Dermatologia

Resumo sobre dermatite de contato (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

7 min há 393 dias

Introdução

Dermatite de Contato é o termo utilizado para denominar reações agudas ou crônicas a substâncias que entram em contato com a pele. É subclassificada ainda em: por irritante e alérgica. A mais comum é a por irritante, correspondendo a 80%. Porém, em região de face, essa proporção é invertida, sendo mais comum a alérgica, correspondendo a 80% dos casos.

Classificação da dermatite de contato

Dermatite de contato por irritante (DCI)

A dermatite de contato por irritante (DCI) é causada por irritante químico, sendo o tipo de dermatite de contato mais comum. Ocorre após uma única exposição ao agente desencadeante (irritante primário absoluto), que é tóxico para a pele, podendo ser substâncias alcalinas ou ácidas fracas, que não tem a capacidade de provocar queimaduras e/ou necrose da pele, apenas irritação cutânea. Ocorre em todas as pessoas, dependendo da penetrabilidade e da espessura do estrato córneo da pele. Já a dermatite de contato por irritante primário relativo, ocorre por vários contatos da substância com a pele e corresponde a 80% dos casos de dermatite de contato. Irritantes comuns incluem água, sabonetes, produtos de limpeza, água sanitária, solventes, ácidos, álcalis, poeira, plantas, solo.

A dermatite das mãos é o tipo mais comum da DCI, principalmente associado a dermatite ocupacional (profissionais de saúde, indústria mecânica, empregadas domésticas). Os espaços entre os dedos retêm substâncias e podem ser a primeira área de envolvimento. Materiais como luvas podem induzir, além de uma dermatite de contato alérgica pelo látex (como será mostrado posteriormente), uma DCI por atrito, bem como por acumulação repetida de umidade sob as luvas.

As manifestações agudas de DCI dependem do tipo de irritante, podendo cursar com eritema, edema, vesículas e bolhas e exsudação. Na manifestação crônica, há predomínio de liquenificação, hiperceratose e fissuras, como na figura abaixo. O prurido, em geral, é discreto ou ausente, sendo substituído por sensação de dor ou queimação.

Dermatite da área da fralda | Pedipedia - Enciclopédia Pediátrica Online
Figura 1. Dermatite na área da fralda.

Dermatite de contato alérgica (DCA)

A dermatite de contato alérgica (DCA) é causada por um alérgeno que de-
sencadeia uma reação de hipersensibilidade tipo IV (celular ou tardia). Isso ocorre devido a ligação da substância química com proteínas epidérmicas e/ou dérmicas, originando um antígeno completo. As células de Langerhans processam o antígeno, apresenta-o aos linfócitos T, onde ocorre proliferação, em linfonodos regionais, desses linfócitos sensibilizados, que penetram na corrente sanguínea, disseminando-se por toda a pele.

Ao segundo contato com o antígeno, os linfócitos de memória já sensibilizados, reconhecem nos pontos de contato, liberando citocinas e culminando em um processo inflamatório.

Sensibilizadores comuns incluem metais (por exemplo, níquel em jóias), conservantes (por exemplo, formaldeído), fragrâncias (perfumes, cosméticos), antibióticos tópicos e parafenilenodiamina (comumente usados em tinturas de cabelo). Apresenta como características erupções eczematosas bem demarcadas, intensamente pruriginosa, localizada na área da pele que entra em contato com o alérgeno, por exemplo, cosméticos no rosto, níquel de joias onde são usadas, botões de metal em roupas que estão em contato com a pele, luvas de borracha e látex.

Dermatite de contato por uso de cosméticos - UOL VivaBem
Figura 2. Dermatite de contato por uso de cosmético.

Diagnóstico da dermatite de contato

É realizado por meio da história clínica e exames clínico e histopatológico.

Na história clínica busca-se por:

  • Início das lesões
  • Número de surtos
  • História de dermatite de contato
  • Atividades ocupacionais
  • Outras atividades habituais/hobbies
  • Contato com químicos.

No quadro clínico, busca-se, principalmente por:

  • Presença de lesões eczematosas em qualquer fase evolutiva
  • Localização da lesão
  • Características da lesão

O teste de contato (Patch-test) é utilizado para confirmar diagnóstico e investigar o agente responsável pelo quadro de dermatite de contato. O teste é realizado aplicando-se a substância suspeita sobre uma região do corpo, e verificando se há indução de lesão clínica do tipo eczematoso naquele local.

Teste de para dermatite de contato - Sanar
Figura 3. Patch test (teste de contato).

O histopatológico não é, em geral, utilizado no diagnóstico de rotina das dermatites de contato, é mais utilizado como diagnóstico diferencial com dermatoses não eczematosas.

Profilaxia

DCI

Dentre as principais medidas para evitar a DCI, temos:

  • Evitar substâncias químicas irritantes ou cáusticas por meio do uso de equipamentos de proteção (i.e., óculos, aventais e luvas).
  • Caso ocorra contato, lavar com água ou solução neutralizante fraca.
  • Cremes protetores.
  • Na DCI ocupacional que persiste, apesar da adoção das medidas descritas anteriormente, pode ser necessário.

Tratamento da dermatite de contato

No tratamento, a primeira providência nessas dermatites é afastar o agente causal e priorizar o tratamento de infecções secundárias eventuais.

DCI

Fase aguda

Identificar e remover o agente etiológico. Curativos úmidos com solução de Burow (solução de acetato de alumínio, que é antisséptica), trocados a cada duas a três horas. As vesículas maiores podem ser drenadas, porém, o teto não deve ser removido. Preparações de glicocorticoides tópicos das classes I e II. Nos casos graves, pode-se indicar o uso de glicocorticoides sistêmicos. Prednisona: ciclo de duas semanas, dose inicial de 60 mg, com redução gradual em 10 mg.

Fase subaguda e crônica

Remover o agente etiológico/patogênico. Glicocorticoides tópicos potentes (dipropionato de betametasona ou propionato de clobetasol) e lubrificação adequada. Com a regressão das lesões, manter a lubrificação. O pimecrolimo e o tacrolimo, que são inibidores tópicos da calcineurina, em geral não são potentes o suficiente para suprimir efetivamente a inflamação crônica das mãos.

DCA

Inicialmente deve-se interromper a exposição ao se identifi car o agente etiológico.

Tratamento tópico

Pomadas/ géis de glicocorticoides tópicos (classes I a III). As vesículas maiores podem ser drenadas, porém o teto não deve ser removido. Curativos úmidos com compressas embebidas em solução de Burow, que devem ser trocadas a cada duas a três horas. A DCA propagada pelo ar pode necessitar de tratamento sistêmico. O pimecrolimo e o tacrolimo são efetivos na DCA, porém em menor grau do que os glicocorticoides.

Tratamento sistêmico

Os glicocorticoides estão indicados nos casos graves e na DCA propagada pelo ar. Prednisona em dose inicial de 70 mg (adultos), com redução gradual em 5 a 10 mg/dia, no decorrer de um período de uma a duas semanas. Nos casos em que pode não ser possível evitar totalmente o alérgeno responsável pela DCA propagada pelo ar, a imunossupressão com ciclosporina oral pode se tornar necessária.

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