Hidroxicloroquina e sua ineficácia na COVID-19 leve – estudo randomizado

Estudo randomizado mostra que hidroxicloquina não é eficaz na terapêutica de pacientes com casos leves de COVID-19, apresentando também efeitos adversos significativos. Com base na premissa de que não há terapias orais para a COVID-19 leve até o momento, em estágios precoces da doença, um estudo publicado na American College of Physicians, o “Hidroxicloroquina em adultos não hospitalizados com Covid-19 precoce”, avaliou o uso da hidroxicloroquina neste grupo de pacientes. Qual a importância desse estudo? Você já deve ter ouvido falar em outros estudos que concluíram o mesmo ponto. A questão é que este estudo é randomizado e duplo-cego. Um estudo randomizado é aquele no qual os pacientes são distribuídos aleatoriamente nos grupos de estudo (no caso, entre o grupo com uso de hidroxicloroquina e o grupo com uso de placebo). Assim, as variáveis confundidoras também se distribuem igualmente ao acaso! Como foi a metodologia? Os pacientes incluídos no estudo (N=423) foram aqueles com infecção confirmada pelo Sars-CoV-2 (81%) ou pacientes com alto risco de exposição (contato com paciente infectado) e suspeita clínica, ambos sintomáticos e não hospitalizados, com 4 dias de início dos sintomas. Um grupo de pacientes recebeu a hidroxicloroquina (uma dose de 800mg, seguida por 600mg em 6 a 8 horas, e então 600mg/ dia durante 4 dias) e o outro recebeu um placebo. O objetivo consistiu em avaliar a gravidade dos sintomas ao longo de 14 dias. O que concluiu o estudo? Ao longo dos 14 dias, não foi verificada diferença significativa no que concerne à gravidade dos sintomas entre o grupo que recebeu a hidroxicloroquina e

Yellowbook

1 min2 days ago

Uso de isotretinoína e depressão: existe relação? | Colunista

Introdução A acne vulgaris é uma doença genético-hormonal que se caracteriza por inflamação crônica pilossebácea e afeta entre 85 e 100% da população geral. É a doença dermatológica mais prevalente no mundo inteiro e pode causar grande impacto na qualidade de vida (depressão, ansiedade, baixa autoestima, fobia social e até tentativas de suicídio) e no sistema socioeconômico do país. A doença pode se apresentar como comedões, pápulas, pústulas e lesões nodulocísticas com possibilidade de evoluir com abscessos e cistos intercomunicantes, com frequente formação de cicatrizes, principalmente em face, pescoço, tórax e costas. A maior incidência ocorre em uma população jovem, que costuma ser emocionalmente mais fragilizada (sugestão: citar que a incidência em jovens entre 12 e 14 anos é por volta de 85% no início da discussão). O tratamento mais efetivo para os casos graves ou refratários de acne é a isotretinoína, um ácido derivado da vitamina A, que interrompe todos os processos de formação das lesões (sugestão: dizer quais são os processos na discussão: redução da produção de sebo, normalização da descamação do folículo, inibição da proliferação de microrganismos e ação anti-inflamatória ). Entretanto, além dos efeitos adversos do fármaco, tem sido observada uma relação entre o uso de isotretinoína e o aumento do risco de depressão, ideação suicida e suicídio, apesar desse assunto ainda ser controverso. O objetivo deste artigo é investigar a relação entre a isotretinoína e os distúrbios psiquiátricos por meio da revisão da literatura internacional, haja vista a quantidade restrita de artigos sobre este tema na literatura brasileira. Métodos Para a construção deste artigo, pesquisas foram realizadas nas plataformas PubMed, Capes e Google Scholar. Utilizou-se filtro

