A prolactina (PRL) é um hormônio produzido e liberado pela adenohipófise. Foi descoberta pelo endocrinologista canadense Dr Henry Friesen em 1960, e faz parte da família das somatotropinas, junto com a somatotropina, lactogênio placentário, entre outras.
Sua principal função consiste em regular o desenvolvimento da glândula mamária (efeito mamogênico) durante a gestação e estimular a lactação no período pós-parto (efeitos lactogênicos e galactopoéticos). Além disso, nos últimos anos com a intensa pesquisa a respeito dessa substância, identificou-se vários receptores deste hormônio em diferentes sistemas, o que sugere que sua atuação é muito mais ampla. Entre as propriedades mais conhecidas, além da sua principal função sobre a glândula mamária, estão suas funções no metabolismo, com ênfase ao metabolismo glicídico e funcionamento do tecido adiposo.
Produção e Secreção da Prolactina
Muitos fatores estão envolvidos na produção da prolactina. Dentre os principais, estão a concentração de estrogênio, progesterona, glicocorticóides, insulina, hormônios tireoidianos. O estriol é o principal estimulante na secreção de prolactina, e seus níveis estão muito maiores na gestação, justificando a hiperprolactinemia fisiológica que ocorre neste período. Vale ressaltar que nesse período, o efeito lactogênico da prolactina é inibido pela progesterona e pelo próprio estrogênio, de modo que este hormônio atua apenas no desenvolvimento mamário.
A prolactina é predominantemente produzida e secretada pelos lactotrófos hipofisários – cujo número aumenta radicalmente ao final da gestação. Entretanto, sua secreção não se limita à adenohipófise, sendo identificadas muitas fontes extra-pituitárias de liberação no cérebro, glândula mamária, fibroblastos cutâneos, placenta, decídua, âmnio, útero, entre outros. Vale ressaltar que essa secreção é regulada pelos neurônios tuberoinfundibulares, localizados no núcleo arqueado do hipotálamo.
Outros hormônios estão envolvidos na secreção de prolactina, sendo os principais estimuladores envolvidos o hormônio liberador de tireotrofina (TRH), serotonina,peptídeo intestinal vasoativo, a vasopressina e a ocitocina. Esse é um dos motivos que justifica a necessidade da sucção do bebê, que estimula a produção de ocitocina, a ejeção do leite, e consequentemente, estimula a produção e secreção desse hormônio para manutenção da galactopoiese. Além disso, a sucção também causa um reflexo neural que comanda a liberação do Hormônio Liberador de Prolactina (PRH) pelo hipotálamo que irá atuar na adenohipófise. Outro ponto importante é que a secreção da prolactina é maior durante a noite, e por isso, a amamentação noturna é essencial para a promoção da lactogênese.
Por outro lado, a dopamina é o principal inibidor da liberação da prolactina. Junto com a noradrenalina, somatostatina, histamina, óxido nítrico, ácido gama-aminobutírico, dentre outros, atuam realizando a homeostasia da prolactina e mantendo o equilíbrio da secreção desse hormônio.
Funções da Prolactina
A principal função da prolactina, como dito anteriormente, concerne na mamogênese, lactogênese e galactopoiese. A PRL está envolvida na diferenciação das células da glândula mamária e controla a síntese do leite e tudo que está envolvido para a produção desse substrato.
Existem evidências, ainda, que a prolactina atua no metabolismo glicídico e no tecido adiposo. No que tange a sua atuação pancreática, está envolvida na maturação, desenvolvimento e função das ilhotas pancreáticas e das células . A PRL está implicada em diversas ações insulinotrópicas, incluindo a sobrerregulação da expressão e atividade glucokinase – que é uma enzima que metaboliza a glicose nas células – e, consequentemente, a secreção da insulina. Ou seja, a PRL aumenta a secreção e a sensibilização à insulina (devido a influência na células ). Níveis elevados de prolactina também influenciam, indiretamente, a síntese de dopamina – para que haja o feedback negativo da PRL – que contribui para melhorar a homeostasia energética e de glicose.
Foram identificados receptores de prolactina no tecido adiposo, o que sugere atuação neste tecido. Estudos mais recentes sugerem que a PRL está envolvida em muitos processos no tecido adiposo, abrangendo a adipogênese, a lipólise e a liberação de adipocinas, como a adiponectina e a leptina. Por fim, a hiperprolactinemia parece influenciar no desenvolvimento de distúrbios como a diabetes mellitus e a obesidade.
Alteração da concentração de prolactina
Antes de identificar as alterações, é necessário saber que os valores normais de prolactina variam de acordo com os laboratórios, mas são considerados normais os valores de aproximadamente 20 ng/mL em homens e 30 ng/mL em mulheres não grávidas.
A hiperprolactinemia pode ser fisiológica ou patológica. Os casos de hiperprolactinemia fisiológica incluem:
- Gravidez – aumento das concentrações de estradiol durante a gestação. Seis semanas após o parto, quando o valor do estradiol já se normalizou, ocorre o mesmo com a prolactina, mesmo que haja amamentação. Inclusive, ainda que haja supressão da secreção da prolactina durante a lactação já estabelecida, não ocorre diminuição da produção do leite.
- Estimulação do mamilo e exames de mamas – a sucção realizada pelo bebê causa um reflexo neural que atua no hipotálamo, liberando o Hormônio Liberador de Prolactina (PRH) que estimula a adenohipófise a liberar a prolactina. Esse aumento é proporcional ao grau de hiperplasia lactotrófica que ocorreu durante a gestação sob influência do estrogênio. Já em homens e mulheres sem lactação, a estimulação do mamilo e exames da mama não aumentam a secreção de prolactina
- Estresse – qualquer tipo de estresse pode causar aumento da concentração de prolactina. Entretanto, este aumento é de pequena intensidade, e dificilmente ultrapassam 40 ng/mL.
Já as causas patológicas de hiperprolactinemia incluem:
- Doença hipotálamo-hipofisária – podem ser os Adenomas lactotróficos, diminuição da inibição dopaminérgica da secreção de prolactina, Doença no hipotálamo ou hipófise ou próximo a ele, que interfere na secreção de dopamina ou em sua liberação para o hipotálamo
- Uso de antipsicóticos
- Uso de Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRIs)
- Hiperprolactinemia idiopática
- Hiperestrogenismo
- Hipotireoidismo
- Diminuição da depuração da prolactina
- Insuficiência renal crônica
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Referências:
Kim YJ. Papéis centrais da prolactina e outros hormônios na lactogênese e na composição nutricional do leite humano. Clin Exp Pediatr . 2020; Acesso em 23 de abril de 2021.
SNYDER, Peter. Causes os hyperprolctinemia. UpToDate, Inc, 2020. Acesso em 23 de abril de 2021.



