Complicações por uso de medicamentos em “tratamento precoce” contra Covid-19 | Colunistas

O “tratamento precoce” instituído contra Covid-19, que inclui medicações como o antimalárico hidroxicloroquina e o anti-helmíntico ivermectina, apesar de não ser recomendado pela Sociedade Brasileira de Infectologia por falta de evidência científica que comprove eficácia, tem levado um número cada vez maior de pacientes aos hospitais por complicações e efeitos colaterais decorrentes do seu uso de forma indiscriminada. Tratamento da Covid-19: O que sabemos até agora? Não há evidência científica consistente até o momento que corrobore com o tratamento precoce da Covid-19. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu uma nota onde não recomenda nenhum tipo de tratamento precoce para o Coronavírus, tais como hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, ozônio por via retal ou dióxido de cloro. Instituições como a Sociedade Americana de Infectologia (IDSA), a Sociedade Europeia de infectologia (ESCMID), o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NHI), Centros Norte-Americanos de controle e prevenção de doenças (CDC), Organização mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estão alinhados com a mesma orientação. Atualmente, o tratamento da fase inicial consiste em sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos em caso de dor ou febre. Em caso de complicações, como a pneumonia com hipóxia, o tratamento é feito em meio hospitalar, avaliando a necessidade de oxigenioterapia, dexametasona e heparina profilática. A maioria dos pacientes evolui bem, sem que haja necessidade de ventilação mecânica na Unidade de Terapia Intensiva. Hidroxicloroquina e Covid-19 Em uma metanálise que comparava um grupo de tratamento convencional com um grupo tratado com hidroxicloroquina, não foram encontradas diferenças significativas na probabilidade de negativação da carga viral por RT-PCR entre o grupo hidroxicloroquina e o grupo que recebeu tratamento convencional. Além disso, uma coorte

Luísa Machado

3 minhá 11 dias

Protocolo ABVD – a primeira linha no tratamento do Linfoma de Hodgkin | Colunistas

O Linfoma de Hodgkin é uma doença neoplásica linfoide na qual as células de Hodgkin/Reed-Sternberg são encontradas em meio a uma população de células inflamatórias não-neoplásicas. O Linfoma de Hodgkin soma 7% dos cânceres pediátricos, é raro em crianças mais novas, mas é a neoplasia mais comum no grupo dos 15 aos 19 anos. Em adultos, contribui para 0,2% dos diagnósticos de câncer. O seu tratamento envolve, principalmente, quimioterapia e radioterapia para pacientes selecionados. O protocolo quimioterápico ABVD é uma escolha de primeira linha de tratamento para o Linfoma de Hodking. O protocolo quimioterápico é composto por quatro drogas: Doxorrubicina, Bleomicina, Vimblastina e Dacarbazina. Apesar do tratamento quimioterápico ser de prerrogativa de prescrição de hematologistas e oncologistas, você pode se deparar, na sua prática diária, com pacientes que estejam recebendo protocolo quimioterápico. Por isso, é muito importante conhecer esses fármacos e os efeitos adversos mais comuns, e também poder avaliar o uso de outros remédios e terapias concomitantes a esses protocolos na sua vida e condutas médicas. As indicações, doses e tomadas de decisão do uso do Protocolo ABVD não serão discutidas nesse artigo. Figura 1. Célula de Reed-Sternberg, a célula característica do linfoma de Hodgkin. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Te_bao_RS.jpg O Protocolo ABVD O protocolo é composto pelo uso de quatro drogas diferentes: Doxorrubicina (também conhecida como Adriamicina, que empresta o seu A ao nome do protocolo), Bleomicina, Vimblastina e Dacarbazina. Cada ciclo dura 28 dias, sendo as infusões de drogas divididas em dois blocos de 1 dia cada, que acontecem no dia 1 e dia 15. A quantidade de ciclos é variável a partir da classificação da doença em cada paciente, mas, usualmente, de 2 a 6 ciclos. Os ciclos são