Sabrynna kefrey

7 min3 days ago

Como fazer o melhor uso do carvão ativado? | Colunistas

Historicamente referido como o antídoto universal, o carvão ativado é amplamente utilizado para o tratamento das intoxicações. Mas você sabe mesmo como fazer o melhor uso dele? O carvão ativado é produzido após a queima de polpa vegetal e outros compostos posteriormente expostos a altas temperaturas (entre 800 e 1000ºC) que alteram sua porosidade, levando a um aumento de até 400 vezes em sua superfície de contato. O carvão ativado possui diversos usos; desde filtros de impurezas e fins estéticos, como clareamento dentário e limpeza de pele, até sua utilização como antídoto para intoxicações. A utilização do carvão ativado na medicina deve-se principalmente a seu poder de adsorção de toxinas no lúmen gastrointestinal, isto porque sua superfície porosa possui carga eletronegativa atraindo substâncias carregadas positivamente e eliminando-as integralmente nas fezes, uma vez que ele próprio não pode ser absorvido pelo organismo. Outros usos importantes são, também, melhora da função renal em pacientes renais crônicos e redução de níveis séricos de colesterol. Indicações As principais indicações para seu uso estão relacionadas à necessidade de impedir a absorção do fármaco ou toxina pelo TGI e, isoladamente, pode ser tão ou mesmo mais eficaz que a êmese ou lavagem gástrica. Doses repetidas de carvão ativado podem ser necessárias quando houver benefício para o paciente na eliminação mais rápida e quando meios mais invasivos para remoção, como hemodiálise, não são indicados ou estão indisponíveis. O uso de carvão ativado deve ser bem avaliado em pacientes que cheguem ao serviço de emergência com suspeita de intoxicação e algumas variáveis devem ser consideradas: Tempo de contato: o efeito do carvão ativado é máximo quando utilizado até 1h após a

Comunidade Sanarmed

3 min4 days ago

Fentanil: como e quando usar na intubação em sequência rápida? | Colunistas

A maioria dos livros recomenda que a “sequência rápida” de indução deve ser realizada para todos os pacientes com risco de aspiração pulmonar de conteúdo gástrico. O principal objetivo da técnica é posicionar o tubo endotraqueal o mais rapidamente possível após a perda de consciência do paciente reduzindo o risco de aspiração do conteúdo gástrico. O médico deve lembrar da possibilidade maior de aspiração em todos os pacientes que não estão de jejum, nos traumas, nos obesos mórbidos, nas grávidas, idosos, ascíticos, portadores de refluxo gastresofágico, obstrução intestinal, tumores abdominais e diabéticos. Essa sequência baseia-se em: preparo do equipamento, com no mínimo duas técnicas diferentes para acessar via aérea, posicionamento, pré-oxigenação, pré-tratamento, paralisia com indução, pressão cricóide, posicionamento e confirmação do tubo orotraqueal e o pós-intubação. No pré-tratamento, a combinação de opioides como o alfentanil (30 µg/kg), fentanil (2-10 µg/kg) associado ao propofol (2,5 mg/kg) ou tiopental tem permitido boas condições de intubação orotraqueal com bom controle de resposta hemodinâmica. O fentanil é utilizado antes da infusão do sedativo e do relaxante muscular e em doses menores em relação à anestesia geral, o que objetiva minimizar a resposta cardiovascular exagerada (mais significativa em adultos) e o aumento da pressão intracraniana (não deve ser realizado intravenoso, em bolus, em pacientes com comprometimento intracerebral). A via aérea é bastante enervada pelo sistema simpático, devido a isso o manuseio da região, com a passagem e fixação do tubo, pode dar origem à uma resposta adrenérgica exacerbada e levar o paciente à evolução de uma hipertensão grave. Portando, deve ser administrado aos pacientes onde a hipertensão também deve ser evitada. De modo generalizado, são os pacientes com doenças cardiovasculares como

Janína de Araújo

2 min52 days ago

O que você precisa saber sobre a adenosina? | Colunistas

A adenosina é a droga de escolha para a reversão das taqui-arritmias supraventriculares após a falha das manobras vagais. Desta forma, conhecer suas propriedades e modo de administração são fundamentais para quem realiza atendimentos em salas de emergência. Seu efeito antiarrítmico ocorre por agir sobre o nodo atrioventricular, reduzindo seu tempo de condução (provoca um BAV transitório) e, assim, interrompendo os circuitos de reentrada.  A rápida metabolização da adenosina implica numa meia-vida extremamente curta (apenas alguns segundos). Por conta disso, a sua administração deve ser realizada na modalidade intravenosa, em bolus (1 a 2 segundos), sempre seguida de um flush de 20 mL de solução fisiológica e elevação do membro em que está instalado o acesso venoso utilizado. A dose preconizada é de 6mg IV. Caso não haja reversão da arritmia em um a dois minutos, outra dose, dessa vez de 12mg IV, deve ser administrada. Se ainda for necessário, uma terceira dose, de 12mg IV pode ser repetida! Algumas peculiaridades sobre a administração de adenosina:   É comum o paciente apresentar um intenso desconforto torácico (na verdade, uma sensação de morte iminente!) ao receber essa droga, que dura alguns segundos. O paciente sempre deve ser advertido dessa possibilidade. Também é comum a ocorrência de uma assistolia transitória por alguns segundos, logo antes da reversão da arritmia. Então, não se assuste se isso ocorrer! Embora seja raro, a adenosina pode provocar broncoespasmo.  E, caso isso ocorra, ele pode ser revertido com uso de metilxantinas, como a teofilina e a aminofilina. É importante lembrar que o paciente deve estar monitorizado ao receber essa droga (cardioscopia, pressão arterial e frequência cardíaca). A adenosina não deve ser

