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Eczema: manifestações clínicas, tratamento e mais!

Resumo sobre eczema completo - Sanarflix

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O termo eczema é frequentemente usado ​​indistintamente de dermatite. Quando o termo eczema é utilizado sozinho, ele geralmente refere-se a dermatite atópica.

No entanto, segundo a sociedade brasileira de dermatologia, eczema é um tipo de dermatose que caracteriza-se por apresentar vários tipos de lesões. Inicialmente, observam-se eritema, pápulas e/ou vesículas, exsudação e crosta.   

As dermatoses eczematosas são comuns, representando aproximadamente 10 a 30% das consultas dermatológicas em diferentes populações e grupos étnicos. Além disso, tipos específicos de dermatite eczematosa são mais comuns em algumas faixas etárias. Por exemplo, a dermatite atópica é muito mais comum em crianças do que em adultos, enquanto o eczema numular é tipicamente visto em adultos mais velhos.

Eczema atópico ou dermatite atópica 

O eczema atópico é reconhecido como uma doença de base genética, com expressão variável e influenciada por fatores ambientais.

É uma doença inflamatória da pele, pruriginosa, que ocorre com mais frequência em crianças, mas também afeta adultos. Além disso, caracteriza-se por pele seca, prurido intenso e hiperreatividade cutânea a vários estímulos ambientais. 

Apresentação clínica

A apresentação clínica varia com a idade:

  • Em crianças menores de 2 anos, a dermatite atópica geralmente manifesta-se com lesões vermelhas, pruriginosas, exsudativas ou escamosas, frequentemente com crostas, localizadas nas superfícies extensoras dos membros, além do tronco, rosto e couro cabeludo.
Criança com dermatite atópica grave. Fonte: UpToDate, 2024.
  • Em crianças mais velhas e adolescentes, a dermatite atópica caracteriza-se pela presença de placas espessas e ressecadas em áreas de dobras da pele, como as fossas antecubital e poplítea, na parte interna dos pulsos, tornozelos e pescoço.
Dermatite atópica em área de flexão. Fonte: UpToDate, 2024.
  • Nos adultos, por sua vez, a dermatite atópica tende a ser mais localizada, com predominância de liquenificação, embora também possam ocorrer formas exsudativas. Além disso, são comuns casos de eczema crônico nas mãos, dermatite facial e eczema nas pálpebras.
Placa liquenificada em área flexora. Fonte: UpToDate, 2024.

Ademais, pacientes com dermatite atópica frequentemente exibem diversos sinais cutâneos secundários, conhecidos como estigmas atópicos, como:

  • Eczema mamilar – lesões eczematosas na região dos mamilos;
  • Ceratose pilar – pequenas protuberâncias ásperas na pele;
  • Hiperlinearidade palmar – acentuação das linhas das palmas das mãos;
  • Pitiríase alba – manchas claras e descamativas na pele;
  • Escurecimento periorbital – pele mais escura ao redor dos olhos;
  • Dobras infraorbitais de Dennie-Morgan – linhas ou pregas abaixo dos olhos.

Tratamento

Por fim, para o tratamento de dermatite atópica leve a moderada, utiliza-se corticosteróides tópicos e emolientes. Pacientes com dermatite atópica moderada a grave, ou seja, que não é controlada com terapia tópica inicial, podem requerer tratamento com fototerapia, imunossupressores tópicos ou sistêmicos para atingir o controle adequado da doença. 

eczema de contato
Fonte: SBD

Eczema de contato ou dermatite de contato 

Eczema de contato refere-se a qualquer dermatite decorrente da exposição direta da pele a uma substância. Existem dois tipos de dermatite de contato, a alérgica e a induzida por irritante, sendo a última responsável por 80% dos casos.

Na dermatite alérgica de contato, um alérgeno provoca uma reação imunológica, enquanto na dermatite irritante de contato, a substância desencadeadora é responsável por causar dano direto à pele.

