:

1 – O que é ?

Transtorno psicótico induzido por fármacos/medicação é caracterizado por alucinações e/ou delirium decorrente dos efeitos diretos de uma droga ou a retirada de uma droga na ausência de delirium.

2 – Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e, portanto, baseado predominantemente na história do paciente, relatórios subjetivos e do exame do estado mental

3 – Qual o tratamento?

O tratamento com base em antipsicóticos e retirada da droga causadora da psicose.

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