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Residência de ginecologia e obstetrícia: o que estudar e que provas fazer?

Residência de ginecologia e obstetrícia: o que estudar e que provas fazer?

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Imagem de perfil de Sanar Residência Médica

Tudo o que você precisa saber para ser aprovado na residência de ginecologia e obstetrícia!

A especialidade de Ginecologia e Obstetrícia é, atualmente, uma das especialidades clínico-cirúrgicas mais procuradas entre os médicos. Além de poder atuar em diversas subespecialidades, o especialista nessa área pode fazer diversos procedimentos, o que lhe garante uma boa remuneração. 

O médico ginecologista e obstetra tem como função promover a saúde, prevenir, diagnosticar e tratar as afecções relacionadas à mulher, nas diferentes fases da vida, desde a infância até a terceira idade.

Se tratando da ginecologia, o especialista será responsável por cuidar do sistema reprodutor feminino e da saúde da mulher, de forma geral. Já o obstetra estuda a reprodução humana, acompanhando a mulher durante a gestação, o parto e o puerpério. 

Como funciona a residência?

A Residência em Ginecologia e a Obstetrícia dura, em média, três anos. No geral, durante o primeiro ano de Residência , o médico irá passar pela formação obstétrica. Durante esse período ele atuará em:

  • Pronto atendimento 
  • Pré-natal de baixo risco

A partir do segundo ano ele inicia a especialização com foco na Ginecologia. Nesse período, o profissional atuará em ambulatórios especializados, por exemplo.

O foco do terceiro ano é estudar o gravidez de alto risco, entendendo as principais patologias relazionadas ao parto. Durante o último ano há também um treinamento em atendimento a pacientes graves. Ao fim dos três anos, o médico recebe o título de médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia. 

Quais os campos de atuação de um ginecologista e obstetra?

O campo de atuação para essa especialidade é amplo. O médico especialista poderá fazer uma subespecialização em diversas áreas como:  

  • Dor pélvica
  • Climatério
  • Endocrinologia Ginecológica
  • Ginecologia Infantopuberal
  • Videohisteroscopia e Videolaparoscopia Ginecológica
  • Infecção Genital
  • Mastologia
  • Medicina Feta
  • Oncologia Clínica e Cirúrgica
  • Patologia do Trato Genital Inferior
  • Planejamento Familiar
  • Reprodução Humana

Quais as melhores residências de ginecologia e obstetrícia? 

A escolha da residência médica é uma etapa fundamental e individual na formação do médico. É necessário que o médico procure bem as instituições que oferecem a especialidade escolhida.

Definir quais as melhores residências em ginecologia e obstetrícia é uma tarefa difícil, uma vez que não há metodologia única que as compare e analise. Desse forma, listamos algumas instituições com boas referências: 

Residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP

A USP é uma das mais reconhecidas instituições de ensino do país. A instituição conta com um complexo hospitalar de alta qualidade, em que os residentes podem colocar os conhecimentos em prática.

Durante a residência, que tem duração de 3 anos, os residentes rodam em diversos serviços durante o R1, R2 e R3. Para isso, eles são divididos em duas turmas – Obstetrícia e Ginecologia – e ficam seis meses em cada uma (por ano). Dessa forma, rodam em serviços como: 

  • R1: Pronto-socorro da obstetrícia, enfermaria de gestantes, enfermaria de puérperas, setor de vitalidade fetal, ginecologia geral, ginecologia endócrina e planejamento familiar
  • R2: Centro obstétrico, setor de vitalidade fetal, UTIs clínicas do HC, oncologia ginecológica e mastologia
  • R3: Centro Obstétrico, setor de medicina fetal e na enfermaria de gestantes, setor de endometriose e de videolaparoscopia. Há também um estágio opcional 

A prova de residência

Na prova da USP, os candidatos devem se preparar para estudar conteúdos das cinco grandes áreas da medicina: Cirurgia, Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria e Preventiva. Dentre os assuntos que mais caem estão: 