Fabiano Pereira

1 min52 days ago

Diazepam: como usar em crises convulsivas | Colunistas

Os benzodiazepínicos são largamente usados para tratar uma crise convulsiva. No Brasil usamos o Diazepam e o Midazolam de forma intravenosa. No entanto, na vigência de uma crise convulsiva, e principalmente frente a uma crise com duração maior do que 30 minutos ou varias crises seguidas sem recuperação da consciência entre elas, muitas vezes é bastante difícil fazer esta droga via endovenosa, principalmente em crises tônico-clônica, o que atrasa e dificulta o tratamento, e no caso da crise convulsiva significa evitar dano neurológico permanente. Em março de 2017 uma importante metanálise2 analisou a população adulta e pediátrica traçando um paralelo entre as vias intravenosa versus outras vias, como intramuscular ou intranasal, sendo analisado o Diazepam IV, Lorazepam IV e Midazolam IM ou IN. Os resultados foram: os benzoadiazepínicos aplicados por via intravenosa mostraram mais eficiência para cessar uma crise do que quando administrados por outras vias. No entanto, não levaram em conta o tempo necessário para se obter um acesso venoso, e quando este tempo é considerado, as vias não intravenosas tornam-se muito mais rápidas para atingir nosso objetivo que é o controle da crise. Na conclusão desse trabalho fica evidenciado a superioridade das vias intramuscular e nasal. No entanto quando o paciente já está em âmbito hospitalar e com um acesso venoso prévio, a via de escolha é a intravenosa. Já em 2004, o Artigo de Revisão – Midazolam nasal no tratamento de crises convulsivas1  concluiu que o Midazolam administrado de forma intranasal e bucal parece tão eficaz e seguro quanto o Diazepam administrado de forma intravenosa e retal. A recuperação pós-crítica parece ser mais rápida e também pode tratar episódios de agressividade e agitação pós-ictal, melhorando muito a qualidade de vida dos

Talita Bigoli

1 min52 days ago

COVID-19 e Cloroquina: Há estudos suficientes que justifiquem seu uso? | Colunistas

Sobre o COVID-19 O Coronavírus (SARS-CoV-2), vírus causador da doença COVID-19, é assim nomeado por ter espículas proeminentes em sua superfície semelhante à uma coroa, é envelopado, possui apenas uma fita de RNA e um nucleocapsídeo helicoidal. Ele pode causar sintomas variados, mas afeta principalmente as vias respiratórias, podendo ocasionar desde um resfriado leve em jovens saudáveis, até a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em idosos, pessoas com problemas cardiovasculares e imunocomprometidos. Sua transmissão ocorre tanto por contato pessoa-pessoa, quanto pelo ar e contato com secreções contaminadas, sendo que pessoas assintomáticas portadoras do vírus também são capazes de transmitir a doença COVID-19. Farmacologia da Cloroquina   A cloroquina é um fármaco utilizado para profilaxia e tratamento da malária causada pelos parasitas Plasmodium vivax, P. ovale e P. malarie, amebíase hepática, artrite reumatóide, lúpus, sarcoidose e doenças oculares de fotossensibilidade. Os metabólitos da cloroquina interferem na síntese de proteínas por inibir a polimerase do DNA e RNA, além de serem armazenados em vacúolos digestivos do parasita, ocasionando o aumento do pH e comprometendo a utilização da hemoglobina das hemácias pelo parasita. A ação desse fármaco sobre o lúpus e a artrite reumatóide é pouco conhecida, no entanto, sua atividade antiinflamatória é reconhecida e alguns estudos laboratoriais indicam que ele inibe a quimiotaxia de leucócitos polimorfonucleares, eosinófilos e macrófagos. A cloroquina tem uma faixa estreita de segurança, sendo que uma dose de 30mg/kg pode levar a óbito. Tem como efeitos adversos, a toxicidade aguda, que inclui efeitos cardiovasculares como hipotensão, vasodilatação, arritmias, aumento do intervalo QT, perda da função e miocárdica e parada cardíaca; e efeitos neurológicos, como convulsões, confusão mental e coma. Ainda, pode causar, mais raramente, hemólise,