Dermatite de contato alérgica

A dermatite de contato alérgica (DAC) caracteriza-se por uma reação imunológica de hipersensibilidade tardia (tipo IV) desencadeada pelo contato com determinados alérgenos. A reação alérgica surge de 24 a 48 horas após a exposição.

Os principais sensibilizadores incluem:

  • Urushiol, uma oleorresina vegetal presente em plantas como hera venenosa, carvalho venenoso e sumagre venenoso, além de frutas como ginkgo e manga.
  • Metais (como níquel em joias).
  • Conservantes (ex.: formaldeído em cosméticos).
  • Fragrâncias (perfumes e cosméticos).
  • Antibióticos tópicos.
  • Parafenilenodiamina (usada em tinturas de cabelo).

A DAC normalmente apresenta-se como uma erupção eczematosa, bem delimitada e extremamente pruriginosa, que localiza-se na área de contato com o alérgeno.

Dermatite de contato causada por cosméticos. Fonte: UpToDate, 2024.

Suspeita-se do diagnóstico de DAC sempre que houver lesões características associadas a histórico de exposição a potenciais alérgenos.

Dermatite de contato irritante

A dermatite de contato irritante (DCI), por sua vez, é a forma mais comum de dermatite de contato, causada pela exposição a agentes que irritam fisicamente, quimicamente ou mecanicamente a pele.

Os principais irritantes incluem:

  • Água e umidade constante.
  • Sabões, produtos de limpeza, alvejantes e solventes.
  • Ácidos, álcalis, poeira, solo e partes de plantas.

A DCI das mãos é a forma mais frequente de dermatite ocupacional, especialmente em profissões como:

  • Manipuladores de alimentos.
  • Profissionais de saúde.
  • Trabalhadores industriais, faxineiros e empregados domésticos.

Com relação ao quadro clínico, a DCI aguda manifesta-se por eritema, edema, vesículas, bolhas e exsudação. Na DCI crônica, por sua vez, ocorre liquenificação, hiperceratose, ressecamento, rachaduras e fissuras, especialmente em irritações leves.

Dermatite de contato irritativa. Fonte: UpToDate, 2024.

Além disso, sintomas comuns incluem prurido e dor, com maior incidência nas mãos, principalmente nos espaços entre os dedos, que retêm irritantes e são frequentemente as primeiras áreas afetadas.

Luvas de borracha, nitrila ou vinil podem causar DCI devido à fricção, acúmulo de umidade ou ressecamento após o uso, sendo este problema distinto da alergia ao látex.

Eczema seborreico 

O eczema seborreico, ou dermatite seborreica, refere-se a uma inflamação cutânea crônica e bastante comum, que afeta cerca de 1 a 3 por cento dos adultos. Apresenta períodos de piora e remissão e, além disso, caracteriza-se por placas eritematosas e descamativas, em regiões com maior concentração de glândulas sebáceas, como:

  • Laterais do nariz e sulcos nasolabiais;
  • Sobrancelhas e região da glabela;
  • Dobras atrás das orelhas;
  • Couro cabeludo.

Em alguns casos, também pode envolver o tórax, a parte superior das costas e as axilas.

Ademais, em indivíduos com pele mais escura, a condição pode manifestar-se com alterações na pigmentação, apresentando áreas de hiper ou hipopigmentação.

Para pacientes com dermatite seborréica, realiza-se o tratamento com corticosteróide tópico de baixa potência, agentes antifúngicos tópicos (cetoconazol o mais utilizado) ou uma combinação dos dois. A apresentação pode ser em creme, que pode ser utilizado em tronco ou em região intertriginosa, e em soluções faciais, que pode ser usado no rosto.

Eczema numular 

O eczema numular é uma dermatite inflamatória, recidivante e crônica, que caracteriza-se por lesões eritematosas discóides, pruriginosas e bem delimitadas, dispersas pelos membros superiores e inferiores. É mais frequente em indivíduos do sexo masculino com idade superior a 50 anos.