  • Cirurgia: ortopedia, complicações pós-operatórias, tumores e abscessos hepáticos, oncologia, cirurgia do trauma, cirurgia geral e trauma abdominal
  • Clínica Médica: fibrilação atrial, flutter, bradi, taquicardias, IAM, diabetes, hipertensão, síndrome nefrótica, síndrome nefrítica e artrite.
  • Pediatria: doenças exantemáticas, vacinação, icterícia neonatal e sífilis neonatal
  • Ginecologia e Obstetrícia: cardiotocografia, partograma, HPV, câncer de mama, sangramentos de primeiro trimestre, corrimentos vaginais e úlceras
  • Preventiva: hanseníase, doença de Chagas e arboviroses são comuns. Além disso, nessa parte são cobrados todos os assuntos da área, como conselhos e conferências e as demais considerações sobre o SUS e atenção básica.

Questões comentadas da prova de residência

  1. O caso seguinte se refere às questões 93 e 94 Gestante de 30 anos de idade, primigesta, 33 semanas de gestação e portadora de hipertensão arterial crônica. Está em uso de metildopa 1,0g por dia e chega ao Pronto-Socorro com queixa de sangramento vaginal e dor abdominal há 1 hora. Ao exame físico: descorada ++, PA 148 X 90 mmHg, FC 118 bpm, altura uterina 37 cm. BCF 102 bpm. Na palpação não há distinção das partes fetais, tônus uterino aumentado. Ao exame especular colo sem lesões, com presença de sangue escurecido em fundo de saco. Ao toque vaginal, colo médio, medianizado, pérvio para 3 cm, bolsa íntegra e tensa. No puerpério imediato, paciente apresentou sangramento uterino importante havendo necessidade de hemotransfusão. Após administração de ácido tranexâmico e uterotônicos, sem resposta. Houve indicação de intervenção cirúrgica, com o seguinte achado operatório. Qual é a próxima conduta na sequência de atendimento cirúrgico? (USP, 2022)
  1. Histerectomia total
  2. Sutura compressiva
  3. Ligadura de artérias hipogástricas
  4. Observação

Comentário da questão 1:

Após o Descolamento Prematuro de Placenta, a paciente evoluiu para uma hemorragia pós-parto, com necessidade de hemotransfusão. A foto mostra um útero de aspecto arroxeado, chamado de “Útero de Couvelaire”, que consiste na infiltração das fibras miometriais pelo sangue presente na cavidade endometrial, o que dificulta a contração e piora o quadro de atonia. A paciente já recebeu uterotônicos e ácido tranexâmico sem resposta, estamos na etapa cirúrgica do manejo da HPP. O próximo passo seriam as suturas compressivas (como B-Lynch), em seguida as ligaduras vasculares e, em último caso, a histerectomia 

2. Mulher, 28 anos, refere ter sido submetida a curetagem uterina por abortamento de 3 meses de gestação, há 6 meses. Desde o procedimento não apresentou menstruações. Nega gestações anteriores, nega uso de medicamentos ou procedimentos cirúrgicos. Qual é a imagem compatível com a principal hipótese diagnóstica? (USP, 2022)

  1. A
  2. B
  3. C
  4. D

Comentário da questão 2:

Paciente com quadro de Amenorreia Secundária após curetagem uterina. Logo de cara, lembrando da Síndrome de Asherman (sinéquias uterinas após algum procedimento, como a curetagem, levando à Amenorreia e Infertilidade). Mas a Banca quer saber a imagem de Histeroscopia correspondente às sinéquias! 

Como foi a concorrência em ginecologia e obstetrícia na USP em 2022? 

Em 2022, a concorrência em ginecologia e obstetrícia foi de 35.43 (candidato/vaga), estando entre as cinco especialidades mais concorridas. 

Residência em Ginecologia e Obstetrícia no SUS-BA

A seleção para residência médica do SUS-BA é um processo unificado que envolve 38 instituições localizadas em diversas cidades baianas, como Salvador, Feira de Santana, Juazeiro e Vitória da Conquista, entre outras. Dentre as diversas especialidades oferecidas está ginecologia e obstetrícia. 

Dentre os principais hospitais estão:

  • Hospital português da Bahia
  • Hospital Santa Izabel

A residência tem duração de 3 anos e os residentes rodam em diversos serviços durante o R1, R2 e R3.

