Otorrinolaringologia

Resumo: tuberculose: definição, formas, diagnóstico, tratamento e mais | Ligas

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“As pessoas ainda pegam Tuberculose?”

O filme “Parasita”, ganhador de quatro estatuetas do Oscar 2020 aborda o desconhecimento e a crença de que a tuberculose é uma doença antiga, quando uma das personagens emite a fala que dá nome ao título do texto. Por esse motivo, escolhemos esse tema para ser abordado no momento.

O que é a Tuberculose?

 A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa crônica granulomatosa causada por bactérias do grupo das micobactérias.

É importante ressaltar que existem micobactérias que podem causar tuberculose e outras que não podem. As principais causadoras são, da mais importante para a menos: Mycobacterium tuberculosis, Mycobacterium bovis e Mycobacterium africanum.

É considerada a doença mais infecciosa e mortal do mundo, sendo responsável por mais de 04 mil mortes diárias no mundo todo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que são Micobactérias?

 As micobactérias são bacilos aeróbios de crescimento lento. Possuem envelope rico em lipídios, principalmente os ácidos graxos de cadeia longa, que recebem o nome de ácidos micólicos, e isso confere a elas o nome de BAAR (Bacilos Álcool-Ácido Resistentes).

Os BAAR são microorganismos acidófilos, resistentes ao descoramento por álcool e ácido. Por possuírem parede hidrofóbica, a penetração de corantes na célula é dificultada.

Por esse motivo, devem ser corados pelo método de Ziehl Neelsen. Esse método funciona da seguinte forma, deve-se: cobrir a lâmina com fucsina, aquecê-la, aguardar de cinco a oito minutos, lavar com água corrente, cobrir a lâmina com álcool-ácido 3% até descorar totalmente o esfregaço, lavar com água corrente, cobrir a lâmina com azul de metileno, lavar com água corrente, secar e observar em microscópio.

O que é uma doença granulomatosa?

 É uma doença que cursa com a formação de granulomas, ou seja, um agregado de macrófagos ativos com linfócitos, plasmócitos e fibroblastos na periferia. O granuloma possui um formato arredondado, de nódulo.

Essa estrutura se forma em uma tentativa celular de conter um agente agressor difícil de eliminar. Os granulomas podem ser como causas: infecção, materiais resistentes à digestão, substâncias químicas e drogas.

Como ocorre a transmissão da tuberculose?

 A doença é transmitida por meio de gotículas com o bacilo eliminadas na respiração, espirros e tosse do doente com Tuberculose Ativa. É comum que haja a inalação dos bacilos de Koch, mas que esse fique no Trato Respiratório Superior (cavidade nasal, faringe e laringe).

É improvável que a infecção ocorra nesse local. No entanto, se a bactéria chega aos alvéolos, gera uma rápida resposta inflamatória, e, se esse mecanismo falha, ocorre proliferação bacteriana. Geralmente há um período de latência na infecção, ou seja, existe uma grande quantidade de indivíduos que possuem o bacilo, e não apresentam sintomas e, quando imunossuprimidos descobrem que o carregavam.

Quais são os fatores de risco?

 Indivíduos portadores de HIV apresentam risco de 50 a 100 vezes maior que adquirir TB ativa. A Tuberculose é uma “Doença Definidora de SIDA”, isso porque se aparecer em indivíduo portador do vírus, indica a presença da Síndrome de Imunodeficiência Aguda.

Essa, é caracterizada por intensa destruição de linfócitos T CD4+ e aparecimento de doenças oportunistas.  A desnutrição e o Diabetes aumentam o risco em duas a quatro vezes e a utilização de imunossupressores de duas a doze vezes.

Quais são as formas da doença?

 A apresentação Pulmonar da doença é a mais comum, mas não é a única. Existe também a Tuberculose Extrapulmonar, que pode afetar: pleura, nódulos linfáticos, sistema genitourinário, abdome, pele, ossos, meninges, articulações e partes moles.

A Tuberculose Pleural é a forma Extrapulmonar mais comum. Existem formas de TB Extrapulmonar que abrangem a área da Otorrinolaringologia, são elas: laríngea, nasal, ganglionar, em cavidade oral e faringe e das glândulas salivares. Além dessas, pode ocorrer a otite média tuberculosa.

Quais são os sinais e sintomas da doença em forma ativa?

