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Uso das redes sociais por médicos e estudantes de medicina | Colunistas

Uso das redes sociais por médicos e estudantes de medicina | Colunistas

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É notório que o uso das mídias sociais pelos médicos vem aumentando de forma exponencial, resultando na utilização das redes sociais para obtenção de informações sobre saúde por acadêmicos e por toda a população. Estudantes de medicina utilizam as redes sociais para acompanhar perfis de médicos, buscar conselhos, dicas e até mesmo discutir casos clínicos. Assim, a mídia tornou-se uma grande aliada e facilitadora da troca de experiências por profissionais de todo o mundo; todavia, existem também os aspectos negativos, como o compartilhamento de notícias falsas (as chamadas “fake news”) e o descumprimento de normas do Código de Ética Médica brasileiro e do Conselho Federal de Medicina (CFM). Dessa forma, é importante compreender como as redes sociais podem impactar na relação médico-paciente e como separar vida pessoal e profissional nos ambientes virtuais.

O que são as “fake news”?

Traduzido do inglês, significa “notícias falsas”, podendo ser histórias fabricadas, manchetes e boatos não-verdadeiros e com títulos atrativos, que convencem o usuário a clicar no site. Uma alternativa para não cair nessas “fake news” é procurar as referências da notícia e ver se elas são de locais confiáveis, no entanto, não é tão fácil assim não cair nessas armadilhas, visto que o tempo todo somos bombardeados de informações. Para o combate a propagação de notícias falsas, é imprescindível a verificação e sinalização de artigos falsos, bem como o corte dos incentivos financeiros das páginas e perfis que compartilham essas notícias.

Ética médica

De acordo com o Código de Ética Médica brasileiro e as Resoluções 1.974/2011, 2.126/2015 e 2.133/2015 do CFM, é vedado ao médico a autopromoção, o sensacionalismo, a mercantilização do ato médico e abusos de propaganda e publicidades, que podem resulta em processos éticos-disciplinares. Assim, é abordado questões sobre o sigilo dos pacientes e outros critérios para a utilização das redes sociais, porém, com a expansão das mídias, surgiu a necessidade de responder a uma nova demanda de como se comportar nas redes sociais. Entretanto, é permitida a postagem de conteúdos informativos que incentivem hábitos saudáveis e o médico pode usar qualquer meio de comunicação para prestar informações, desde que a intenção seja educativa.

Instagram

Estudantes de medicina passam, em média, de 1 a 4 horas diárias no instagram, sendo essa ferramenta utilizada principalmente para acompanhar perfis de médicos. No entanto, vê-se frequentemente estes profissionais compartilhando informações imprecisas e/ou sensacionalistas na intenção de atrair o público e ganhar seguidores. Além disso, vê-se, também, profissionais que compartilham fotos de “antes e depois” de pacientes, o que não é permitido pelo Conselho Federal de Medicina Brasileiro. Dessa forma, torna-se imprescindível a ética no uso das redes sociais na carreira médica, visto que o seu mau uso pode gerar graves consequências.

Facebook

O Facebook pode ser utilizado por profissionais de saúde como uma ferramenta para compartilhar informações com finalidade educacional, apesar desse não ser o objetivo principal. Acadêmicos de medicina utilizam este site para verificar avisos com representantes, tirar dúvidas com professores e outros médicos, fazer trabalhos online, resolver exercícios, discutir casos clínicos, dentre outros. Desse modo, torna-se vantajoso o uso dessa rede social.

Entretanto, pode-se listar algumas desvantagens, como a distração, perda de foco, falta de privacidade, dificuldade de inclusão social, vício e dependência da internet, disponibilidade de tempo dos professores, conteúdos duvidosos e questões éticas. Dentre os problemas éticos, ressalta-se o desconhecimento por parte dos alunos das normas do código de ética médica brasileiro, resultando no compartilhamento de fotos e filmes de pacientes.

Tik Tok

O Tik Tok pode ser considerado a rede social do momento, onde os usuários compartilham vídeos curtos de danças, dublagens e tudo o que a criatividade permitir. Não demorou para os estudantes de medicina e os médicos começarem a compartilhar coisas do dia a dia e informações sobre saúde nesse ambiente. Assim, essa rede social facilitou a edição dos vídeos, deixando esse processo mais público e barato. Consequentemente, gerou a possibilidade de divulgação e autopromoção das atividades dos profissionais e estudantes, que gostam do retorno que essa mídia proporciona. Dessa forma, muitos profissionais migraram para essa rede social para andar de acordo com a tendência. O problema está na autopromoção, no sensacionalismo, na mercantilização do ato médico e nos abusos de propaganda e publicidades, visto que essa prática não é permitida pelo código de ética médica. No entanto, evidencia-se que os vídeos informativos são permitidos, desde que a sua finalidade seja estritamente educacional.

YouTube

A utilização de vídeos e filmes contribui para o processo de ensino e aprendizagem, uma vez que despertam a atenção, interesse e motivação dos alunos, promovem aquisição de experiências de diversos tipos (emoções, conhecimentos, sensações e atitudes) e promovem acesso aos níveis afetivo, comportamental e cognitivo dos alunos. Por isso, o YouTube pode ser utilizado com finalidade educativa, podendo complementar a construção do conhecimento médico de forma exponencial. Todavia, não há garantia da veracidade dos conteúdos compartilhados, o que pode comprometer a sua aplicabilidade no nível acadêmico. Por esse motivo, frequentemente vê-se a propagação de conteúdos duvidosos, sem comprovações científicas e com potencial de manipular aquele que assiste.

Conclusão

Torna-se evidente, portanto, que as redes sociais criaram um espaço de comunicação, colaboração e interação que podem contribuir com o processo de aprendizagem. No entanto, para o seu uso na área médica, é preciso seguir as normas do código de ética médica e do CFM. Dessa forma, faz-se necessário o treinamento dos docentes e discentes, bem como atualizações em artigos e congressos sobre esta temática, a fim de que o uso das mídias sociais seja o mais seguro e responsável possível. Além disso, ressalta-se a importância do bom uso das redes sociais, visto que na atualidade os pacientes e familiares procuram, muita das vezes, os perfis médicos, seja para obter informações educacionais sobre hábitos saudáveis ou para conhecer “o lado profissional” do médico (onde estudou, em que área atua, onde trabalha, etc). Sendo assim, é de extrema relevância que a utilização das redes sociais seja ética, seguindo as normas do CFM e do código de ética médica.

Autora: Letícia de Paula Santos.

Instagram: @leticiapaula.santos

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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