Lesões em formato de moeda. Fonte: UpToDate, 2024.

Sua etiologia é desconhecida, embora já tenham sido identificados fatores associados ao seu aparecimento, como xerose cutânea, alergia de contacto aos metais e sensibilização ambiental a aeroalérgenos.  

Por fim, o tratamento inclui a aplicação de emolientes e corticoides tópicos. Na maioria dos casos o prognóstico é excelente, com remissão das lesões após duas a quatro semanas de tratamento.

Eczema de estase

A eczema de estase, ou dermatite de estase, por sua vez, é uma dermatose inflamatória dos membros inferiores, simétrica, que ocorre em pacientes com insuficiência venosa crônica.

Manifesta-se como manchas ou placas avermelhadas, descamativas e eczematosas em pernas com edema crônico.

Dermatite de estase. Fonte: UpToDate, 2024.

As formas agudas podem surgir com placas intensamente inflamadas, exsudativas, acompanhadas de vesículas e crostas, frequentemente associadas à superinfecção bacteriana.

Nas formas crônicas, por sua vez, podem ocorrer hiperpigmentação devido ao acúmulo de hemossiderina na derme, descamação e possível desenvolvimento de lipodermatoesclerose.

Além disso, dermatite de contato alérgica (DCA) causada por sensibilização a produtos tópicos, curativos e antibióticos tópicos é uma complicação comum.

Eczema disidrótico ou disidrose

As erupções disidrosiformes são lesões vesiculares e pruriginosas, mais comumente localizadas nas extremidades dos membros, como mãos, solas dos pés e laterais dos dedos. Geralmente são de caráter crônico e recidivante, representando cerca de 20% dos quadros eczematosos das mãos.

O principal achado físico do eczema disidrótico consiste em múltiplas vesículas pequenas e profundas localizadas na pele das palmas ou plantas dos pés, especialmente nas laterais dos dedos das mãos e dos pés. Essas vesículas podem agrupar-se, formando bolhas maiores e, em alguns casos, podem evoluir para superinfecção.

Eczema disidrótico. Fonte: UpToDate, 2024.

Os fatores que desencadeiam as desidroses ainda não estão estabelecidos, dificultando sua terapêutica.

Por fim, o tratamento geralmente envolve medidas gerais de higienização das mãos e o uso de corticóides tópicos de alta potência. 

Dermatose plantar juvenil

A dermatose plantar juvenil (DPJ), também conhecida como dermatite plantar seca, é uma condição eczematosa que afeta a sola dos pés, ocorrendo principalmente em crianças de 3 a 14 anos, especialmente naquelas com diátese atópica.

A causa exata da doença é desconhecida, mas fatores como irritação provocada por materiais sintéticos de calçados, tecidos sintéticos, fricção e suor são considerados importantes. Histologicamente, a DPJ apresenta-se por dermatite espongiótica subaguda ou crônica, com infiltrado linfocítico ao redor dos ductos sudoríparos écrinos.

Ademais, a DPJ caracteriza-se por vermelhidão e dor na superfície plantar do pé, que pode ter um aspecto brilhante, vitrificado e rachado. Normalmente, as áreas interdigitais e o dorso dos pés não são afetados.

Dermatose plantar juvenil. Fonte: UpToDate, 2024.

O diagnóstico é principalmente clínico. Todavia, testes como raspagem de pele com hidróxido de potássio e teste de contato podem ser usados para excluir infecções fúngicas ou dermatite alérgica de contato de produtos químicos presentes em calçados.

Por fim, o tratamento envolve evitar o uso de meias sintéticas e sapatos oclusivos, além do uso frequente de emolientes para aliviar os sintomas.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • HOWE, W. Overview of dermatitis (eczematous dermatoses). UpToDate, 2024.
  • SILVERBERG, J. I.; HOWE, W. Atopic dermatitis (eczema): Pathogenesis, clinical manifestations, and diagnosis. UpToDate, 2024.

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