A prova de residência 

Os assunto mais abordados nas grandes áreas da prova de residência são: 

  • Clínica médica: valvulopatias, nefropatia, pneumonia, vasculites, HIV e intoxicações exógenas.
  • Pediatria: afecções do período neonatal, bronquiolite, PALS, atendimento inicial ao recém-nascido, doenças infecciosas, doenças hematológicas, imunização e aleitamento
  • Ginecologia e obstetrícia: diagnóstico e tratamento de condições frequentes na gestação como doença hipertensiva, eclâmpsia e diabetes gestacional.
  • Preventiva: SUS, atenção primária à saúde e temas relacionados à epidemiologia
  • Cirurgia geral: atendimento ao politraumatizado, abdome agudo, complicações do pós-operatório, hérnias, doença diverticular dos cólons e megacólon chagásico

Questões da prova de residência médica do SUS-BA

Veja o estilo de questões da prova de residência do SUS-BA e aproveite para revisar os assuntos que mais caem! 

  1. Em acompanhamento de trabalho de parto a termo, uma parturiente encontra-se com três contrações uterinas a cada 10 minutos. A vitalidade fetal está boa e a dilatação vertical é de 5 cm. Após algum tempo, constata-se colo completamente dilatado, bolsa rota, 5 contrações uterinas a cada 10 minutos, batimentos cardiofetais em 80 bpm. A apresentação fetal encontra-se em -3, variedade de posição Occipto púbica. Considerando que o parto será vaginal, indique em que momento deve-se realizar a analgesia regional.
  1. Quando a paciente solicitar, independente da fase de parto.
  2. A partir de 5 cm de dilatação, após a fase de latência do trabalho de parto.
  3. Após serem oferecidas técnicas de analgesia não farmacológicas disponíveis, sem resultado eficaz.
  4. Quando as dores estiverem impedindo a colaboração da parturiente.

Comentário da questão 1:

Na assistência ao trabalho de parto, podemos oferecer às pacientes métodos não farmacológicos (imersão em água morna, massagem, exercícios, acupuntura, métodos de relaxamento) ou farmacológicos (óxido nitroso, analgesia peridural, raquianestesia) para alívio da dor. Sabemos que a analgesia regional precoce pode lentificar a progressão do trabalho de parto e pacientes analgesiadas podem ter um período expulsivo mais prolongado. No entanto, não existem pré-requisitos para definir o momento de realização da analgesia: ela deve ser realizada quando a paciente solicitar!

2. Mulher, 71 anos de idade, nuligesta, procura atendimento devido a sangramento genital de pequena quantidade, há 15 dias. Antecedentes médicos: Hipertensa. Antecedentes ginecológicos: Menarca aos 11 anos, na menacme apresentava ciclos longos, menopausou aos 49 anos, não faz reposição hormonal e não tem mais vida sexual ativa. Ao exame físico, PA: 130×80 mmHG; Peso: 79Kg; Altura: 1,64m; Circunferência abdominal: 89cm. Exame segmentar: sem nenhum achado relevante. Vulva coaptada, sem lesões. Exame especular: Mucosa pálida, colo aparentemente epitelizado, sangramento +/4+ fluindo pelo Orifício externo; Toque vaginal: útero AVF volume normal; anexos não palpáveis. Indique os fatores de risco mais prevalentes associados à principal hipótese diagnóstica.

  1. Infertilidade, uso de Tamoxifeno e síndrome de ovários policísticos.
  2. Hipertensão, diabetes e menarca tardia.
  3. Menarca tardia, obesidade e diabetes.
  4. Hipertensão, infertilidade e menopausa precoce

Comentário da questão 2:

Os principais fatores de risco para a Hiperplasia Endometrial e o Câncer de Endométrio estão relacionados ao estímulo do endométrio pelo estrogênio sem a oposição (protetora da Progesterona)

Como foi a concorrência do SUS-BA em 2022? 

A especialidade de ginecologia e obstetrícia teve uma concorrência de 7,83 (candidato/vaga), estando entre as 10 especialidades mais concorridas. 

Sugestão de leitura complementar