Psiquiatria

Uso problemático da internet: como lidar?

Uso problemático da internet: como lidar?

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Sanar Pós Graduação

8 minhá 100 dias

Em 2001 surgiu a preocupação com o uso problemático da internet, experimentada como algo irresistível, por períodos de tempo mais longos do que o pretendido e capaz de gerar sofrimento significativo ou prejuízo resultante do seu uso descontrolado.

Uso problemático do smartphone

Na Coreia do Sul e China, o uso problemático do smartphone é uma questão de saúde pública, após observado aumento no número de acidentes de trânsito e adolescentes desenvolvendo problemas de saúde devido ao uso do celular por longos períodos. No entanto, ainda não consta em manuais diagnósticos.

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Comorbidades que podem estar associadas ao uso problemático do smartphone

  • TDAH
  • Transtornos ansiosos
  • Transtornos depressivos
  • Transtorno Bipolar
  • Dificuldade de controle de impulso
  • Transtorno de uso de substâncias

Como ajudar o paciente?

  • Ajude a entender o cenário;
  • Ajude a definir padrão de uso;
  • Estabeleça objetivos claros com o paciente;
  • Limite e diminua o tempo de uso, com um plano criado juntamente com o paciente;
  • Faça uma lista com hobbies e atividades que o paciente gostava e sugira aumentar o tempo gasto nessas atividades;
  • Lembrar das comorbidades.

Transtorno do jogo

DSM-5

  • Preocupação excessiva
  • Abstinência
  • Tolerância
  • Perda do autocontrole
  • Perda de outros interesses
  • Uso exagerado contínuo
  • Uso como escape de sentimentos negativos
  • Perda de funcionalidade

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CID 11

3 sintomas chaves:

  • Perda do controle sobre o jogar;
  • Aumento da importância dada ao jogar;
  • Aumento do jogar apesar da ocorrência de consequências negativas.

Transtorno dismórfico corporal (TDC)

  • TDC: espectro do TOC (DSM-5);
  • Pelo menos 1 preocupação excessiva com uma alteração pequena ou não existente em aparência física;
  • Pensamentos sobre isso por pelo menos 1h/dia;
  • Impacto no funcionamento ocupacional, social e/ou pessoal;
  • Comportamentos compulsivos e repetitivos relacionados à preocupação: checagem no espelho, reafirmação com as outras pessoas, etc.

Snapchatdismorfia/ Instadismorfia/Selfiedismorfia

  • 2018: relatos de aumento de procura por cirurgiões plásticos;
  • Insatisfação em aparência induzida por mídias sociais;
  • Ideal estético pessoal: utilização de filtro de fotos dos apps;
  • Idealização de resultados estéticos;
  • Atentar para TDC;
  • Geralmente vem associado a alguma comorbidade (como transtorno de ansiedade, transtorno depressivo);
  • Suporte em saúde mental;
  • Uso de internet e mudança no padrão de percepção de beleza;
  • Preocupação com feedback imediato: críticas, elogios;
  • Associação entre manipulação de fotos antes de postar e insatisfação corpórea e transtornos alimentares;
  • Fotos digitais são mais fidedignas que filtros.

Associação entre uso problemático de internet e Transtornos alimentares

2 modos principais:

Sedentarismo + delivery fast food = perda de controle ao comer + “dietismo” + compulsão alimentar

Seguir “influencers” = alteração na auto percepção de imagem corporal = anorexia, bulimia, hiperpreocupação com a comida

Novos sintomas associados à internet

  • Superestimulação;
  • “Fear of missing out”(FOMO): Sensação subjetiva de que os outros estão tendo experiências gratificantes e você não;
  • “Phubbing”: Checagem problemática de redes sociais mesmo quando a pessoa está em uma relação ou encontro real.