 Os sinais e sintomas da Tuberculose Pulmonar são: tosse por mais de duas semanas, catarro, febre vespertina, sudorese noturna, cansaço, dor no peito, falta de apetite, emagrecimento ponderal involuntário e presença de escarro com sangue em alguns casos.

O escarro com sangue ocorre porque perto dos alvéolos estão presentes capilares sanguíneos e, quando a doença gera destruição tecidual do endotélio, o sangue desses capilares entra no pulmão, levando à hemoptise. Essa destruição tecidual também pode facilitar uma bacteremia, levando a um quadro de tuberculose extrapulmonar.

 Os sinais e sintomas da Tuberculose Extrapulmonar dependem do órgão afetado. Para você vamos relatar os sinais e sintomas das Tuberculoses Extrapulmonares de interesse à Otorrinolaringologia.

A Tuberculose Laríngea se apresenta com disfonia, tosse, hemoptise, disfagia, e odinofagia (dor ao deglutir). Na Tuberculose Nasal, temos rinorreia purulenta, e possível perfuração da cartilagem quadrangular. A Tuberculose Ganglionar gera linfadenopatia cervical.

 A Tuberculose de Nasofaringe gera rinorreia posterior, obstrução nasal, epistaxe, plenitude auricular ou linfonodo cervical.

Já a Tuberculose de cavidade oral e Orofaringe pode gerar dois tipos de apresentação clínica: a lupo e a mucosa ulcerativa, sendo a primeira um conjunto de nódulos redondos não dolorosos e a segunda ulcerações dolorosas com bordas irregulares.

No quadro que afeta a Hipofaringe temos: dor constante, irradiada para as orelhas e em região cervical, associada à deglutição.

 A TB de glândulas salivares pode ser focal ou difusa. Na otite média tuberculosa é comum a ocorrência de pólipo em conduto auditivo externo, edema, granulação da mucosa da orelha média, destruição da cadeia ossicular e comprometimento da orelha interna.

Na forma crônica, apresenta o paciente apresenta otorréia sem otalgia e perda auditiva precoce.

Como é feito o diagnóstico?

 O diagnóstico é clínico, associado à radiografia de pulmão, teste de escarro e cultura e coloração álcool-ácido resistente. Outros teste que ajudam a confirmar o diagnóstico da TB Pulmonar são o Teste de Mantoux, a broncoscopia, a biópsia pulmonar e o GeneXpert MTB/RIF.

Desses, vamos detalhar um pouco mais o Teste de Mantoux e o GeneXpert MTB/RIF.

 O Teste de Mantoux, Teste Tuberculínico ou Teste do PPD consiste na aplicação de tuberculina, um derivado proteico do Mycobacterium tuberculosis na pele, mais especificamente na derme.

O objetivo do teste é identificar exposição prévia à bactéria. É indicado para diagnóstico de infecção latente, auxílio do diagnóstico de TB Extrapulmonar e TB em crianças e detecção da infecção recente.

Se não houve exposição anterior, nada ocorre visualmente, os macrófagos digerem as proteínas injetadas porque não houve reconhecimento pela célula T.

No entanto, se houver exposição anterior à bactéria, a célula T reconhece a tuberculina e libera quimiocinas, atraindo outras células para a área. Forma-se uma pápula branca definida no local, por acúmulo de células, principalmente de macrófagos.

 O GeneXpert MTB/RIF foi implantado em 2013 no Sistema Único de Saúde (SUS) e é um teste que realiza a purificação, concentração e amplificação de ácidos nucleicos em tempo real por meio de PCR.

Esse método apresenta sensibilidade em torno de 50% e especificidade de cerca de 100%. É indicado para pacientes com suspeita de multirresistência ou portadores do vírus HIV.

Qual é o tratamento?

 Os fármacos de primeira escolha são: Isoniazida, Rifampicina, Pirazinamida e Etambutol.  Em casos de Tuberculose Multirresistente a Medicamentos existem duas classes de antibióticos a serem utilizadas: os aminoglicosídeos e as fluoroquinolonas.

É importante que o tratamento seja supervisionado porque a tendência a abandono é grande.

Como se prevenir?

 Existe uma vacina para a doença, a BCG (Bacillus Calmette-Guérin). É feita de uma cepa atenuada do Mycobacterium bovis, o segundo maior causador de Tuberculose. A eficácia média global é de 50%.

É oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser tomada ao nascer ou no máximo até 04 anos, 11 meses e 29 dias. É de dose única e intradérmica. A vacina previne contra as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar (forma disseminada).

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