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Quem foi a primeira médica negra do Brasil? Veja histórias inspiradoras

Quem foi a primeira médica negra do Brasil? Veja histórias inspiradoras

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Médica negra. Depois desse post toda vez que você ouvir essa expressão lembrará de mulheres brasileiras negras que fizeram e fazem história!

Quando você ouve a palavra “médico”, qual é a imagem que vem à mente? Você consegue pensar, espontaneamente, em uma médica negra? Olhando para a história do Brasil, é possível entender a relevância de tal pergunta.

Os efeitos da escravidão brasileira, a que mais perdurou nas Américas, ainda são perceptíveis quando analisamos pesquisas sobre desigualdades sociais.

A mulher negra no Brasil

De acordo com dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, negros representam 56% da população brasileira. No ensino superior, representam 50% dos alunos.

O IBGE oferece outros dados valiosos sobre a situação da população negra e, mais especificamente, da mulher negra brasileira. Elas representam 47,8% das mulheres que ocupam os postos de trabalho informais e são sub-representadas na política.

Tudo isso faz com que nos perguntemos: “E na medicina, onde estão as médicas negras?”

Participação das mulheres na medicina brasileira

A Demografia Médica no Brasil é o principal estudo sobre a área médica. A pesquisa é feita em parceria pela Universidade de São Paulo (USP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). O estudo reflete sobre o perfil dos médicos especialistas, a distribuição de renda e os postos de trabalho na medicina.

De acordo com a última pesquisa, divulgada em 2020, há um fenômeno de “feminização” da medicina brasileira. Hoje, as mulheres representam 46,6% da população médica do país.

Em 1990, elas representavam cerca de 31% deste grupo. A pesquisa mostra que Alagoas é o estado onde as mulheres estão melhor representadas, sendo 51,6% do médicos do território. No Amapá, por outro lado, as mulheres são apenas  37,7% dos médicos do estado.

Médica negra: onde estão essas profissionais?

Todos essas análises sobre a distribuição de gênero na medicina Brasileira são de extrema importância.

O que a Demografia Médica no Brasil 2020 não nos oferece, entretanto, é uma leitura da raça destes médicos. Ora, como podemos pensar no perfil do médico brasileiro sem, além de levar em conta seu gênero, pensar sua raça?

Essa escassez de dados é reveladora de um problema ainda maior: no Brasil, as mulheres negras são constantemente desumanizadas. No enfrentamento ao coronavírus, por exemplo, as mulheres negras eram as mais expostas ao vírus.

A intelectual Lélia Gonzalez já refletia sobre os cruzamentos entre raça e gênero no Brasil dos anos 70 e 80. Para ela, as condições das mulheres negras do país exigiam análises que pensassem a questão de gênero em consonância com os efeitos do racismo.

Dito isso, separamos quatro médicas negras que servem como exemplo e inspiração para alterarmos este cenário.

Vamos conhecê-las?!

Médica negra: conheça profissionais que são verdadeiras inspirações

Maria Odília Teixeira

Quem foi a primeira médica negra do Brasil?

Se o Brasil de 2022 ainda impõe diversas barreiras para médicas negras, imagine o desenho do país em 1909! Foi em 1909, no interior da Bahia, em São Félix, que Maria Odília Teixeira nasceu.

Ainda que seu nome possa não acender nenhuma lembrança, Maria é das principais figuras históricas da medicina brasileira. Para se ter uma noção daquele contexto histórico, as mulheres só conquistaram direito ao voto 23 anos depois, em 1932.

FIlha de pai médico, Maria é a primeira médica negra de que se tem registro em território nacional.

Ela também foi a primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia, a mais antiga do país. Na faculdade, Maria Odília atuou como professora de Clínica Obstétrica.

Quando pensamos na violência obstétrica e em como ela atinge mulheres negras de maneira mais intensa, isto é ainda mais representativo.

Em sua turma, ela era a única mulher entre os 48 alunos da turma. Sua tese de formação se concentrou no estudo da cirrose, tema pouco comum para mulheres da época. Maria morreu em 1970, deixando, na história, uma marca incomparável. 

Katleen Conceição

Se o assunto é dermatologia para pessoas negras, o Brasil possui uma autoridade indiscutível: a Dr. Katleen Conceição!

Presença cativa em programas televisivos e portais de notícia, Katleen é uma das principais médicas negras do país. Ela é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Além do atendimento clínico, Katleen é Chefe do Ambulatório de Pele Negra da Santa Casa de Misericórdia.

Como especialista, trata questões específicas da população negra, como os cuidados com os cabelos crespos e cacheados e a hiperpigmentação na pele negra. Em entrevista ao portal de beleza Bonita de Pele, Katleen disse que “você pode mudar o país dando autoestima para a nossa gente”.

Grupo Ifé Medicina

Se mulheres negras atuando na medicina já rompem uma série de estereótipos, o que dizer de uma clínica composta por 5 médicas negras?

Em atividade desde julho de 2021, o Grupo Ifé Medicine reúne cinco médicas negras, de diferentes especialidades:

  • Abdulay Eziquiel – Cirurgiã Plástica;
  • Aline Tito – Cardiologista;
  • Cecília Pereira – Ginecologista e Mastologista;
  • Julia Rocha – Dermatologista;
  • Liana Tito – Oftalmologista.

Com o propósito de normalizar a presença de mulheres negras na medicina, a clínica funciona no Rio de Janeiro.

Mae Jemison

Você sabia que a primeira astronauta negra a ir para o espaço é médica? A Dra. Mae Jemison nasceu no Alabama, em 1956. À época, as mulheres não eram nem permitidas na NASA!

A missão que deu à Mae o caráter pioneiro aconteceu em 1992. Nomeada como “STS-47”, a missão espacial orbitou a terra em setembro deste ano. 

Sua primeira formação foi em Engenharia Química, na renomada Universidade de Stanford. Em seguida, pela Universidade Cornell, parte da Ivy League, Mae se formou em medicina.

Mae fez parte da equipe médica das Forças de Paz na Libéria e em Serra Leoa. Além disso, participou de pesquisas para a criação da vacina contra a hepatite B.

Sugestão de Leitura Complementar

Referências:

  • Cremeb, Folha de São Paulo, O Globo, El PAÍS, Revista Cláudia, Mundo Negro e Bonita de Pele