João Pedro L. Cezar

3 minhá 18 dias

Intoxicação por anticonvulsivantes em crianças e em adultos | Colunistas

Discussão da intoxicação em crianças  Os acidentes na infância são problemas de saúde pública e, por isso, devem ser debatidos. A cultura da automedicação, no Brasil, está cada vez mais consolidada e a posse de remédios nunca esteve tão fácil. Em decorrência disso, o descuido de pais pode acarretar em possível intoxicação por medicação em crianças (principalmente por anticonvulsivantes).             Diversos estudos apontaram que o tipo de intoxicação varia de acordo com a faixa etária do paciente em questão. Até o primeiro ano de idade, a intoxicação pode ocorrer por uso de broncodilatadores e de descongestionantes nasais, devido a quantidade maior de infecções respiratórias nesse momento da vida (a criança saudável apresenta, em média, de 4 a 6 infecções ao ano; caso tenha irmãos ou frequente creches, a frequência sobe para 8 a 10). De 1 a 4 anos, além desses medicamentos, os incidentes com psicofármacos são relevantes, visto que são casos mais comuns e, ao mesmo tempo, mais graves. Na faixa etária de 5 a 12 anos, contudo, esses tipos de intoxicações são substituídos por tentativas de suicídio, principalmente aos nove anos.  Os principais sintomas de intoxicação em crianças são: vômito, diarreia, desidratação, hipertermia e acidose metabólica, podendo facilmente ser confundidos com outras patologias. Devido a isso, é ainda mais essencial a anamnese completa em crianças, já que a dificuldade de diagnóstico favorece a ocorrência dos casos graves.  Intoxicações acidentais              Diversos fatores favorecem as intoxicações por anticonvulsivantes de maneira acidental na faixa etária de 1 a 4 anos: o aumento da curiosidade da criança, seu maior desenvolvimento motor e o fato de a maioria dos pais guardar os remédios na cozinha, um local que a criança geralmente possui acesso. 

Izabela Borges Silva

4 minhá 27 dias

Critérios de Instabilidade | Colunistas

Antes de falarmos sobre o paciente instável, vamos falar sobre o paciente estável. O paciente estável é aquele cujo estado hemodinâmico está adequado (ou próximo da adequação), não necessitando de medidas de suporte cardiovascular, como drogas vasoativas, por exemplo. O paciente hemodinamicamente controlado é aquele que necessita de algum suporte para que atinjam um estado de adequação. O paciente instável é aquele cujo estado hemodinâmico apresenta-se fora da adequação e depende de medidas de suporte cardiovascular como, por exemplo, o uso de drogas vasoativas em doses altas e/ou crescentes. O paciente crítico é aquele que apresenta risco de descompensação e/ou estado fisiologicamente instável. Necessita de constante vigilância e titulação contínua do tratamento de acordo com a evolução da sua doença. O estado hemodinâmico é composto pelas variáveis: valores de pressão arterial, adequação dos fluxos cardiovasculares (débito cardíaco, retorno venoso, irrigação do músculo cardíaco) e perfusão sistêmica. Um desequilíbrio em qualquer uma dessas variáveis pode levar o paciente a um quadro de instabilidade hemodinâmica. Vamos a algumas causas de instabilidade hemodinâmica: Infarto agudo do miocárdio extenso;Infarto de ventrículo direito;Insuficiência mitral;Comunicação interventricular;Derrame pericárdico;Tamponamento cardíaco;Complicações da evolução do Infarto agudo do miocárdio, como tromboembolismo pulmonar ou sepse. Devemos estar atentos a essas complicações em pacientes idosos e diabéticos, principalmente. Dentre as causas incomuns, podemos citar a Síndrome de Takotsubo, uma cardiomiopatia transitória do ventrículo esquerdo (VE), na ausência de coronariopatia, e induzida por forte estresse. A instabilidade hemodinâmica pode ser secundária a procedimentos cirúrgicos cardíacos, por diferentes mecanismos: hemorragia, tamponamento, lesão miocárdica, arritmias e choque cardiogênico. Pneumotórax hipertensivo é uma complicação rara e requer pronto reconhecimento e atendimento. Também pode ser secundária às complicações pós-operatórias e anestésicas. Critérios de instabilidade