Tainara Pezzini

4 min130 days ago

Coronavírus e IECA x BRAS | Colunistas

Qual a relação entre a hipertensão e os anti-hipertensivos na infecção pelo coronavírus? Desde os primeiros casos da infeção pelo novo coronavírus na China, percebemos a rápida propagação do vírus. Sua principal característica é a alta infectividade e a imensa capacidade de transmissão. Vem se alastrando de forma rápida, atingindo milhares de pessoas por todo o planeta. Apesar de até agora ter demonstrado uma taxa de mortalidade inferior ao de outros agentes com a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), a qual possuía uma taxa de mortalidade de 8%, ou como o surto de Mers, um outro agente da família corona, que mata aproximadamente 34% dos pacientes infectados, a taxa de mortalidade desta nova infecção está próxima de 3,7%, sendo 2.800 vezes maior do que a da gripe comum (0,13%) e 1.770 vezes maior que a H1N1 (0,2%). Neste contexto também percebemos que o vírus causa mais complicações em indivíduos idosos elevando a taxa de morte neste grupo de pacientes. Mesmo sabendo que mais de 80% das pessoas infectadas se recuperam bem sem necessidade de intervenção hospitalar, quando avaliamos o número de internamentos e a taxa de mortalidade dos indivíduos com faixa etária acima de 60 anos, este índice aumenta muito, chegando a 14,8% em pacientes com mais 80 anos. O fator idade é o principal envolvido neste processo. Porém, as comorbidades mediadas pelas doenças de base como quadros de hipertensão, doenças coronárias, diabetes, doenças degenerativas, imunológicas ou tumores são fatores agravantes para os quadros clínicos do paciente com Coronavírus. No dia 13 de março de 2020 a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) emitiu uma nota de esclarecimento, que dentre outros itens aborda uma relação,

Juarez de Souza

4 min130 days ago

Intoxicação por Opióides – A diferença entre remédio e veneno está na dose | Colunistas

O que é intoxicação exógena? A intoxicação exógena é definida como as consequências químicas ou bioquímicas que causam um desequilíbrio orgânico, resultante do contato de pele, olhos ou mucosas com agentes tóxicos, os quais podem ser ambientais, como o ar, água, alimentos, plantas ou animais peçonhentos ou venenosos, como também podem ser substâncias isoladas, como pesticidas, medicamentos e produtos químicos, tanto de uso industrial, quanto de uso doméstico. A intensidade do acometimento do agente tóxico depende de duas variáveis, sendo elas: a concentração do produto e o tempo de exposição. Aspectos Epidemiológicos             A intoxicação exógena é um agravo de saúde de notificação compulsória semanal no Brasil, ou seja, sua ocorrência deve ser, obrigatoriamente, comunicada à autoridade sanitária, em um prazo máximo de sete dias, por qualquer profissional de saúde ou responsáveis por organizações e locais de saúde e de ensino, públicos e privados, tanto os casos confirmados, assim como os suspeitos, a fim de adoção de medidas adequadas para evitar novos casos.             No Brasil, houveram 695.825 casos de intoxicação notificados entre os anos de 2007 a 2016 e, estima-se que a mortalidade por intoxicação exógena não intencional, é mais frequente em crianças menores de 5 anos e em adultos com idade superior a 55 anos de idade, sendo mais comum em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, isto é, em países de baixa e média renda.             De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX, 2017) os principais agentes tóxicos foram os escorpiões, sendo o causador de 36% dos casos de intoxicação humana no ano em questão, seguido por medicamentos, com 25% dos casos. No entanto, os agentes que mais ocasionaram óbitos foram os agrotóxicos, com 27 ocorrências.

Tainara Pezzini

3 min141 days ago
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