Tratamento

Comorbidades psiquiátricas mais comuns:

•Diagnosticar e tratar

Escolha de medicação (em estudo):

  • Antidepressivos serotoninérgicos?
  • Psicoestimulantes?
  • Naltrexona (associado com ISRS)
  • Suporte psicoterápico

Outras ideias de intervenção

  • Quebrar o algoritmo (as mídias sociais tem acesso ao que estamos procurando na internet e facilitam o alcance a esses conteúdos, aumentando o nosso tempo nas redes sociais);
  • Ter novas experiências;
  • Valorizar mais os encontros interpessoais.

Violência na internet

Agressões no ambiente virtual causam repercussões reais na saúde mental das pessoas, como piora da autoestima, depressão e ansiedade.

Como lidar?

  • Identificar as dinâmicas de exclusão na internet e redes de aplicativos, como a marginalização das pessoas que fogem às normas do corpo padrão (obesos);
  • Compreender como a internet interfere na autoestima e na saúde da pessoa;
  • Perceber essas estruturas de exclusão;
  • Apoiar a construção de novos relacionamentos que acolham a diversidade e que valorizam sua humanidade e não apenas as características do seu perfil na internet.

Efeito desinibidor online

  • Anonimato – maior chance de se revelar confidências;
  • Conveniência;
  • Escape do mundo real;
  • Invisibilidade (sem olhar de reprovação, maior exposição pessoal);
  • Perda de limites entre indivíduos (hábito de mover os lábios ou mesmo ler mensagens em voz alta);
  • Falta de hierarquia.

Componentes que podem facilitar as relações no mundo virtual

  • Similaridade: pessoas tendem a gostar mais de pessoas parecidas
  • Reciprocidade: pessoas tendem a gostar mais de quem dá mais atenção
  • Autorrevelação: “revelar leva a gostar e gostar leva revelar”
  • Humor
  • Facilidade em representar um personagem
  • Relações virtuais tendem a ser hiperpessoais
  • Relacionamentos virtuais progridem mais rápido
  • Maiores situações de risco e exposição
  • Muitas pessoas preferem manter o contato online em detrimento ao real, por medo do risco de rejeição

Cyberbullying

  • Assédio virtual recorrente por meios tecnológicos com a finalidade de provocar algum prejuízo na pessoa que é vítima;
  • Comportamento é intencional;
  • Padrão de comportamento repetido;
  • O alvo percebe que algum dano ocorreu a si;
  • Uso de computadores, celulares e outros eletrônicos (vídeo-game);
  • O cyberbullying aumenta as taxas de ideação e tentativas de suicídio.

Como abordar a violência

  • Escutar e comunicar que acredita;
  • Validar a decisão da pessoa em revelar a situação de violência;
  • Explicitar que a pessoa não é culpada pela situação;
  • Enfatizar a não aceitação da violência;
  • Avaliar os riscos imediatos;
  • Pactuar plano de segurança e mapear rede de apoio;
  • Aspectos a serem considerados no seguimento (direitos, apoio psicológico, grupo com pessoas em situação semelhante);
  • Notificar a violência no SINAN.

Orientações educativas e preventivas de violência virtual

  • Dialogo e confiança são os principais fatores de proteção;
  • Ensinar a importância da integridade e do respeito ao corpo;
  • Não devem se despir para ninguém na internet que faça pressão para que tirem a roupa;
  • Não se deixem fotografar ou serem filmados sem roupa;
  • Discutir intimidade e privacidade;
  • Alertar sobre abusos virtuais;
  • Promover a cultura do consentimento;

Orientações sobre gerenciamento da visibilidade virtual

  • Gerenciamento de visibilidade: modos como as pessoas lidam com a exposição de suas identidades, revelando ou ocultando certos aspectos;
  • Atenção a quem se direciona qualquer material na internet;
  • No caso de crianças e adolescentes, os pais e responsáveis devem ser orientados que há modos eletrônicos de bloquear ou, ao menos, dificultar o acesso ao material considerado impróprio para a faixa etária;
  • Orientações sobre gerenciamento da visibilidade online podem prevenir desfechos negativos em saúde, como bullying e violência sexual.

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