Illana Machado Braga

4 minhá 29 dias

Envenenamento: como lidar com intoxicações exógenas? | Colunistas

A definição de tóxico ou veneno engloba qualquer substância danosa que possa promover alterações em um ou mais sistemas fisiológicos. De modo geral, a intoxicação pode ser intencional, como por tentativa de suicídio, ou involuntária, após uso de medicações com metabolização diminuída. A gravidade do quadro clínico depende diretamente de fatores como tipo de tóxico, dose, tempo de exposição, comorbidades associadas, idade, letalidade da substância, interações medicamentosas e via de intoxicação. Todavia, todos os pacientes devem ser considerados potencialmente graves em decorrência da possibilidade de piora dos sintomas. Desse modo, o profissional de saúde deve agir com cautela e rapidez no manejo do doente, a fim de identificar o tóxico, promover tratamento específico e reduzir complicações (Figura 1). Além disso, deve-se lembrar que a intoxicação exógena é incluída na lista de agravos de notificação compulsória desde 2011, tendo registros de cerca de 2 milhões de pacientes intoxicados anualmente. Figura 1: Fluxograma do atendimento ao paciente Atendimento inicial do paciente Após entrada no serviço médico, o paciente deve ser transferido para a sala de emergência, onde realiza-se monitorização da pressão arterial, oximetria, cardioscopia e punção de acessos venosos periféricos calibrosos. Posteriormente, utiliza-se a ordem ABCDE, iniciando com a avaliação da perviedade das vias aéreas (A), analisando a necessidade de uma via aérea definitiva. Depois, avalia-se a respiração (B) por frequência respiratória e ausculta pulmonar, em que, na presença de hipoxemia, o quadro pode ser revertido pela oferta de oxigênio suplementar. A avaliação cardiovascular (C) deve conter informações do status hemodinâmico do paciente, como pulso, perfusão, cor, temperatura e presença de sangramentos, podendo realizar reposição volêmica (10-20 mL/Kg de solução cristaloide) em casos de hipotensão – se refratária, acrescentar droga vasopressora com efeito inotrópico ou

Isabella Rezende

9 minhá 30 dias

Água mole em pedra dura: A arte de estudar farmacologia médica | Colunistas

A farmacologia é definida por Rang et al. (2015) como sendo o estudo das ações e efeitos dos fármacos sobre os sistemas biológicos, através de receptores, enzimas ou quaisquer outros meios que interajam com as principais células do corpo humano. Sendo assim, a farmacologia nada mais é do que um modo terapêutico desenvolvido e aprimorado para modular ações fisiológicas, representando, portanto, um grande avanço para a medicina. Desse modo, é possível perceber o porquê de as disciplinas Farmacologia Médica e Fisiologia Humana serem tão interligadas nas graduações da área da saúde. Por ser a base de muitas condutas na prática médica, a disciplina de Farmacologia Médica gera muito temor nos alunos do curso de medicina, na medida que se sentem pressionados no que diz respeito à fixação de todos os incontáveis nomes de fármacos existentes na indústria farmacêutica. Pode-se afirmar que a maior dificuldade relacionada à disciplina é como saber estudar e se organizar num cenário com incontáveis nomes e teorias. Porém, o que pouco se sabe é que existe solução para este desafio e ela está longe de ser uma fórmula mágica, ou algo do tipo. O segredo é insistir. Dificuldades marcantes dentro da disciplina Como já demonstrado, a maior dificuldade dentro do estudo da farmacologia é fixar todos os nomes dos fármacos, já que cada classe medicamentosa possui uma gama de medicamentos, cada um com uma especificidade e espectro de ação diferenciado. Exemplificando, dentro de antibióticos, tem-se a classe dos antibióticos beta-lactâmicos, assim classificados por conta da presença do anel beta-lactâmico. Sabe-se que os beta-lactâmicos são divididos em penicilinas, cefalosporinas, cefamicinas, carbapenêmicos, monobactâmicos dentre outros (BRUNTON et al. 2018). Dentro de cada uma dessas subclassificações, existe uma variedade de medicamentos, cada um com um espectro antimicrobiano diferenciado.

João Pedro Delgado

9 minhá 32 dias
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